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Iniciativa
Iniciativa de mãe potiguar leva “laço do autismo” ao sistema de metrô de São Paulo
Dificuldade vivida pela médica Rochele Barbalho, mãe de um garoto autista, sensibilizou o metrô de São Paulo, que vai sinalizar os assentos preferenciais
Redação
23/01/2020 | 11:49

Assim como fizeram as empresas de ônibus associadas ao sistema de transporte público de Natal (SETURN), que sinalizou os ônibus da capital potiguar com informações sobre o direito dos autistas ao assento preferencial, o Metrô de São Paulo também vai sinalizar seus veículos, aderindo ao laço estampado com o quebra-cabeça colorido – símbolo do Transtorno do Espectro Autista (TEA).

O objetivo é indicar prioridade para pessoas com autismo. Isso, graças à iniciativa da médica potiguar Rochele Barbalho, mãe de Alberto, um estudante autista de 13 anos, cuja família enfrentou dificuldades devido à falta de informação sobre o direito ao assento prioritário do autista no metrô de São Paulo, durante uma viagem de férias, em novembro.

Rochele contou que estava dentro do metrô com o marido e o filho, que portava um crachá com o símbolo do autismo, além do ‘cordão de girassol’ (criado para ser usado por quem possui deficiência oculta, tendo em vista o bem-estar e a segurança dessas pessoas), quando um passageiro idoso entrou no metrô e abordou o jovem, pedindo que ele se retirasse do assento.

O que o homem não sabia, é que Alberto usufrui do direito ao assento garantido pela Lei Federal nº 12.764/2012, que instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista. “Eu e o meu marido explicamos ao passageiro sobre o autismo e também do direito destes ao assento preferencial”, informou Rochele, que naquel momento percebeu a necessidade de estimular o Metrô de São Paulo a disseminar o conhecimento sobre o assento preferencial no transporte público para os autistas na maior cidade da América Latina.

O laço do autismo está na Lei – na capital do RN, os ônibus atendem à lei municipal nº 6.748/ 2017, que obriga os estabelecimentos públicos e privados no Município do Natal a inserir nas placas de atendimento prioritário o símbolo mundial do autismo. Além disso, o SETURN dissemina informações educativas a fim de informar os passageiros acerca desse direito adquirido.

Experiência vivida

No retorno a Natal, a mãe de Alberto enviou um e-mail ao Metrô de São Paulo, relatando a experiência vivida pela família, citando a Lei nº 12.764 e sugerindo a sinalização por meio de campanhas informativas e o uso do laço com quebra-cabeça nos metrôs paulistanos. A fita colorida tem função educativa para o público e traz segurança para o autista, além de poupar constrangimentos indevidos a essas pessoas, como foi no caso enfrentado pela família.

A expectativa de Rochele era que a fita fosse inserida em toda a sinalização do uso preferencial, tal como ocorre em Natal. “É importante o reconhecimento do SETURN sobre o autismo como deficiência, para assim garantir o direito das pessoas com o TEA. A percepção das mães que andam de ônibus foi imediata.”, relatou a mãe de Alberto acerca da sinalização sobre o autismo no transporte público coletivo da capital.

Médica potiguar Rochele Barbalho, mãe de Alberto, sensibilizou o sistema de metrô da maior cidade do país / Foto: Divulgação

Metrô de São Paulo vai aderir ao laço com quebra-cabeça

No dia 3 de janeiro, veio a notícia que era aguardada com esperança: o Metrô de São Paulo, por meio do Serviço Estadual de Informações ao Cidadão (SIC/SP), enviou um e-mail à Rochele, informando que providenciará a substituição de toda a sua comunicação visual de uso preferencial visando a inclusão do “laço com o quebra-cabeça”.

A mãe de Alberto comemorou e divulgou a notícia para os grupos de familiares e também nas redes sociais que militam em prol dos autistas. “Vale a pena reclamar, exigir, espernear!”, escreveu Rochele em mensagem enviada aos grupos. “Quanto mais esse laço constar nos locais, mais pessoas vão saber e conhecer”.

A vitória deu ânimo para que a luta pelo laço colorido continue. “Muitas lojas em Natal ainda não têm o laço. Quanto mais pessoas reclamarem seus direitos, maior conscientização. É uma luta incansável e diária”, destacou Rochele.

Um olhar para incluir e cuidar

Para ampliar o acesso a mais conhecimentos sobre o TEA, o SETURN e o NatalCard incluíram o tema do Dia do Orgulho Autista, celebrado em junho, no Calendário 2020, com informações de utilidade pública sobre o autismo. Assim como outras temáticas, o autismo será promovido em ações de responsabilidade social desenvolvidas ao longo do ano pelo SETURN e o NatalCard.

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