BUSCAR
BUSCAR
Psicologia
Casos de estresse, ansiedade e depressão aumentam com o isolamento, diz pesquisa
Problemas de saúde mental estão aumentando em escala preocupante durante a pandemia do novo coronavírus e o isolamento social; psicólogos no Rio Grande do Norte criaram ferramentas de acolhimento e atendimento gratuito
Redação
08/06/2020 | 06:00

A pandemia causada pela Covid-19 fez o mundo buscar novas alternativas para atividades diárias, como trabalho e estudo. Mas, como todo processo de mudança, a modificação repentina da rotina lançou luz sobre os desafios de manter a saúde mental em tempos difíceis, como o vivenciado atualmente.

Segundo pesquisa da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), os problemas de saúde mental estão aumentando em escala preocupante durante a pandemia do novo coronavírus e o isolamento social. O estudo ouviu pessoas de 23 estados entre os meses de março e abril. O levantamento aponta que os casos de depressão quase dobraram e os de ansiedade e estresse tiveram um aumento de 80%.

“Estamos como que em um quarto que está com a luz apagada e não temos por quem chamar”, compara a psicóloga potiguar Malu Nunes. Ela explica que a pandemia espelha lacunas que as pessoas já tinha antes da pandemia. “Quem sabia lidar com as frustrações antes deste acontecimento, está conseguindo enfrentar o momento com maior tranquilidade”, comenta.

A psicóloga detalha que a vida possui variações inerentes de altos e baixos, mas “para quem já tinha traumas, a confiança que este momento exige é confrontada e, por efeito, o sofrimento aumenta”.

O exemplo do quarto escuro dado por Malu Nunes faz alusão ao confinamento domiciliar, adotado como medida preventiva ao novo coronavírus. “Às vezes estamos em casa com uma pessoa que não nos acolhe, mesmo sendo um pai, uma mãe ou uma irmã, por exemplo. Mas só conseguimos o suporte necessário com um amigo, que não está mais lá para ajudar, pois o cotidiano o retirou”, detalha.

A profissional aconselha adotar estratégias de enfrentamento no momento de solidão e angustia. “É importante se presentear com autocuidados, como ler um livro, hidratar o cabelo ou fazer uma chamada de vídeo para quem gosta. Isso nos proporciona passar por este período com maior facilidade e nos aproxima de sentimentos agradáveis”, sugere.

A psicóloga pontua que a atual crise sanitária faz parte de um ciclo e, assim como os demais que compõe a existência, será encerrado em algum momento. “Assim como fazemos uma retrospectiva no fim de ano, devemos analisar tudo que estamos vivendo neste período, separando o joio do trigo. Avaliar a qualidade dos relacionamentos, atividades e objetivos nos ajuda a sair deste ciclo mais preparados”, diz.

Malu Nunes recomenda uma dinâmica para auxiliar neste processo de autoavaliação. “Divida uma folha ao meio. Em um lado coloque ‘apesar de’ e no outro, ‘por causa de’. Por meio desse exercício, a pessoa consegue avaliar o que está sendo mais dispendioso, ou que ainda faz sentido nas suas relações ou no seu trabalho e a partir daí rever alguns comportamentos ou toma novas decisões de possíveis mudanças”, ilustra.

No perfil de Malu (@psicologamalununes) no Instagram é possível encontrar outras dicas como a apresentada.

A definição de uma rotina é outra ação que ajuda a vivenciar melhor este período de pandemia, segundo a psicóloga. Malu marca que uma quebra de rotina, como dormir mais durante o dia e passar a madrugada acordado, pode evidenciar uma fuga para não sentir o momento de angústia.

Ela recomenda que, apesar da suspensão de algumas tarefas, é necessário definir uma rotina, separar um ambiente para o trabalho home office, uma pausa durante a jornada de trabalho e atividades nos horários livres, principalmente finais de semana, para esclarecer que a vida continua mesmo com o ritmo diferente.

Com o avanço do vírus no Brasil e, por consequência, da necessidade de manter o isolamento social, o Conselho Regional de Psicologia do Rio Grande do Norte informou que teve um aumento na procura por atendimento psicológico desde que a pandemia chegou ao estado, oficialmente em março, mas não há balanço do quantitativo.

Para ajudar no suporte emocional, o psicólogo potiguar Igor Andrade criou uma corrente de psicólogos para prestar serviço de acolhimento gratuito. Para agendar o contato com algum dos profissionais voluntários basta acessar o perfil @psi_igor no Instagram.

Outra ferramento aliada é o Centro de Valorização da Vida (CVV) que disponibiliza a linha 188 (24 horas e sem custo de ligação) e o chat e o e-mail através do www.cvv.org.br para atendimento psicológico. Nestes canais, são realizados mais de 2 milhões de atendimentos anuais, por aproximadamente 3.400 voluntários, localizados em 24 estados mais o Distrito Federal.

Durante este período de pandemia, pede que “se você se encontra em condições de ajudar, se disponibilize para conversar sem criticar, ofereça carinho, atenção e acolhimento. Aumente a rede de apoio disponível na sociedade que pode ser constituída por profissionais da saúde, entidades especializadas e os cidadãos individualmente”.

Av. Hermes da Fonseca, N° 384 - Petrópolis, Natal/RN - CEP: 59020-000
Redação: (84) 3027-1690
[email protected]
Copyright Grupo Agora RN. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização prévia.