A BrainCo, empresa chinesa de neurotecnologia sediada em Hangzhou, trabalha num aparelho de vestir que, segundo a própria companhia, deve diminuir o apetite por meio de estímulos no cérebro. O plano é lançar o produto em dois a três anos, primeiro no mercado chinês, e só depois estudar a chegada aos Estados Unidos. Os detalhes foram apresentados pela sócia-fundadora Nyx He durante o Bloomberg Tech London.
A ideia é oferecer uma alternativa eletrônica aos remédios para obesidade baseados em GLP-1, como o Wegovy, da Novo Nordisk, e o Mounjaro, da Eli Lilly. Esses tratamentos injetáveis agem no controle do apetite e conquistaram espaço no mercado de perda de peso. No lugar do medicamento, o aparelho da BrainCo recorreria à estimulação cerebral, mas a empresa ainda não explicou como ele vai funcionar nem mostrou dados sobre sua eficácia.

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Sem detalhes
A companhia avalia vender o aparelho em versões diferentes, uma para uso médico e outra direto ao consumidor. Até agora, não divulgou preço, testes clínicos nem as exigências regulatórias que o produto terá de cumprir para chegar às lojas.
O interesse pelo tema tem eco no Rio Grande do Norte. Dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional, do Ministério da Saúde, com base em 2025, mostram que 42% da população potiguar tem algum grau de obesidade, a segunda maior taxa do país, atrás só do Rio Grande do Sul, como mostrou o Agora RN em setembro, em reportagem sobre o avanço das canetas no tratamento. A tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, é uma das canetas mais conhecidas.
Quem é
A BrainCo é conhecida por desenvolver interfaces cérebro-computador, ramo em que também atua a Neuralink, de Elon Musk. A empresa já vende aparelhos de vestir para casos de insônia, autismo e TDAH, o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. Esses equipamentos leem e interpretam sinais neurais e, em alguns casos, também estimulam o cérebro.
Fora da neuroterapia, a companhia fabrica próteses robóticas com as quais pessoas amputadas ou com certas deficiências movem dedos artificiais usando sinais do cérebro, o que permite tocar piano e praticar caligrafia. A BrainCo ainda fornece mãos robóticas a fabricantes chineses de robôs humanoides, segmento que cresce no país.
Expansão
A presença da empresa no exterior avança em meio a disputas geopolíticas em torno das interfaces cérebro-computador, entre elas propostas americanas para limitar investimentos em companhias chinesas do setor. Mesmo assim, a BrainCo diz que a procura por suas próteses nos Estados Unidos continua e que espera vender mais por lá.
Hoje concentrada em tecnologias que não exigem cirurgia, a empresa também cogita criar soluções com implantes no cérebro. Em janeiro, a BrainCo contou à Bloomberg News que tinha apresentado, de forma confidencial, um pedido para abrir o capital em Hong Kong, sem dar novos detalhes sobre os planos financeiros, conforme publicou a edição impressa do Correio de Hoje desta sexta-feira 6.
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