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Ciência
UFRN desenvolve larvicida à base de óleo de canela que mata o mosquito da dengue
Farmacêutico foi desenvolvido por um grupo de cientistas do Departamento de Farmácia. Produto está sendo patenteado.
Wilson Galvão/Agir UFRN
10/07/2020 | 08:34

Um grupo de cientistas da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) desenvolveu uma nova tecnologia para o combate ao Aedes aegypti. Em fase de testes, o produto farmacêutico é uma formulação que contém uma substância sintetizada com base em um produto natural presente no óleo de canela e que pode ser utilizada em diferentes formas, líquida ou sólida.

Um dos inventores envolvidos, o professor Leandro De Santis Ferreira, pontuou que o produto tem facilidades relativas à possibilidade de aplicação do produto diretamente no mosquito na forma de spray, ou mesmo ser utilizado nos carros “fumacê”, como também para eliminar larvas em ralos e pratos de plantas sendo que a forma sólida tem vantagem no transporte, armazenamento e maior prazo de validade.

“O produto possui tanto atividade larvicida, contra as larvas do mosquito, durante a etapa do seu desenvolvimento, bem como atividade inseticida, contra o mosquito na fase adulta. Assim, conseguimos desenvolver formulações com diferentes formas, líquidas e sólidas, que permitem uma aplicação mais eficaz de uma substância derivada de um produto natural, que possui atividade em diferentes estágios de desenvolvimento do vetor de diversas doenças graves. Além disso, o desenvolvimento das formulações pode prolongar a ação da substância. A substância possui atividade em larvas e no próprio mosquito adulto, em um cenário em que as substâncias comumente utilizadas ou apresentam toxicidade para o meio-ambiente ou já selecionaram os mosquitos resistentes e não são mais tão eficazes”, explicou Leandro De Santis.

O Aedes aegypti é vetor de diversas doenças endêmicas do nosso país como Dengue, Zika e Chikungunya. Segundo o Ministério da Saúde, até o final de maio deste ano, já foram notificados no Brasil quase 800 mil casos de dengue, 35 mil de Chikungunya e mais de três mil notificações de Zika.

“A forma mais eficaz de combater estas doenças é controlar o mosquito responsável pela transmissão de todas estas doenças, uma vez que o processo para o desenvolvimento de medicamentos eficazes e vacinas é demorado e caro”, afirmou Addison Ribeiro de Almeida, servidor técnico-administrativo da UFRN que também integra o grupo de cientistas.

Além dos dois, completam a equipe envolvida, Waldenice de Alencar Morais Lima, Cícero Flávio Soares Aragão, Wilken Cesar Galdencio da Silva, Damião Pergentino de Sousa, Lorena Carneiro Albernaz e Laila Salmen Espindola. O estudo é vinculado ao Programa de Pós-graduação em Ciências Farmacêuticas (PpgCF) da UFRN e rendeu um depósito de pedido de patente, denominado “Formulações líquidas e sólidas contendo cinamato de pentila, processo de obtenção e uso das mesmas para o controle de insetos hematófagos”, com co-titularidade dividida entre a UFRN, a Universidade Federal da Paraíba e a Universidade de Brasília.

O depósito do pedido desta patente passa a integrar o portfólio de ofertas tecnológicas da UFRN, disponível para acesso em www.agir.ufrn.br. Foto: Reprodução/Portal da UFRN

“É relevante destacar que o patenteamento foi importante para a formação de recursos humanos na área de farmácia, contribuindo com a formação acadêmica de um servidor da UFRN, o qual concluiu mestrado defendendo dissertação de mestrado em 2020, com a formação de um aluno de graduação que realizou iniciação científica e defendeu trabalho de conclusão de curso de farmácia, além da formação científica de outros dois alunos do curso de graduação de farmácia que realizam iniciação científica neste projeto”, relatou Leandro De Santis.

Para a também professora do Departamento de Farmácia da UFRN, Waldenice de Alencar Morais Lima, esse processo de patenteamento apresenta relevância acadêmica por permitir a proteção da tecnologia desenvolvida no projeto, bem como a possibilidade de retorno à Universidade e sociedade por todo o suporte e investimento fornecido.

Por sua vez, o professor Cícero Flávio Soares Aragão acrescentou que “o patenteamento e a posterior publicação dos resultados em artigo científico de alto impacto, além de participação em eventos e em outros meios de divulgação, podem despertar o interesse de empresas para continuidade de estudos visando a futura comercialização do produto”.

As próximas fases de desenvolvimento do produto objeto do pedido de patente são estudos em um processo de produção em maior escala, ou seja, que garanta a atividade da substância e ausência de toxicidade quando produzido e utilizado em quantidades maiores o que é necessário quando se pensa em produção para a comercialização do produto.

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