BUSCAR
BUSCAR
Crianças
Atrasos na fala e linguagem devem ser observados o quanto antes, afirma fonoaudióloga
Atraso pode ser causado por uma lesão cerebral (como tumores, infecções ou traumas) ou pode ter origem genética (associada a transtornos neurológicos e do desenvolvimento, como no Autismo, Síndrome de Down)
Redação
29/05/2020 | 17:50

Ao contrário do que muita gente pensa, o desenvolvimento da fala de crianças deve ser observado desde os primeiros meses. É comum os pais não atentarem até o segundo ano de vida, na crença de que o filho terá o seu próprio tempo, mas estudos mais recentes mostram que já é possível detectar sinais precoces de atraso na fala antes mesmo do primeiro ano.

A Apraxia de Fala da Infância (AFI) pode ser causada por uma lesão cerebral (como tumores, infecções ou traumas) ou pode ter origem genética (associada a transtornos neurológicos e do desenvolvimento, como no Autismo, Síndrome de Down etc.). Mas na maioria dos casos ela não apresenta causa específica definida.

De acordo com a coordenadora de Fonoaudiologia do Núcleo Desenvolve, Maria Tereza Freitas, é importante que a criança diagnosticada com AFI ou outros transtornos motores de fala sejam submetidas a uma avaliação completa. “Além da avaliação motora de fala, deve-se examinar outras áreas da comunicação, pois a maioria das crianças também apresenta atraso na linguagem”, alerta.

“Após o diagnóstico, deverá ser realizado um plano de intervenção baseado nos princípios da aprendizagem motora da fala, ou seja, ensinando à criança a organizar os sons da fala para realizar os movimentos adequados na boca”, explica a fonoaudióloga.

No Núcleo Desenvolve, as intervenções ocorrem de maneira intensiva e na casa da criança, aproveitando as oportunidades de comunicação do dia a dia. Além disso, Maria Tereza pondera que cada criança é única, assim como as dificuldades apresentadas. “O tratamento deve ser planejado de forma individualizada, respeitando as características culturais, desenvolvimento e costumes”.

Como detectar

A fonoaudióloga alerta para alguns sinais que podem indicar distúrbios na fala de forma precoce, mas sempre destacando que somente uma avaliação profissional é eficaz neste sentido:

  • Apresentação ou não de vocalizações/balbucios quando bebê;
  • Emissão de sons antes de começar a falar;
  • Apresentação de coordenação motora oral para se alimentar ou para realizar movimentos na boca;
  • Tendência a manter a boca aberta por muito tempo;
  • Excesso de salivação;
  • Dificuldade em “procurar” os sons para falar;
  • Pronúncia de palavras com estrutura limitada a sílabas;
  • Vocabulário adequado à idade.

“É necessário que os pais observem os sinais e procurem um profissional especialista em Linguagem para uma avaliação o quanto antes, porque esperar não é a melhor atitude”, reforça Maria Tereza. “Pode até não ser possível realizar um diagnóstico precoce, mas o desenvolvimento será monitorado, e os pais serão orientados”.

O apoio em casa

A família tem um papel essencial no tratamento: quando engajada, faz toda a diferença em um melhor prognóstico. “Os exercícios que a criança realiza na terapia deverão ser realizados também em casa, de maneira adaptada, porque o ambiente familiar é uma extensão”, acredita Maria Tereza.

Para ela, é necessário que a criança tenha consciência da sua dificuldade para poder se esforçar e planejar melhor os sons da fala. “Os pais podem ajudar com atitudes que fazem a diferença: oferendo o modelo de fala adequado, conversando sem utilizar diminutivos ou modificar a entonação e dando um feedback auditivo do padrão correto”.

Por fim, a fonoaudióloga frisa que também é muito importante considerar a afetividade no processo. “É preciso encorajar a criança, exaltar as suas potencialidades, exaltar quando pronuncia uma palavra corretamente”, diz.

Sede: Av. Hermes da Fonseca, 384 – Petropolis – Natal – RN – Cep. 59020-000
Telefone: (84) 3027-1690 / 3027-4415
Redação: (84) 98117-5384 - [email protected]
Comercial: (84) 98117-1718 - [email protected]
Copyright Grupo Agora RN. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização prévia.