A eleição interna que reconduziu o ex-vereador de Natal Milklei Leite à presidência estadual do PV no Rio Grande do Norte provocou uma crise na legenda, com risco de esvaziamento e possível intervenção da Executiva Nacional. Os deputados estaduais Hermano Morais e Eudiane Macedo pediram a anulação do pleito e a nomeação de uma comissão provisória, alegando que não foram notificados formalmente para participar da votação.
“Todos sabiam da eleição. Foi publicada em edital, conforme manda o estatuto. Houve falha, sim — não enviamos ofício aos votantes, como prevê o estatuto estadual. Mas todos foram informados e convidados. Ninguém foi impedido de participar”, rebateu Milklei, em entrevista à 98 FM nesta segunda-feira. Segundo ele, os convites foram feitos por WhatsApp, inclusive para a inauguração da nova sede do partido, na Zona Norte de Natal, onde a votação foi realizada.

Milklei afirmou que a disputa revela uma luta por espaço dentro da legenda, que, segundo ele, cresceu significativamente sob sua liderança. “Quando assumi, o PV só tinha seis vereadores. Agora temos 36 e 30 diretórios no Estado. Mas, quando não tinha nada, ninguém queria. Agora que o partido cresceu, todo mundo quer espaço”, emendou.
A crise também envolve antigos atritos com a deputada Eudiane Macedo, que, segundo ele, chegou a pedir desfiliação antes da campanha eleitoral de 2024. “Ela pediu desfiliação várias vezes. Fizemos um gesto para que permanecesse, mas depois passou a apoiar nosso opositor, o atual prefeito de Natal, Paulinho Freire (União). Isso causou um racha interno”, disse.
Outro ponto de tensão foi a filiação do vereador Tarcio Macedo, marido de Eudiane, feita diretamente pela direção nacional, sem passar pelo diretório municipal. “Ele entrou pela porta dos fundos.
Conversamos diversas vezes, e não houve, em nenhum momento, pedido formal de filiação. Foi feita de forma arbitrária. Só descobrimos a filiação dele um ano depois. Quando consultamos o TSE, ele aparecia como filiado ao União Brasil e ao PV ao mesmo tempo”.
Segundo Milklei, apesar do veto inicial, a situação foi regularizada. “Conciliamos e eu mesmo fiz a filiação dele. Mas, no dia seguinte à entrada do vereador Herberth Sena no partido, Tarcio ligou para mim e pediu desfiliação. Ele não teve coragem de disputar com o vereador que tinha mais votos”.
Ele confirmou que a Executiva Nacional do PV está avaliando o processo eleitoral interno no RN. “Se a nacional não validar a eleição, vamos refazer o processo sem problema. Estamos prontos para corrigir qualquer erro”, garantiu.
O presidente do PV no RN também afirmou que há um convite formal da legenda — tanto da Executiva Nacional quanto da direção estadual — para que o deputado estadual Hermano Morais dispute uma vaga de deputado federal em 2026. O diálogo, segundo ele, começou antes mesmo da eleição interna do partido.
“Houve esse diálogo lá atrás. Já havia um pedido da Nacional para que Hermano fosse o candidato federal do PV, e toda a nossa direção concorda com isso. Ele tem o nosso apoio”, afirmou. Segundo Milklei, o convite foi reforçado pessoalmente no último dia 17, durante evento no Instituto de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente (Idema).
Hermano ainda não deu resposta definitiva. “Ele disse que vai pensar, que está dialogando. Houve um desentendimento após a eleição, mas isso é um conflito pequeno, que dá para resolver com diálogo. Hermano é um político com muita experiência e equilíbrio”, disse.
Milklei também confirmou que será candidato a deputado estadual. “Coloquei meu nome à disposição do partido. Já sou deputado estadual e temos uma boa chance de contribuir ainda mais com o PV”, finalizou.