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Desistência
IBGE aponta que 178 mil pessoas estão “desalentadas” no Estado
Outro dado é o da subutilização da força de trabalho que, no RN, atinge 35,4%, ou seja, 365 mil pessoas estão desocupadas ou subutilizadas
Redação
20/09/2018 | 09:16

A desesperança na hora de encontrar um emprego fez com que 178 mil potiguares desistissem de procurar trabalho no Estado. Esses números correspondem ao 2º trimestre de 2018 e registram um aumento de 22,76% com relação ao mesmo período do ano passado. Os dados são da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

As pessoas que não estão mais à procura de um serviço são chamadas de desalentadas e classificadas como fora da força de trabalho. De acordo com o especialista em economia do trabalho, William Eufrásio Pereira, o aumento desses índices pode distorcer as taxas de desemprego. “A taxa de desalento chega a ser pior do que a de desocupados, visto que essas pessoas saem do mercado de trabalho pela incapacidade do empresariado de absorver essas pessoas. Isso gera um falso dado de que o desemprego não está crescendo”, explicou.

Mais de 201 mil pessoas estão desempregadas no Rio Grande do Norte, o que corresponde a 13,1% da população potiguar. Outro dado preocupante registrado na pesquisa é o da subutilização da força de trabalho que, aqui no estado, atinge 35,4%. Ou seja, cerca de 365 mil pessoas estão desocupadas ou estão subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas.

Esse tipo de situação pode afetar diretamente a economia do estado, mas, segundo o economista, a população é quem mais sofre. “É uma situação extremamente perversa para a classe trabalhadora. Alguns apresentam fobias, depressão e tendências suicidas. Fruto, em grande parte, das políticas econômicas adotadas e dessa reforma trabalhista, que gerou ainda mais precarização no mercado de trabalho”, ele afirma.

Rosilene Moreira, de 35 anos, é uma entre os milhares de potiguares que desistiram de procurar emprego. Desempregada há pouco mais de um ano, a ex-assistente administrativa é portadora de fibromialgia e precisou sair do emprego para cuidar das dores causadas pela doença. “Sinto muitas dores no corpo e em situação de estresse e pressão esse quadro piora, o que acontece com alguém que procura emprego”, disse.

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