O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, compartilhou, em sua rede social Truth Social, um artigo de opinião que classifica as eleições presidenciais brasileiras de outubro como o “próximo grande teste” para a influência política do republicano na América Latina.
O texto, publicado pelo site Newsmax, sustenta que Trump acumulou oito “triunfos” geopolíticos ao apoiar candidatos alinhados ao seu campo político em países como El Salvador, Argentina, Equador, Honduras, Bolívia, Chile, Colômbia e Peru, onde a apuração eleitoral ainda está em andamento. Segundo o autor, os principais desafios para a expansão dessa influência seriam Venezuela, Cuba, Nicarágua e Brasil.

Na avaliação do articulista, o Brasil ocupa atualmente o centro das atenções na política regional. O texto afirma que aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) estão mobilizados em torno da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência, na tentativa de derrotar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Se o Brasil entrar na lista crescente de países que se movem à direita, o mapa político da América Latina parecerá muito diferente daquele de apenas uma década atrás”, afirma o artigo. Em outro trecho, o autor declara que “Trump está realmente tornando as Américas grandes novamente”, em referência ao slogan do presidente norte-americano, “Make America Great Again”.
O artigo também afirma que o processo eleitoral brasileiro estaria cercado por um “debate intenso” sobre a integridade do sistema eleitoral e levanta questionamentos sobre se a disputa ocorrerá de forma “livre e justa”.
A publicação ocorre após uma sequência de declarações públicas entre Trump e Lula sobre a política brasileira. Durante a cúpula do G-7, realizada em Évian-les-Bains, na França, o presidente norte-americano afirmou que o Brasil está “um pouco complicado” e que a situação é “um pouco perigosa politicamente”.
Lula reagiu às declarações e disse que Trump “conhece pouco o Brasil”. O presidente brasileiro também pediu que o norte-americano não interfira na disputa eleitoral. “Pra mim ele pode continuar gostando do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto, afinal, gosto não se discute. Só não se meta nas eleições do Brasil, porque as eleições do Brasil são problema do Brasil, assim como as eleições dos Estados Unidos são problema dos Estados Unidos”, declarou.
O presidente ainda defendeu o sistema eleitoral brasileiro e afirmou que os Estados Unidos poderiam aprender com o modelo adotado no país. “Não tem país no mundo com um sistema de urna eletrônica como o nosso. Da próxima vez eu vou levar uma urna para ele ver como funciona”, disse, ao afirmar que as eleições brasileiras são “mais tranquilas, mais leves e menos conturbadas”.