A Reuse Second-Hand Shop não é apenas um brechó. Criada há oito anos por Adyha Aby Faraj, de 27 anos, a loja de roupas de segunda mão localizada na Av. Amintas Barros, em Natal, tornou-se um movimento social com impacto direto na vida das pessoas e no meio ambiente. Desde janeiro de 2025 até agora, segundo a própria fundadora, a Reuse evitou o uso de mais de 12 milhões de litros de água, o equivalente a 8,7 milhões de copos descartáveis. Nesse mesmo período, foram comercializadas 4.847 peças, impedindo que 2,5 toneladas de roupas fossem enviadas a aterros sanitários e que 24 toneladas de gás carbônico fossem lançadas na atmosfera.
Adyha começou a empreender aos 15 anos, vendendo roupas por hobby. Aos 18, após enfrentar dificuldades financeiras, passou a comercializar peças do próprio guarda-roupa e das amigas. “Eu vendia por necessidade, mas desde os 11 anos eu já fazia bazar beneficente. Isso sempre esteve em mim: a ideia de ressignificar”, contou. O conceito da Reuse vai além da moda circular. A loja trabalha com consignação, recebe peças de clientes e lojistas e, quando as roupas não são vendidas, destina parte para instituições que atuam com proteção animal ou para pessoas em situação de vulnerabilidade social.

O compromisso com impacto social e ambiental levou Adyha a desenvolver métodos próprios para calcular o efeito positivo das vendas. Com base em médias internacionais, cada peça reaproveitada evita o uso de 2.500 litros de água, emite cerca de 5 kg a menos de gás carbônico e impede a geração de meio quilo de resíduo têxtil. “A gente não está aqui só para vender roupa. É sobre transformar consumo e consciência”, afirmou.
Durante a pandemia, a loja encontrou no acolhimento sensorial e emocional uma nova forma de conexão com o público. “Criamos um cheirinho para abraçar o cliente em casa, mensagens nas sacolas, atendimento humanizado. Todo mundo queria se sentir bem nem que fosse para ir à farmácia”, relembra. O resultado foi um boom nas vendas e o fortalecimento da base de clientes fiéis, em especial entre os mais jovens. “Essa geração já nasce sem pudor de consumir peças reusadas. Ao contrário, eles exigem marcas com propósito.”
Na Reuse, o impacto vai além da vitrine. O espaço realiza mensalmente eventos gratuitos voltados ao público, com rodas de conversa e atividades de engajamento comunitário. “A loja virou um ponto de encontro. A Reuse hoje é um movimento”, disse Adyha. Com o mesmo cuidado, ela também seleciona o tipo de peça que entra no estoque e rechaça a ideia de que, por ser de segunda mão, tudo deve ser barato. “Tem peças que custam mais de mil reais na loja de origem. Não posso vendê-las por 10 ou 20 reais só porque são usadas.”
A empresária considera que o desafio inicial foi romper o preconceito que ainda envolve o brechó. “As pessoas associavam à naftalina, coisa velha. Hoje recebemos relatos de quem só compra second-hand por nossa causa.” Em constante diálogo com o público, a Reuse mantém forte presença nas redes sociais, onde compartilha bastidores, campanhas educativas e dados de impacto. “É uma forma de mostrar que é possível consumir com consciência, sem abrir mão de estilo, e ainda ajudar o planeta e quem mais precisa.”
Quem quiser conhecer ou participar do movimento pode visitar a loja na Amintas Barros, nº 2673, próximo à Rua Jaguarari, ou acessar o perfil no Instagram: @shoppingreuse_underline. Seja para desapegar ou comprar, a proposta é uma só: dar novo significado às roupas e à forma como consumimos.