A Ponte de Igapó — que liga a Zona Norte de Natal a outras regiões da cidade — e uma rua de São José de Mipibu deixaram de ter denominações associadas à ditadura militar após recomendações do Ministério Público Federal (MPF). A antiga Rua 31 de Março passou a se chamar Rua Mirandolinda Teixeira de Andrade, enquanto o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) retirou a referência ao ex-presidente Costa e Silva do cadastro oficial da Ponte de Igapó. As recomendações foram expedidas pelo MPF em 2025 e orientaram órgãos públicos a revisar nomes de ruas, pontes e outros espaços que façam referência, elogiem ou homenageiem colaboradores da ditadura civil-militar, vigente no Brasil entre 1964 e 1985. A orientação também alcança datas e outros marcos relacionados ao período. Em São José de Mipibu, a mudança foi formalizada por uma lei municipal aprovada e sancionada em fevereiro. A data de 31 de março faz referência ao movimento militar que depôs o presidente João Goulart e deu início à ditadura, em 1964. No caso da Ponte de Igapó, a denominação Presidente Costa e Silva não havia sido estabelecida por lei federal. O nome aparecia apenas como uma referência local na base de dados do Sistema Nacional de Viação. Após a recomendação, o Dnit informou que retirou a homenagem do cadastro. A estrutura passou a constar oficialmente apenas como ponte sobre o Rio Potengi. Apesar da antiga denominação oficial, o equipamento é conhecido popularmente como Ponte de Igapó. As mudanças integram uma atuação mais ampla do Ministério Público Federal no Rio Grande do Norte. O órgão já recomendou a retirada de homenagens relacionadas à ditadura em espaços públicos de dez municípios potiguares e também encaminhou pedidos ao Governo do Estado. Autor das recomendações, o procurador regional dos Direitos do Cidadão Emanuel Ferreira afirmou que a medida também possui caráter educativo. “Precisamos contribuir para o resgate da memória democrática e para que novos espaços públicos não recebam homenagens desse tipo”, declarou. Em Natal, no entanto, a Prefeitura e a Câmara Municipal ainda não realizaram as alterações recomendadas. Diante da falta de providências, o MPF ingressou, em março, com uma ação civil pública para obrigar o município a mudar os nomes de bens e espaços públicos que façam referência à ditadura. O processo tramita na Justiça Federal e ainda não foi sentenciado.
