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Eólica

Mau planejamento deixa turbinas paradas e causa prejuízos bilionários, diz Jean Paul

Ex-presidente da Petrobras denuncia cortes na geração eólica por falta de planejamento e alerta para prejuízos de R$ 5 bilhões no Nordeste
Redação
07/09/2025 | 17:29

O ex-presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, denunciou em vídeo gravado nas estradas do Rio Grande do Norte, onde aparecem diversas turbinas eólicas paralisadas, o que chamou de um grave problema de mau planejamento do setor elétrico brasileiro. Segundo ele, a falha tem provocado corte obrigatório da geração de energia eólica (curtailment) e prejuízos que já ultrapassam R$ 5 bilhões em dois anos.

“Um vento forte sopra no Rio Grande do Norte. Já ouviram isso? Muitos anos depois, conseguimos erguer a indústria eólica em nosso estado e em todo o Nordeste. Mas, ultimamente, o vento forte passa, mas as pás estão paradas”, afirmou.

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Ex-presidente da Petrobras, Jean Paul Prates - Foto: Reprodução

Jean Paul explicou que o corte de geração ocorre principalmente pela falta de infraestrutura de transmissão para escoar a energia produzida, problema que considera “perfeitamente solucionável” com tecnologia, planejamento adequado e gestão equânime do setor, tratando todas as fontes com o devido respeito.

Ele lembrou que estados antes vistos como periféricos no setor energético hoje são protagonistas. “Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí, Bahia, Maranhão e Pernambuco são verdadeiras casas de força, reservas de energia renovável para o Brasil. Precisamos valorizar essas economias que hoje sustentam a transição energética do país”, destacou.

De acordo com o ex-presidente da Petrobras, a crise ameaça não apenas os empreendimentos eólicos já em operação, mas também a credibilidade do Brasil para atrair novos investimentos. “É preciso, urgentemente, encontrar uma solução. Sob risco de perdermos fábricas, perdermos empregos e, sobretudo, perdermos a confiança de investidores”, alertou.

Jean Paul defendeu que há alternativas de curto, médio e longo prazo para resolver a questão e que o país não pode abrir mão da integração harmônica entre fontes renováveis e não renováveis. “O Brasil é rico em recursos naturais e pode viver dessa integração. Mas é preciso vontade política e planejamento sério para não desperdiçar o potencial dos ventos que transformaram o Nordeste em referência mundial em energia limpa”, concluiu.