A jovem de 18 anos esfaqueada no pescoço pelo namorado na madrugada de 26 de outubro, em Umarizal, no Oeste potiguar, deixou a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e se recupera em enfermaria. Segundo a advogada da família, Helena Belmont, Clara Thaís Silva Maia foi extubada na semana passada e já se alimenta, se comunica e caminha. Nesta segunda-feira, 2 de novembro, a advogada pediu à Justiça do Rio Grande do Norte medidas protetivas de urgência para a jovem e para os parentes que moram com ela.
De acordo com a advogada, o pedido busca estender a proteção à família porque o trauma do ataque ainda afeta a vítima e os parentes. Clara passou por cirurgia no Hospital Regional Dr. Cleodon Carlos de Andrade, em Pau dos Ferros, e ficou internada na UTI depois do atendimento inicial. A transferência para a enfermaria ocorreu na sexta-feira 30, segundo informações divulgadas pela família. O hospital e a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) não divulgaram boletim médico sobre a paciente.

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O suspeito é o namorado da jovem, Eduardo Ronald Ferreira, também de 18 anos. Ele foi preso em flagrante logo após a agressão e, na terça-feira 27, teve a prisão convertida em preventiva em audiência de custódia. Na delegacia, permaneceu em silêncio durante o depoimento, segundo a Polícia Civil. O nome do advogado dele não foi divulgado.
Investigação
A Polícia Civil registrou o caso como tentativa de feminicídio. A corporação informou, logo após o crime, que não havia confirmação de que a agressão tivesse motivação política, e a hipótese segue sob investigação. Entre as diligências previstas estão a análise de mensagens dos celulares, a verificação de imagens de câmeras de segurança e a coleta de depoimentos de pessoas próximas ao casal. A vítima ainda não havia sido ouvida por causa da gravidade dos ferimentos.
A suspeita de motivação política foi levantada pela família e pela advogada. Segundo Helena Belmont, Clara comemorou a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na noite do segundo turno, enquanto o namorado apoiava o candidato derrotado, Flávio Bolsonaro (PL). A advogada afirma que divergências eleitorais já haviam provocado discussões entre os dois, que namoravam havia cerca de seis meses. Essa versão não foi confirmada pela polícia.
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O ataque
A agressão ocorreu por volta das 2 horas de segunda-feira 26, poucas horas depois da divulgação do resultado da eleição presidencial, na casa da mãe do namorado, em Umarizal. Vizinhos e familiares relataram ter ouvido a discussão. A jovem mora na comunidade de Várzea Grande, na zona rural de Lucrécia, e passava o fim de semana na cidade vizinha.
Clara recebeu os primeiros atendimentos no hospital de Umarizal e foi levada em seguida a Pau dos Ferros, onde passou pela cirurgia. A família acompanhou a recuperação desde os primeiros dias de internação.
Próximos passos
O pedido de medidas protetivas será analisado pela Justiça. O inquérito da Polícia Civil deve definir se houve tentativa de feminicídio e qual foi a motivação do crime. Desde a Lei nº 14.994, de 2024, o feminicídio é crime autônomo no Código Penal, com pena de 20 a 40 anos de prisão quando consumado; na forma tentada, a pena é reduzida. A tipificação final depende da conclusão do inquérito, da denúncia do Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) e da decisão judicial.
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