O Pentágono estuda o envio de até 10 mil soldados adicionais ao Oriente Médio, ampliando o contingente já mobilizado na região e oferecendo ao presidente Donald Trump novas opções militares no conflito contra o Irã. A movimentação ocorre em meio à tentativa de pressionar Teerã a reabrir o Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo global.
Caso confirmado, o reforço se somará aos cerca de 5 mil fuzileiros navais e a milhares de paraquedistas da 82ª Divisão Aerotransportada já deslocados para a região. A localização exata das novas tropas ainda não foi definida, mas análises indicam que elas devem ficar posicionadas de forma a permitir ações diretas contra alvos estratégicos iranianos, incluindo a Ilha de Kharg, principal terminal de exportação de petróleo do país.

A Casa Branca evita detalhar os planos, mas reforça que todas as alternativas permanecem abertas. “O presidente sempre tem todas as opções militares à sua disposição”, afirmou a porta-voz adjunta Anna Kelly.
A intensificação da presença militar alimenta a hipótese de uma nova fase do conflito, com possibilidade de incursões terrestres em território iraniano. Entre os objetivos considerados estão garantir a reabertura do Estreito de Ormuz e neutralizar estoques de urânio altamente enriquecido, em uma operação classificada por analistas como uma das mais complexas e arriscadas das últimas décadas.
O plano em discussão inclui o uso de unidades anfíbias para a tomada de ilhas estratégicas, como Kharg, responsável por cerca de 90% das exportações de petróleo iranianas, além de Qeshm, Kish e a própria ilha de Ormuz. A partir dessas posições, os EUA poderiam interceptar embarcações militares iranianas e proteger o fluxo de petroleiros na região.
Entre os meios já mobilizados está o navio de assalto anfíbio USS Tripoli, acompanhado por outras embarcações e milhares de fuzileiros navais. As unidades embarcadas operam com capacidade integrada de combate terrestre, aéreo e logístico, incluindo caças F-35B, aeronaves MV-22 Osprey, drones e veículos de desembarque — estrutura que permite ataques coordenados a partir do mar contra territórios hostis.
Além disso, forças expedicionárias adicionais, como a 11ª Unidade de Fuzileiros Navais, seguem em deslocamento e podem chegar à região até meados de abril. A estratégia também envolve brigadas de assalto aéreo capazes de atuar em operações rápidas para controle de pontos estratégicos, como pistas de pouso e bases avançadas.
Do lado iraniano, a resposta inclui medidas defensivas e ameaças de retaliação. O Conselho de Defesa do país afirmou que qualquer ataque poderá levar à instalação de minas navais em rotas do Golfo Pérsico — uma tática de baixo custo e alto impacto potencial para interromper o tráfego marítimo.
A escalada militar ocorre paralelamente a sinais ambíguos de negociação. Trump voltou a adiar o prazo para uma possível ofensiva contra a infraestrutura elétrica iraniana, citando avanços em conversas com Teerã. Ainda assim, o aumento do contingente militar sugere preparação para um cenário de prolongamento do conflito.
O Pentágono também prepara um pedido de orçamento suplementar de US$ 200 bilhões ao Congresso para financiar as operações, indicando a dimensão e a complexidade da estratégia em curso.
Com a combinação de pressão militar, risco de bloqueio marítimo e incerteza diplomática, o conflito avança para uma fase mais sensível, com potenciais impactos sobre o abastecimento global de energia e a estabilidade geopolítica no Golfo Pérsico.