Um dos cinco deputados a votarem contra o pacote fiscal do Governo do RN, Hermano Morais (PMDB) defende que o poder executivo estadual deveria ter tomado outras medidas diante da crise que atinge o estado potiguar. Entre elas, o parlamentar computa um maior combate à sonegação fiscal que, segundo Hermano, impõe um prejuízo anual da ordem de R$ 1 bilhão aos cofres do Rio Grande do Norte.
“Há um mal exemplo vindo do governo federal, uma má gestão da economia do país, que o nosso estado está também fazendo o mesmo, que é colocar para a população uma maior carga tributária. Já temos a maior carga tributária do mundo, estimada em 37%. O governo espera com esse aumento conseguir algo em torno de R$ 400 milhões, mas isso daria para equilibrar apenas uma parte do seu déficit fiscal”, afirma o deputado Hermano.

Na opinião do parlamentar, para que seja exigido um maior sacrifício da população é preciso, antes de tudo, dar exemplo. “O governo precisa fazer o seu dever de casa. O governador Robinson Faria foi eleito numa posição muito favorável, numa posição ímpar para promover as mudanças que ele prometeu em praça pública. Ele teve uma bela eleição e teve a oportunidade de já no início do mandato implantar medidas que reformulassem a gestão do Estado, tornando-o mais moderno, e também promovendo os ajustes necessários, pois já se vivia um momento de crise. Isso foi feito de maneira muito tímida”, pontuou.
O parlamentar critica o uso excessivo dos recursos do Fundo Previdenciário por parte do Governo. “A Assembleia aprovou no ano passado o uso desses recursos para evitar que o novo governo iniciasse o ano não realizando o pagamento de servidores e fornecedores. Estimávamos que estes recursos fossem usados apenas até o mês de abril, depois sendo repostos, mas isso não aconteceu”, revelou.
“O Governo já utilizou mais de 70% desses recursos e pelo andar da carruagem esse dinheiro vai se exaurir e não vemos muitas soluções para isso. Estamos indo para o quarto ano consecutivo de seca que tem agravado ainda mais a situação econômica do nosso estado”, reforçou Hermano Morais.
Outras medidas
“Eu acredito que temos outros caminhos, além desses ajustes fiscais que estão sendo feitos. Tentamos estipular um prazo para a vigência das novas alíquotas dos impostos, mas isso não foi aceito pelo governo, que conseguiu tornar definitivo o aumento, o que sacrifica muito o cidadão potiguar. O Rio Grande do Norte apresenta ainda um dos maiores índices de desemprego. Precisamos combater a sonegação. Para se ter uma ideia, só os cigarros contrabandeados dão um prejuízo de cerca de R$ 45 milhões ao Estado, mais do que aquilo que se estima arrecadar com o aumento de IPVA. Isso é só um exemplo, pois a sonegação acontece em outros setores. Precisamos ter projetos mais ousados. Hoje, o grande projeto que temos é a possibilidade da instalação do Hub da TAM. Esperamos vencer essa parada”, finalizou o deputado peemedebista.