O Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), em Parnamirim, realiza até 19 de setembro a segunda fase da Operação Potiguar, que tem como principal objetivo testar, em condições reais de voo, o sistema de recuperação da Plataforma Suborbital de Microgravidade (PSM-R). A missão prevê o lançamento da plataforma a bordo do foguete de sondagem VS-30 V16.
A Operação Potiguar 2 começou em 31 de agosto e dá continuidade às atividades realizadas em 2024, quando a primeira fase foi dedicada à verificação dos procedimentos e sistemas relacionados ao lançamento. Desta vez, o foco está na qualificação em voo do mecanismo que permitirá recuperar a plataforma depois da missão.

Os dados coletados servirão para avaliar o funcionamento do sistema e apoiar futuras pesquisas realizadas em ambiente de microgravidade. A plataforma foi desenvolvida para transportar experimentos científicos e tecnológicos e retornar com os equipamentos para que os resultados possam ser analisados após o voo.
Subordinado ao Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), da Força Aérea Brasileira (FAB), o CLBI participa da preparação, lançamento, rastreamento e acompanhamento de veículos espaciais.
Inaugurado em 1965, o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno foi o primeiro centro de lançamentos espaciais da América do Sul. A unidade possui sistemas de rastreamento, telemetria e monitoramento utilizados no acompanhamento dos veículos e na coleta de informações.
Ao longo de sua história, o CLBI participou de mais de 400 lançamentos de foguetes e acompanhou mais de 3 mil veículos.
Foguete pode superar 100 km
O VS-30 é um foguete suborbital de um estágio, movido a propelente sólido e desenvolvido pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE). O veículo é lançado por trilho e utiliza estabilização aerodinâmica e por rotação.
O foguete foi projetado para transportar cargas úteis a altitudes superiores a 100 quilômetros, permitindo que experimentos permaneçam em condições de microgravidade durante parte do voo.
Na Operação Potiguar 2, o VS-30 V16 tem aproximadamente nove metros de comprimento, 600 milímetros de diâmetro máximo e massa total estimada em 1,6 mil quilos. A PSM-R, que será transportada pelo veículo, pesa aproximadamente 401 quilos. As simulações utilizadas como referência indicam apogeu próximo de 100 quilômetros e alcance de cerca de 90 quilômetros.
A plataforma reúne os equipamentos necessários ao funcionamento durante o voo e ao retorno. Entre eles estão paraquedas, módulos de experimentos, sistemas de serviço e controle, módulo de gás frio, anéis de balanceamento e um mecanismo chamado “ioiô”, usado para auxiliar na redução da velocidade de rotação antes da separação da carga útil. Durante a missão, as equipes acompanharão os equipamentos por sistemas de telemetria e rastreamento. As informações transmitidas permitirão observar parâmetros do foguete e da plataforma em tempo real e analisar posteriormente o desempenho dos sistemas.
A PSM está relacionada ao Programa Microgravidade da Agência Espacial Brasileira (AEB), responsável por selecionar experimentos científicos e tecnológicos para voos suborbitais e orbitais.
A microgravidade permite desenvolver pesquisas em condições diferentes das encontradas na superfície terrestre. Entre as possibilidades estão estudos relacionados a materiais, fluidos, combustão, biologia, medicamentos e agricultura espacial. A validação da plataforma poderá aumentar as possibilidades de utilização desse tipo de voo pela comunidade científica.
A preparação para o lançamento inclui verificações dos sistemas, análise das condições meteorológicas, treinamento das equipes e monitoramento do foguete durante o voo.
A operação também exige coordenação com os órgãos responsáveis pelo espaço aéreo e marítimo. Eventuais restrições temporárias são comunicadas por meio de NOTAM, aviso direcionado ao setor aeronáutico, e NOTMAR, utilizado para informar os navegantes. Os procedimentos permitem delimitar áreas que podem ter restrições durante a janela de lançamento.
Em comunicado à imprensa, o CLBI afirma que “a segurança é uma prioridade em todas as etapas da Operação Potiguar Fase 2”. “No CLBI, nossas equipes estão preparadas e vêm realizando treinamentos de emergência e exercícios voltados para o lançamento de foguetes, buscando garantir que cada procedimento seja executado de forma segura, coordenada e eficiente”, afirma o centro de lançamentos.