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Eleições 2026

Toffoli suspende campanha digital de Renan Santos, veta repasses de recursos e ida a debates

Medida cautelar também alcança o candidato a vice, Aroldo Medina, e vale enquanto o TSE analisa o registro da chapa do Missão
Agora RN
31/08/2026 | 15:25

O ministro Dias Toffoli, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), suspendeu a campanha digital de Renan Santos (Missão), candidato à Presidência da República. A decisão também impede, por enquanto, o repasse de recursos do Fundo Eleitoral e a participação do candidato em debates.

A medida foi tomada neste domingo 30 e divulgada nesta segunda-feira 31. Toffoli é o relator do pedido de registro da candidatura e ainda não concluiu a análise definitiva sobre a participação da chapa nas eleições de 2026.

Renan Santos durante discurso
Renan também declarou que sua campanha não utiliza recursos dos fundos partidário e eleitoral — Foto: Reprodução

A decisão alcança o candidato a vice-presidente Aroldo Medina. As restrições valem até nova deliberação no processo de registro da chapa do Missão.

Decisão atinge redes sociais, recursos e debates

Toffoli determinou a suspensão da propaganda eleitoral nos perfis que não foram informados inicialmente à Justiça Eleitoral. A medida também bloqueia repasses do Fundo Especial de Financiamento de Campanha e impede a participação da chapa em debates realizados no rádio, na televisão, em podcasts e em outros meios de comunicação.

Segundo o relator, contas não declaradas estariam publicando conteúdos favoráveis a Renan. A legislação exige que os candidatos informem, no pedido de registro, os endereços de sites, blogs, redes sociais e aplicativos que serão utilizados na propaganda eleitoral.

As regras de propaganda eleitoral do TSE também determinam a comunicação de novas contas criadas durante a campanha dentro do prazo previsto pela Justiça Eleitoral.

Chapa informou 18 perfis depois do registro

Renan Santos e Aroldo Medina apresentaram o pedido de registro em 7 de agosto. Na ocasião, a chapa informou apenas um site e uma conta na rede social X como canais oficiais de campanha.

Em 19 de agosto, os candidatos enviaram uma complementação ao TSE com 18 perfis em redes sociais. Para Toffoli, a demora em apresentar as contas pode ter permitido que parte da campanha digital circulasse fora dos mecanismos de fiscalização aplicados aos perfis oficialmente declarados.

O ministro classificou o episódio como uma possível “omissão estratégica”. Segundo ele, a entrega tardia das informações não deve ser tratada como uma simples correção documental porque a campanha eleitoral é curta e as redes sociais distribuem conteúdo de maneira contínua para grandes públicos.

Toffoli já havia retirado de pauta o julgamento do registro da candidatura durante o fim de semana, após apontar indícios de possíveis irregularidades. A nova decisão aplica restrições enquanto o mérito do pedido permanece em análise.

Renan atribuiu atraso a problema no sistema

Antes da divulgação da nova decisão, Renan negou irregularidade e afirmou que os perfis foram informados à Justiça Eleitoral. O candidato atribuiu a apresentação posterior das contas a um problema no sistema do TSE e disse que manteria a candidatura.

Renan também declarou que sua campanha não utiliza recursos dos fundos partidário e eleitoral, sendo financiada por doações privadas e arrecadação coletiva. A suspensão, no entanto, impede eventual repasse enquanto a ordem estiver em vigor.

Até a última atualização, Renan Santos não havia se manifestado publicamente sobre a decisão divulgada nesta segunda-feira. O candidato convocou uma entrevista coletiva para a tarde em São Paulo.