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Infraestrutura

Governo do RN conclui 81% das obras da 2ª etapa de recuperação das rodovias

Programa reúne R$ 1,037 bilhão em investimentos e, somado a parcerias federais, prevê intervenções em mais de 2,1 mil quilômetros; obras alcançam corredores ligados à produção, comércio, serviços e turismo
Agora RN
16/09/2026 | 22:53

A segunda etapa do Programa de Recuperação de Rodovias do Rio Grande do Norte chegou a 81% de execução, aproximando o Estado da conclusão de um ciclo de obras que deverá alcançar cerca de 60% da malha estadual pavimentada. Executado pela Secretaria de Estado da Infraestrutura (SIN-RN) e pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER-RN), o programa reúne investimentos de R$ 1,037 bilhão e distribui intervenções por todas as regiões potiguares.

Somadas as obras estaduais às parcerias com o governo federal, mais de 2,1 mil quilômetros de estradas deverão ser recuperados. A primeira etapa foi dividida em três lotes e já está concluída. Na segunda, o número foi ampliado para seis, com trechos que conectam municípios a polos de comércio e serviços, áreas produtoras e destinos turísticos.

Vista aérea de estrada recém-asfaltada que passa ao lado de casas e dunas
Programa de Recuperação de Rodovias do RN recebeu investimentos de mais de R$ 1 bilhão — Assecom/Divulgação

O estágio das obras varia. O Lote 1, que reúne trechos na Região Central, Médio Oeste e Litoral Norte, possui quatro dos sete trechos inaugurados e outros três com mais de 90% de execução. São 163 quilômetros entregues. O Lote 2, concentrado principalmente no Seridó e na região de Macau, foi integralmente concluído.

No Agreste, o Lote 3 prevê 114 quilômetros, dos quais 55 quilômetros estão prontos. No Lote 4, entre Agreste e Litoral Sul, 71 dos 98 quilômetros previstos foram entregues. A área inclui acessos a Barra do Cunhaú e Baía Formosa.

A Região Metropolitana de Natal concentra o Lote 5, com 134 quilômetros programados e 92 quilômetros concluídos. No Oeste, o Lote 6 ultrapassou 90% da extensão prevista: são 49 quilômetros prontos de um total de 56 quilômetros, incluindo ligações de Tenente Ananias, Rafael Godeiro, Martins e Serrinha dos Pintos.

Para o secretário estadual da Infraestrutura, Gustavo Coelho, os efeitos pretendidos ultrapassam a melhoria do pavimento. “Recuperar uma rodovia é muito mais do que melhorar seu pavimento. É garantir segurança para quem circula, reduzir dificuldades para o transporte da produção, aproximar municípios e regiões e ampliar as condições para que a atividade econômica aconteça”, afirma.

Oeste concentra demanda logística

Parte das intervenções atravessa regiões responsáveis por uma parcela relevante da atividade econômica do Estado. No Oeste, foram incluídos trechos das RN-015, RN-016, RN-117, RN-118 e RN-404, além da ligação entre Tibau e Grossos.

A Macrorregião de Mossoró, formada por 25 municípios, responde por quase 40% do Valor Adicionado Fiscal (VAF) do Rio Grande do Norte. A área concentra cadeias produtivas que dependem diretamente do transporte rodoviário, entre elas sal, petróleo e gás, fruticultura irrigada e atividades comerciais.

Nesse corredor, a condição das estradas interfere tanto no transporte da produção quanto no deslocamento diário entre municípios. Mossoró funciona como centro de comércio e serviços para cidades vizinhas e como ponto de conexão das áreas produtoras com outros mercados.

Estrada asfaltada contorna morro com vegetação de caatinga sob céu azul
Ao todo, mais de 2,1 mil km de estradas serão recuperados, o equivalente a 60% da malha estadual pavimentada — Assecom/Divulgação

Mais ao interior, as obras das RN-075, RN-117 e RN-074 atendem ao Alto Oeste, com ligações envolvendo Pau dos Ferros, Martins, Serrinha dos Pintos, Tenente Ananias e Almino Afonso. Pau dos Ferros exerce função de polo regional de comércio, saúde e educação superior, além de concentrar atividades de confecções.

No Seridó e na Região Central, o programa alcança rodovias como RN-086, RN-087, RN-118 e RN-288, além de outros corredores. As estradas atendem uma economia formada por pecuária, mineração, confecções, comércio e serviços.

A RN-118, por exemplo, melhora as conexões de Caicó e São João do Sabugi com Ipueira, na divisa com a Paraíba. Caicó também possui atividades associadas ao bordado, que tem Indicação Geográfica, e ao turismo religioso da Festa de Sant’Ana. Currais Novos mantém participação relevante da mineração em sua economia.

Segundo a diretora-geral do DER-RN, Natécia Nunes, a extensão do programa exige acompanhamento dos projetos, execução e fiscalização. “A recuperação de 2.100 quilômetros de rodovias estaduais representa muito mais do que obras de infraestrutura. É um investimento direto no desenvolvimento do Rio Grande do Norte e, acima de tudo, na segurança e na qualidade de vida das pessoas”, diz.

Estradas conectam litoral e polos turísticos no interior do Estado

Outra parcela das obras busca melhorar acessos a destinos turísticos e municípios do Agreste, Litoral Norte, Litoral Sul e Grande Natal. Entre as rodovias incluídas estão RN-003, RN-023, RN-051, RN-092, RN-093, RN-120, RN-160, RN-269 e RN-317.

No Agreste, as intervenções atendem municípios com produção agropecuária e atividades ligadas à cana-de-açúcar. No litoral, os corredores dão acesso a destinos como Jacumã, Maracajaú e São Miguel do Gostoso, onde o turismo movimenta hospedagem, alimentação, transporte, comércio e serviços.

São Miguel do Gostoso também recebe anualmente uma mostra de cinema reconhecida, em 2025, como Patrimônio Cultural, Turístico e Imaterial do Rio Grande do Norte. A condição das estradas, nesse caso, interfere na circulação de moradores, trabalhadores e visitantes durante todo o ano.

No Litoral Sul, a RN-003 atende Tibau do Sul, município onde a Praia da Pipa sustenta uma ampla cadeia turística e convive com atividades como a carcinicultura. Em Baía Formosa, atendida pela RN-062, turismo, surfe e produção de cana-de-açúcar integram a economia local. O programa também contempla acessos entre Tabatinga, Camurupim e Barreta.

A recuperação dessas ligações busca diminuir dificuldades de deslocamento e melhorar a conexão dos destinos com Natal e outros municípios. O mesmo efeito é esperado para o transporte de mercadorias e para os trabalhadores das empresas instaladas nessas regiões.

“Estamos falando de uma rede que conecta o Estado de ponta a ponta. Quando uma estrada é recuperada, o efeito não fica restrito ao município onde está localizado o trecho. Ele alcança toda a cadeia que depende daquela ligação, seja a produção agrícola, a indústria, o comércio, os serviços ou o turismo”, afirma Gustavo Coelho.

Com 81% da segunda etapa executada, o foco passa a ser a conclusão dos trechos restantes. Se o cronograma previsto for cumprido, aproximadamente 60% das rodovias estaduais pavimentadas terão recebido intervenções ao fim do programa. Para a economia potiguar, o resultado amplia a extensão de corredores recuperados entre áreas de produção, centros regionais e o litoral, em uma malha na qual o transporte rodoviário continua sendo a principal ligação entre boa parte dos municípios.