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Levantamento

Enfrentamento da mudança do clima em Natal esbarra na falta de financiamento

Levantamento do TCE-RN aponta dificuldades para executar e monitorar ações, integrar secretarias e identificar os recursos destinados ao enfrentamento das mudanças do clima
Agora RN
18/08/2026 | 01:32

Natal avançou na criação de leis, planos e estruturas administrativas voltadas ao enfrentamento das mudanças climáticas, mas ainda apresenta dificuldades para financiar, executar e acompanhar as medidas previstas. A conclusão consta em levantamento realizado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-RN) sobre a capacidade institucional do município para responder aos efeitos do clima.

O financiamento foi identificado como o ponto mais crítico. Segundo o relatório, a Prefeitura não possui mecanismos específicos para rastrear os gastos relacionados às políticas climáticas, enfrenta dificuldades para captar recursos externos e ainda não estruturou instrumentos capazes de mobilizar investimentos privados.

Vista aérea de Natal usada em levantamento sobre mudanças climáticas
Entre os principais riscos enfrentados pela capital potiguar estão chuvas intensas, alagamentos e ondas de calor — Foto: José Aldenir/Agora RN

O TCE-RN também não encontrou mecanismos de transparência que permitam acompanhar com clareza os valores investidos na área. Outra fragilidade é a ausência de critérios específicos de sustentabilidade nas contratações públicas municipais.

Na avaliação do tribunal, Natal está em uma fase de transição entre a formulação e a implementação de sua política climática. O município já dispõe de instrumentos normativos, metas e órgãos dedicados ao tema, mas precisa transformar o planejamento em ações integradas, monitoradas e efetivamente executadas.

O levantamento foi realizado com base na metodologia do Painel ClimaBrasil, iniciativa coordenada pelo Tribunal de Contas da União (TCU). O trabalho examinou a governança, o financiamento e a implementação das políticas municipais relacionadas às mudanças climáticas.

Entre os principais riscos enfrentados pela capital potiguar estão chuvas intensas, alagamentos, inundações, deslizamentos, erosão costeira e ondas de calor. Os impactos tendem a ser maiores nas áreas social e ambientalmente vulneráveis, como Mãe Luíza, Passo da Pátria, Felipe Camarão, Cidade Nova, Igapó, Rio Doce e a região costeira de Ponta Negra.

A governança foi o eixo com o melhor desempenho na avaliação. O TCE destacou a existência de um conjunto estruturado de normas e instrumentos, entre eles o Plano Diretor e o Plano Municipal de Mitigação e Adaptação às Mudanças Climáticas, que está em processo de atualização.

Também foram avaliadas positivamente a existência de uma estrutura específica na Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb) e a atuação da Câmara Municipal por meio de uma comissão temática e da Frente Parlamentar do Clima.

Na gestão de riscos, o relatório reconheceu avanços como a implementação do Plano Municipal de Redução de Riscos, a atualização do Plano de Contingência de Natal e a atuação do Gabinete de Gerenciamento de Crise e do Comitê Municipal de Gestão de Riscos.

Apesar dessa estrutura, o tribunal identificou a necessidade de melhorar a coordenação entre as secretarias, ampliar a participação social e desenvolver mecanismos mais consistentes de monitoramento, transparência e avaliação. A existência de planos, portanto, ainda não se reflete integralmente na execução das políticas.

Natal apresenta resultados mais expressivos nas ações de adaptação e prevenção de riscos do que nas estratégias destinadas a reduzir as emissões de gases de efeito estufa. A cidade já conta com estudos que identificam áreas vulneráveis e orientam medidas preventivas contra alagamentos, inundações e erosão costeira.

O município também elaborou um inventário de emissões com metodologia reconhecida internacionalmente. O documento aponta o transporte como a principal fonte de gases de efeito estufa em Natal, seguido pela energia estacionária, que abrange o consumo energético em imóveis e instalações, e pelo setor de resíduos.

A administração municipal assumiu o compromisso de reduzir as emissões em 50% até 2030 e alcançar a neutralidade de carbono em 2050, em alinhamento ao Acordo de Paris e aos compromissos internacionais firmados pelo Brasil.

Para o TCE-RN, o desafio agora é consolidar e integrar os instrumentos existentes, garantir recursos e acompanhar os resultados. O levantamento deverá orientar o aperfeiçoamento das ações municipais e futuras fiscalizações sobre a efetividade das políticas climáticas em Natal.