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Ciência
Medicamento fitoterápico à base de babosa gera novo pedido de patente por pesquisadores da UFRN
Medicamento estudado pela universidade tem propriedades terapêuticas cicatrizantes e anti-inflamatórias
Redação
16/06/2020 | 16:01

Um novo medicamento fitoterápico para aplicação tópica na pele, na forma de hidrogel, é a mais nova descoberta científica de inovação desenvolvido dentro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). A substância tem na planta Aloe vera – conhecida como babosa – o principal elemento, haja vista as propriedades terapêuticas cicatrizantes e anti-inflamatórias da planta.

Um dos cientistas envolvidos no estudo, Túlio Flávio Accioly de Lima e Moura explica que o medicamento foi desenvolvido para pacientes com psoríase, enfermidade que acomete mais de 5 milhões de brasileiros, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia. De acordo com a mesma organização, a estimativa é que de 1 a 3% da população mundial apresente a doença, ou seja, mais de 125 milhões de pessoas.

“A babosa é uma planta de uso milenar muito utilizada na indústria cosmética, alimentícia e farmacêutica. Atualmente, consta da lista de medicamentos do componente básico da assistência farmacêutica da Relação Nacional de Medicamentos (Rename) no âmbito do SUS, na forma farmacêutica gel ou creme que possuam na sua composição o gel fresco da planta. Contudo, atualmente não há medicamentos fitoterápicos de Aloe vera registrados na ANVISA e, consequentemente, não há produtos disponíveis no mercado nacional”, frisou o professor do Departamento de Farmácia da UFRN.

Ao lado de Silvana Teresa Lacerda Jales, docente da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Túlio Moura realizou o pedido de patente da nova medicação, sob o título “Método de produção de hidrogel de babosa e carbopol para tratamento de psoríase”, a partir de pesquisa oriunda do Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento e Inovação Tecnológica em Medicamentos, doutorado em associação entre a UFRN, UFPB, Universidade Federal do Ceará (UFC) e Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFPE).

Silvana Jales pontuou que o fato do hidrogel utilizar a babosa é um diferencial, pois a planta já possui monografia na Farmacopeia Brasileira, faz parte da lista de Denominação Comum Brasileira (DCB) e está inserida no mercado de fornecimento ao SUS, sendo esta umas das vantagens de registro junto a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Com relação à produção propriamente dita do hidrogel, os pesquisadores colocam o Nuplam como um dos possíveis responsáveis, já que é um laboratório oficial que possui instalações fabris adequadas às boas práticas de fabricação, faz parte da Associação dos Laboratórios Oficiais do Brasil (Alfob) e pertence à UFRN, instituição cotitular do invento junto com a UFPB.

Para o diretor da Agência de Inovação (AGIR), Daniel de Lima Pontes, este depósito de pedido de patente é um exemplo de criação de produtos e processos que ajudam no desenvolvimento econômico do país e regional. “É também uma espécie de utilização dos resultados encontrados nas pesquisas científicas que geram produtos que atendem à demanda de um mercado específico, um mercado grande. Na UFRN, temos uma vitrine tecnológica com mais de 200 pedidos de patente que podem ser fruto de parcerias publico-privadas, por exemplo, na qual os investidores podem ter vários benefícios ao associar-se à universidade, como o know-how e a expertise que nós detemos em vários âmbitos”, afirmou Daniel Pontes.

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