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Responsabilidade transferida

Abandonada pela prefeitura, praça Sete de Setembro vai ser revitalizada pelo TJRN

Prefeito Carlos Eduardo Alves admitiu que Executivo não tem condições de manter e restaurar espaço; expectativa é que obras sejam concluídas até o fim do ano
Redação
27/07/2017 | 05:10

A reportagem do Agora Jornal esteve in loco no Centro Histórico de Natal em maio para conferir a situação das principais praças do local e constatou que todas elas careciam de diversos cuidados e revitalização por parte da prefeitura de Natal. Uma das praças visitadas foi a Sete de Setembro, também conhecida como Praça dos Três Poderes. Lá, se viu uma situação de descaso que contrastava negativamente com sua locação.

A esperança para a Praça Sete de Setembro, contudo, foi reavivada nesta semana diante do anúncio do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, que tomou para si a responsabilidade de revitalizá-la e garantir uma área de lazer decente para os transeuntes.

Abandonada pela prefeitura, praça Sete de Setembro vai ser revitalizada pelo TJRN - Agora RN

O prefeito Carlos Eduardo Alves (PDT) admitiu que não possui condições de cuidar da praça, uma vez que a prefeitura não possui caixa para tanto. “Administrar a cidade é corresponsabilidade de todos. Não se pode esperar que a prefeitura sozinha e de cofres vazios realize todas as obras”, disse. Caso as obras sejam concluídas até dezembro, o prefeito promete estender as decorações natalinas até a praça e inclui-la no calendário festivo de fim de ano.

Satisfeito com a posição do órgão judiciário, o desembargador Expedito Ferreira elogiou a iniciativa e explicou as vantagens que ela trará para o povo natalense. “O serviço de infraestrutura que será feito é um benefício para a população de Natal em geral, que poderá usufruir de benfeitorias e de mais segurança quando a Praça Sete de Setembro estiver reformada”.

De acordo com o TJRN, a princípio será feito um projeto básico para se poder levantar os custos da revitalização. Por enquanto, há apenas a ideia do pré-projeto arquitetônico. Será necessário também elencar o material a ser utilizado. Deste modo, se chegará ao valor do orçamento que resultará no processo de licitação. A pretensão é que a “adoção” da praça, aprovada por Carlos Eduardo, seja parte das comemorações dos 125 anos de criação do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte.

O projeto de engenharia foi apresentado pela diretora do Departamento de Arquitetura e Engenharia, Kalina Maia. A revitalização vai incluir, dentre outras melhorias, iluminação; troca do piso da praça; aumento no número de bancos e maior arborização com plantas nativas. Além disso, o projeto também deve cuidar do Monumento da Independência e incluir a instalação de uma placa comemorativa dos 125 anos do Tribunal de Justiça.

REALIDADE

A Praça Sete de Setembro possui este nome por estar no centro da morada da sede dos Três Poderes potiguares, representados pela Assembleia Legislativa (Legislativo); Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (Judiciário) e a antiga sede do Governo do Estado (Executivo). A sede da Prefeitura de Natal também fica perto da praça. A localização – em tese – privilegiada não impede que a Sete de Setembro sofra do mesmo cotidiano que suas irmãs do Centro Histórico – a Praça Padre João Maria, André de Albuquerque e Praça João Tibúrcio, estas entregue à sorte dos cuidados da população.

Atualmente, é possível ver muros pichados e lixo jogado de qualquer jeito por todas as laterais da praça, a despeito de uma plaquinha que adverte sobre a proibição do ato. Além disso, os três bancos que simbolicamente ficam de frente para os edifícios de controle não escapam da depredação. Por estarem tão próximos a três dos principais órgãos do Rio Grande do Norte, a expectativa da população seria de uma valorização e manutenção da Sete de Setembro, o que não acontece até agora.

A estátua no centro da praça, por exemplo, foi erguida em 1922 como monumento aos 100 anos da Independência do Brasil, e agora encontra-se sem seus ornamentos de bronze que continham informações sobre o local histórico.