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Perfil
A vida imita a arte: mestre em artes cênicas fala sobre o amor pelo teatro
Natalense de 24 anos, Fernanda Cunha é atriz e dramaturga. Em entrevista ao Agora RN, ela falou sobre a importância da mulher no teatro
Nathallya Macedo
23/09/2020 | 05:03

A vontade de mudar o mundo é constantemente citada como motivação para aqueles que perseguem a arte. Mesmo em meio ao cotidiano de desilusões, a natalense Fernanda Cunha pauta o amor pelo teatro com a própria vida. Atriz e dramaturga, a jovem interpreta a si mesma em narrativas que só podem fazer parte do destino de quem nasceu para respirar cultura.   

Fernanda cursou teatro na UFRN e, aos 24 anos, é mestre em artes cênicas. Ela realizou uma pesquisa sobre a possibilidade da existência feminina na tragédia a partir das obras de Shakespeare. “O estudo mostrou que as personagens (Lavínia, de Tito Andrônico; Ofélia, de Hamlet; e Desdêmona, de Otelo) sofreram violências praticadas por homens”, relembrou. A análise foi então um ponto de partida para a primeira peça teatral escrita e protagonizada pela artista.  

“A Tragédia Mais Insignificante do Mundo” nasceu do desejo de abordar o feminicídio e outros tipos de agressões de uma forma implícita, para que os homens pudessem refletir sobre os papéis que exercem de maneira – quase sempre – tóxica, sem ataques nítidos. Na encenação, Fernanda é uma perita criminal que investiga o assassinato de três cabras.  

“Elas representam figuras femininas e a investigação busca entender quais são os motivos que levam alguém a achar que tem o direito de violentar o outro. É um convite para entender a origem da violência, já que é angustiante pensar nas possibilidades de viver como mulher no mundo de hoje. Essa aflição só mudará quando existir um diálogo construtivo”, afirmou.   

A peça estreou no fim do ano passado e foi apresentada na Casa da Ribeira e no Espaço A3. Durante o processo, Fernanda criou o Teatro das Cabras em parceria com Heloísa Sousa. A companhia é voltada para a formação de mulheres produtoras. “Passamos muito tempo acreditando que éramos o segundo sexo. Isso mudou porque agora ocupamos os espaços que queremos. No entanto, ainda precisamos de reconhecimento no teatro: representatividade importa, tanto em cima dos palcos quanto nos bastidores”.  

Com a pandemia da Covid-19, o espetáculo foi pausado. “Teatro pressupõe presença. Isso me ensinou a gostar de trabalhar com pessoas porque elas trazem novas perspectivas e diferentes realidades”. Desde então, Fernanda se dedica a criar conteúdo para postar nas redes sociais (@roubarameunome). Ela publica com frequência vídeos declamando poemas para gerar engajamento e identificação entre os seguidores.  

Arte necessária 

Neste período de distanciamento social, Fernanda continua estudando a dramaturgia e estruturas textuais contemporâneas para adaptar ao teatro, além de experimentar a linguagem da fotoperformance –  em que histórias e conceitos são contados através de ensaios fotográficos. Também pretende gravar curtas em breve, ao lado de colegas da cena local. “Vejo que Natal tem artistas incríveis em diversas áreas, mas temos pouco acesso a divulgação. Estamos nadando contra a maré e é essencial que ofereçam boias para auxílio”, salientou.  

Para ela, as produções culturais são indispensáveis para a evolução coletiva. “A arte não constrói pontes, mas é essencial para validar nossas existências. Sem ela, somos menos humanos. Continuo seguindo este caminho e espero escrever uma peça que seja apresentada em grandes festivais. Não com o objetivo de ganhar fama, apenas movida pelo sonho de tocar e transformar a vida das pessoas com o meu trabalho”.  

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