A corrida de rua deixou de ser apenas uma prática esportiva para se consolidar como hábito de saúde e lazer em Natal. A modalidade reúne desde iniciantes até corredores experientes e tem atraído pessoas interessadas em melhorar a qualidade de vida e inserir atividade física na rotina.
No Brasil, o número de eventos também aumentou. Levantamento da Associação Brasileira de Organizadores de Corridas de Rua e Esportes Outdoor indica que o País passou de 2.827 provas em 2024 para 5.241 em 2025.

Para a cardiologista Carla Karini, presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia do Rio Grande do Norte e vice-presidente da Unimed Natal, a corrida traz benefícios para o corpo e para a mente.
“A corrida melhora a capacidade cardiovascular, reduz a pressão arterial, controla o colesterol e ajuda a manter o peso saudável. Além disso, diminui o risco de doenças como infarto do miocárdio, auxilia no controle da glicemia e no tratamento do diabetes. Também traz benefícios para a saúde mental, reduz o estresse, melhora o sono e aumenta a sensação de bem-estar”, afirmou.
A médica orienta que a prática deve ocorrer com acompanhamento profissional, principalmente para pessoas com mais de 40 anos ou que apresentam fatores de risco. “Quando feita sem acompanhamento, a corrida pode causar sobrecarga musculoesquelética, lesões e até complicações cardiovasculares em pessoas com doenças não diagnosticadas”.
Ela recomenda que iniciantes comecem de forma gradual, alternando caminhadas e corrida e respeitando limites individuais.
O crescimento da modalidade também ampliou a procura por orientação profissional. O treinador Wendell Pereira, que acompanha corredores na capital potiguar, afirma que a avaliação médica e o acompanhamento especializado são etapas importantes.
“Um dos principais cuidados é estar em dia com os exames de rotina, principalmente o cardiológico. Pelo menos uma vez ao ano, o atleta — iniciante ou experiente — precisa desse acompanhamento. Também é essencial buscar um profissional com experiência em corrida”, explicou.
Segundo ele, cada corredor precisa de planejamento individual. Testes de pista e de VO₂ indicam o nível de condicionamento físico e ajudam na elaboração de treinos personalizados. O treinador alerta que correr todos os dias ou exagerar na intensidade sem orientação pode levar ao overtraining e a lesões.
“O acompanhamento vai além da técnica. Motivação e feedbacks constantes fazem parte do trabalho. No início de cada treino, meu grito de guerra é sempre o mesmo: energia lá em cima!”.
Entre os praticantes, a corrida também é vista como forma de cuidar da saúde mental. A corredora Isadora Santana começou a praticar em 2021 e hoje mantém a atividade como parte da rotina.
“A corrida impacta na minha vida em tudo. Durmo melhor, me sinto menos ansiosa e me desafia mentalmente. É um momento que uso para pensar e me superar”, contou.
Ela também criou uma comunidade feminina de corrida após perceber que muitas mulheres evitavam correr sozinhas nas ruas. “Muitas deixavam de participar por medo de assédio. Correr em grupo me dá mais segurança”, afirmou.
Para quem deseja começar, ela recomenda persistência e atenção à saúde. “Provavelmente você não vai gostar de primeira, vai sentir dor e achar que não sabe respirar. Mas com constância e check-up em dia, dá certo. A corrida faz bem não só para o corpo, mas também para a mente. É você contra você mesma”, completou.