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Takará Igbá

Exposição reflete sobre ancestralidade negra

Mostra gratuita reúne fotografias, instalações e objetos inspirados no Candomblé e segue aberta à visitação até 19 de junho
Por O Correio de Hoje
09/06/2026 | 13:53

A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) recebe a terceira etapa de circulação da exposição Takará Igbá: Candomblé, Corpo e Criação, do artista visual, pesquisador e performer Judson Takará. A mostra, na Galeria Laboratório do Departamento de Artes (Deart/UFRN), permanece aberta à visitação gratuita até o dia 19 de junho.

Resultado de um processo de pesquisa-criação desenvolvido entre 2023 e 2026, a iniciativa reúne fotografias, objetos, instalações, vestimentas e experimentações visuais que investigam as relações entre memória, ancestralidade, corpo e criação artística a partir da vivência do artista no Candomblé. A mostra integra uma circulação por territórios que marcaram sua trajetória pessoal, artística e acadêmica.

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Exposição de Judson Takará reúne fotografias, instalações, objetos e vestimentas inspirados em experiências ligadas ao Candomblé - Foto: Divulgação

Takará Igbá surge como desdobramento da exposição Takará Obé (2023), trabalho em que violência, dor e raiva ocupavam lugar central. Nesta nova etapa, a cabaça — igbá, em iorubá — assume protagonismo como recipiente simbólico de memória, cuidado, transformação e futuro. Presente em diversas tradições afrodiaspóricas, ela é tomada como metáfora de um corpo que guarda experiências, saberes e possibilidades de reinvenção diante das marcas deixadas pela colonialidade.

Partindo de experiências pessoais enquanto homem negro, candomblecista, performer e criador visual, Judson Takará constrói obras que ultrapassam o campo autobiográfico para dialogar com questões coletivas relacionadas à ancestralidade negra, às estratégias de sobrevivência e às formas de produção de conhecimento construídas para além dos modelos eurocentrados. Nesse percurso, a criação artística é compreendida como prática de cura, aparição e elaboração de mundos possíveis.

A exposição também estabelece diálogos entre Artes Visuais, Artes Cênicas e pesquisa acadêmica, articulando reflexões desenvolvidas pelo artista no Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas (PPGArC) da UFRN, no qual realiza seu doutorado. As obras convidam o público a uma experiência que atravessa matéria, imagem e espiritualidade, propondo outras formas de perceber o corpo, o território e seus modos de existência.

Ancorada no terreiro como espaço de produção de conhecimento, Takará Igbá nasce do entendimento de que pesquisa, criação e compartilhamento são práticas indissociáveis. Mais do que apresentar obras, a exposição celebra um processo vivo construído em diálogo com os territórios que formam o artista: o terreiro, o ateliê, a Universidade e a comunidade. Nesse encontro, a arte opera como gesto de permanência, desvio e liberdade.

O artista

Judson Takará é artista visual autodidata, costureiro e pesquisador. Doutorando em Artes Cênicas pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas (PPGArC/UFRN), desenvolve investigações que articulam corpo, território, memória, cultura afro-brasileira e processos de criação artística. Candomblecista há doze anos, tem sua trajetória profundamente marcada pelos saberes do terreiro e pelas vivências negras.

Entre seus principais trabalhos estão as exposições individuais Takará Obé (2023) e Takará Igbá (2025), que afirmam o terreiro como espaço político, estético e de produção de conhecimento. O artista também participou das edições de 2023 e 2024 da Mostra dos Brasis: Arte e Pensamento, realizada em São Paulo e no Rio de Janeiro, respectivamente, sendo o único artista residente no Rio Grande do Norte selecionado para ambas as edições.

A exposição Takará Igbá: Candomblé, Corpo e Criação tem produção do Ateliê Araká e Kaboca Produções, apoio do Ilé Asè Jitaloyá, do PPGArC/UFRN, do Departamento de Artes da UFRN e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). A realização é da Fundação José Augusto (FJA), da Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Norte (Secult-RN), do Governo do Estado do Rio Grande do Norte, da Lei Paulo Gustavo (LPG), da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), do Ministério da Cultura (MinC) e do Governo Federal.