A segunda etapa do Programa de Recuperação de Rodovias do Rio Grande do Norte chegou a 81% de execução, aproximando o Estado da conclusão de um ciclo de obras que deverá alcançar cerca de 60% da malha estadual pavimentada. Executado pela Secretaria de Estado da Infraestrutura (SIN-RN) e pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER-RN), o programa reúne investimentos de R$ 1,037 bilhão e distribui intervenções por todas as regiões potiguares.
Somadas as obras estaduais às parcerias com o governo federal, mais de 2,1 mil quilômetros de estradas deverão ser recuperados. A primeira etapa foi dividida em três lotes e já está concluída. Na segunda, o número foi ampliado para seis, com trechos que conectam municípios a polos de comércio e serviços, áreas produtoras e destinos turísticos.

O estágio das obras varia. O Lote 1, que reúne trechos na Região Central, Médio Oeste e Litoral Norte, possui quatro dos sete trechos inaugurados e outros três com mais de 90% de execução. São 163 quilômetros entregues. O Lote 2, concentrado principalmente no Seridó e na região de Macau, foi integralmente concluído.
No Agreste, o Lote 3 prevê 114 quilômetros, dos quais 55 quilômetros estão prontos. No Lote 4, entre Agreste e Litoral Sul, 71 dos 98 quilômetros previstos foram entregues. A área inclui acessos a Barra do Cunhaú e Baía Formosa.
A Região Metropolitana de Natal concentra o Lote 5, com 134 quilômetros programados e 92 quilômetros concluídos. No Oeste, o Lote 6 ultrapassou 90% da extensão prevista: são 49 quilômetros prontos de um total de 56 quilômetros, incluindo ligações de Tenente Ananias, Rafael Godeiro, Martins e Serrinha dos Pintos.
Para o secretário estadual da Infraestrutura, Gustavo Coelho, os efeitos pretendidos ultrapassam a melhoria do pavimento. “Recuperar uma rodovia é muito mais do que melhorar seu pavimento. É garantir segurança para quem circula, reduzir dificuldades para o transporte da produção, aproximar municípios e regiões e ampliar as condições para que a atividade econômica aconteça”, afirma.
Oeste concentra demanda logística
Parte das intervenções atravessa regiões responsáveis por uma parcela relevante da atividade econômica do Estado. No Oeste, foram incluídos trechos das RN-015, RN-016, RN-117, RN-118 e RN-404, além da ligação entre Tibau e Grossos.
A Macrorregião de Mossoró, formada por 25 municípios, responde por quase 40% do Valor Adicionado Fiscal (VAF) do Rio Grande do Norte. A área concentra cadeias produtivas que dependem diretamente do transporte rodoviário, entre elas sal, petróleo e gás, fruticultura irrigada e atividades comerciais.
Nesse corredor, a condição das estradas interfere tanto no transporte da produção quanto no deslocamento diário entre municípios. Mossoró funciona como centro de comércio e serviços para cidades vizinhas e como ponto de conexão das áreas produtoras com outros mercados.

Mais ao interior, as obras das RN-075, RN-117 e RN-074 atendem ao Alto Oeste, com ligações envolvendo Pau dos Ferros, Martins, Serrinha dos Pintos, Tenente Ananias e Almino Afonso. Pau dos Ferros exerce função de polo regional de comércio, saúde e educação superior, além de concentrar atividades de confecções.
No Seridó e na Região Central, o programa alcança rodovias como RN-086, RN-087, RN-118 e RN-288, além de outros corredores. As estradas atendem uma economia formada por pecuária, mineração, confecções, comércio e serviços.
A RN-118, por exemplo, melhora as conexões de Caicó e São João do Sabugi com Ipueira, na divisa com a Paraíba. Caicó também possui atividades associadas ao bordado, que tem Indicação Geográfica, e ao turismo religioso da Festa de Sant’Ana. Currais Novos mantém participação relevante da mineração em sua economia.
Segundo a diretora-geral do DER-RN, Natécia Nunes, a extensão do programa exige acompanhamento dos projetos, execução e fiscalização. “A recuperação de 2.100 quilômetros de rodovias estaduais representa muito mais do que obras de infraestrutura. É um investimento direto no desenvolvimento do Rio Grande do Norte e, acima de tudo, na segurança e na qualidade de vida das pessoas”, diz.
Estradas conectam litoral e polos turísticos no interior do Estado
Outra parcela das obras busca melhorar acessos a destinos turísticos e municípios do Agreste, Litoral Norte, Litoral Sul e Grande Natal. Entre as rodovias incluídas estão RN-003, RN-023, RN-051, RN-092, RN-093, RN-120, RN-160, RN-269 e RN-317.
No Agreste, as intervenções atendem municípios com produção agropecuária e atividades ligadas à cana-de-açúcar. No litoral, os corredores dão acesso a destinos como Jacumã, Maracajaú e São Miguel do Gostoso, onde o turismo movimenta hospedagem, alimentação, transporte, comércio e serviços.
São Miguel do Gostoso também recebe anualmente uma mostra de cinema reconhecida, em 2025, como Patrimônio Cultural, Turístico e Imaterial do Rio Grande do Norte. A condição das estradas, nesse caso, interfere na circulação de moradores, trabalhadores e visitantes durante todo o ano.
No Litoral Sul, a RN-003 atende Tibau do Sul, município onde a Praia da Pipa sustenta uma ampla cadeia turística e convive com atividades como a carcinicultura. Em Baía Formosa, atendida pela RN-062, turismo, surfe e produção de cana-de-açúcar integram a economia local. O programa também contempla acessos entre Tabatinga, Camurupim e Barreta.
A recuperação dessas ligações busca diminuir dificuldades de deslocamento e melhorar a conexão dos destinos com Natal e outros municípios. O mesmo efeito é esperado para o transporte de mercadorias e para os trabalhadores das empresas instaladas nessas regiões.
“Estamos falando de uma rede que conecta o Estado de ponta a ponta. Quando uma estrada é recuperada, o efeito não fica restrito ao município onde está localizado o trecho. Ele alcança toda a cadeia que depende daquela ligação, seja a produção agrícola, a indústria, o comércio, os serviços ou o turismo”, afirma Gustavo Coelho.
Com 81% da segunda etapa executada, o foco passa a ser a conclusão dos trechos restantes. Se o cronograma previsto for cumprido, aproximadamente 60% das rodovias estaduais pavimentadas terão recebido intervenções ao fim do programa. Para a economia potiguar, o resultado amplia a extensão de corredores recuperados entre áreas de produção, centros regionais e o litoral, em uma malha na qual o transporte rodoviário continua sendo a principal ligação entre boa parte dos municípios.