A Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, decidiu nesta terça-feira 3 delegar ao deputado estadual Kleber Rodrigues (PP) a responsabilidade de coordenar as negociações do grupo para a eleição da próxima Mesa Diretora da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte.
A decisão foi tomada durante reunião realizada pela manhã, na sede do União Brasil, em Natal, e anunciada pelo ex-senador José Agripino Maia, presidente da federação no Estado, por meio de uma nota publicada em sua página no Instagram.

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O movimento ocorre em meio às articulações para a sucessão do deputado Ezequiel Ferreira (PSDB) na presidência da Assembleia. A deputada estadual Cristiane Dantas (PSDB) é um dos nomes mais cotados para assumir o comando da Casa no biênio 2027-2028, em uma negociação que envolve aliados do governador eleito Cadu Xavier (PT) e parlamentares de diferentes partidos.
A definição da posição da União Progressista é considerada importante porque o grupo reúne seis dos 24 deputados estaduais da próxima legislatura.
Segundo a nota divulgada por Agripino, participaram da reunião o deputado federal João Maia (PP) e os deputados estaduais Kleber Rodrigues, Neilton Diógenes (PP), Nélter Queiroz (PP), Júlio César (PP) e Cinthia de Allyson (União). Também esteve presente Bibiano, eleito pelo MDB, mas identificado no comunicado como integrante do grupo político.
O deputado federal Benes Leocádio (União), que estava ausente de Natal, delegou seu poder de decisão a José Agripino. Já o deputado estadual eleito Robson Carvalho (União) foi representado por seu chefe de gabinete.
De acordo com o comunicado, os participantes decidiram, ao declarar a unidade do grupo, atribuir a Kleber Rodrigues a condução dos entendimentos sobre a escolha da Mesa Diretora.
“A decisão reafirma o compromisso do grupo com o diálogo, a construção de consensos e o fortalecimento institucional da Assembleia Legislativa do RN”, afirma a nota.
Grupo pode definir eleição
A escolha de Kleber como interlocutor ocorre em um momento em que os principais grupos políticos tentam reunir os votos necessários para eleger o próximo presidente da Assembleia. A votação está prevista para 1º de fevereiro de 2027, quando os deputados eleitos tomarão posse.
A próxima legislatura terá 24 parlamentares. Para vencer a disputa no primeiro escrutínio, um candidato precisará reunir pelo menos 13 votos, número correspondente à maioria absoluta da Casa.
O governador eleito Cadu Xavier (PT) já anunciou que pretende formar uma base de sustentação com 16 deputados estaduais. Na semana passada, ele afirmou que um grupo desse tamanho teria condições de definir o comando do Legislativo. “Se a gente formar um grupo de 16 deputados, que é a minha intenção, esse grupo vai eleger o presidente da Assembleia ou a presidente da Assembleia”, declarou Cadu.
Inicialmente, o campo político alinhado ao governador eleito reúne sete parlamentares da federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB, além dos três deputados do PSDB: Ezequiel Ferreira, Cristiane Dantas e Gustavo Soares. São dez representantes, número insuficiente para assegurar sozinho a eleição da Mesa Diretora.
Nesse cenário, a posição dos deputados da União Progressista e de Bibiano pode ser decisiva. Kleber Rodrigues, Neilton Diógenes, Nélter Queiroz, Júlio César e Bibiano aparecem entre os parlamentares que podem ser procurados pelo futuro governo para ampliar sua base. Por outro lado, Cinthia de Allyson e Robson Carvalho foram eleitos pelo União Brasil, partido do candidato derrotado ao governo Allyson Bezerra.
A decisão de centralizar as conversas em Kleber Rodrigues permite que os integrantes do grupo negociem conjuntamente, embora não signifique, necessariamente, que todos votarão no mesmo candidato quando ocorrer a eleição. Apesar de ter apoiado Allyson, Kleber Rodrigues integra atualmente a base da governadora Fátima Bezerra (PT).
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Cristiane articula sucessão de Ezequiel
As negociações para a presidência da Assembleia ganharam força depois da vitória de Cadu Xavier no segundo turno. Cristiane Dantas passou a ser apontada como uma das principais alternativas para comandar a Casa, em uma articulação que conta com a participação do atual presidente, Ezequiel Ferreira, e do ex-vice-governador Fábio Dantas, marido da deputada.
Uma das possibilidades discutidas nos bastidores prevê que Cristiane assuma a presidência no biênio 2027-2028, com Ezequiel retornando ao cargo nos dois anos seguintes. A composição ainda depende de entendimentos entre os parlamentares e não foi formalmente anunciada.
O grupo político de Cristiane e Fábio Dantas, assim como Ezequiel, apoiou Álvaro Dias (PL) no primeiro turno das eleições estaduais, mas aderiu à candidatura de Cadu no segundo. A aproximação abriu espaço para negociações sobre a composição da futura base governista e a sucessão no Legislativo.
Cadu tem evitado anunciar publicamente um candidato à presidência da Assembleia. Na semana passada, reconheceu o papel de Ezequiel em sua eleição, mas ressaltou que a definição do comando da Casa cabe aos deputados. “Essa pauta da eleição legislativa é uma pauta deles, dos parlamentares”, afirmou. “Claro que nós temos interesse. A gente quer a governabilidade.”
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