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Seleção Brasileira

CBF mira novo ciclo e irrita torcida fiel

Campanha publicada pela entidade defende reconstrução rumo ao Mundial de 2030, mas torcedores cobram mudanças na gestão e no desempenho da Seleção
Por O Correio de Hoje
13/07/2026 | 15:51

A tentativa da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) de inaugurar o ciclo rumo à Copa do Mundo de 2030 provocou reação imediata e majoritariamente negativa entre os torcedores. Uma semana após a eliminação da seleção brasileira para a Noruega, por 2 a 1, com dois gols de Erling Haaland, a entidade publicou nas redes sociais um vídeo de 1 minuto e 2 segundos defendendo um recomeço após a campanha frustrada no Mundial. A mensagem, porém, foi recebida com críticas à gestão da Seleção, ao desempenho em campo e ao momento escolhido para a publicação.

A postagem foi publicada neste domingo 12, com a legenda: “Um filme que não queríamos escrever, sobre uma história que não pode ser esquecida. Pode acreditar. Que venha o novo ciclo.” Ao longo do vídeo, a narração reconhece a frustração da torcida, trata a derrota de 5 de julho de 2026 como o ponto de partida de uma nova caminhada e afirma que o objetivo continua sendo a conquista do hexacampeonato.

Ancelotti 14 Copia
Pai de Neymar vetou Jorge Jesus e colocou Ancelotti, que já renovou - Foto: rafael ribeiro / cbf

“Não foi fácil escrever este filme, porque a gente sabe o que vocês estão sentindo. Que esse túnel parece não ter fim, que esse hexa não sai”, diz um trecho da narração. Em seguida, o vídeo afirma que “desistir nunca foi coisa de brasileiro” e convida os torcedores a guardarem a data da eliminação como o início da “próxima jornada”. O discurso termina prometendo uma reconstrução baseada em “mais estabilidade, mais planejamento e mais trabalho duro”, além da mensagem de que a equipe estará “ainda mais forte” na busca pelo sexto título mundial.

A repercussão, no entanto, ficou distante do tom otimista pretendido pela CBF. Em aproximadamente duas horas, a publicação ultrapassou 2 milhões de visualizações e recebeu mais de 11 mil comentários. Com o passar do dia, os números continuaram crescendo, superando 4,5 milhões de visualizações e cerca de 26 mil comentários, em sua maioria críticos.

Entre as manifestações mais curtidas, torcedores ironizaram o investimento em comunicação enquanto cobram mudanças esportivas. Um dos comentários comparou o “vídeo bonito no Instagram”, tratado como missão cumprida, ao item “jogar com raça na Copa”, marcado como pendente. Outro questionou a postura da equipe na derrota para a Noruega: “Jogar retrancado contra a Noruega em Copa do Mundo. Acreditar como?”. Também houve críticas ao distanciamento do futebol apresentado em relação ao estilo historicamente associado à Seleção Brasileira.

Outros internautas lembraram que o discurso sobre um “novo ciclo” já havia sido utilizado após a eliminação no Mundial de 2022. “’Estaremos ainda mais fortes’: vocês falaram a mesma coisa depois de 2022 e, de lá para cá, só piorou”, escreveu um torcedor. Outra publicação dizia: “Enquanto não jogarem com raça ou amor à camisa, difícil ter ‘novo ciclo’”. As respostas revelam a dificuldade da entidade em convencer parte da torcida de que haverá mudanças concretas no projeto esportivo.

A frustração também se explica pelo contexto recente da Seleção. A derrota para a Noruega marcou mais uma eliminação para uma equipe europeia em Copas do Mundo, sequência iniciada em 2006. Caso o Brasil permaneça sem conquistar o título em 2030, completará 28 anos desde o pentacampeonato conquistado em 2002, no Japão e na Coreia do Sul, o maior intervalo sem levantar a taça desde o primeiro título mundial, em 1958.

O discurso da CBF dialoga diretamente com as declarações dadas pelo técnico Carlo Ancelotti logo após a eliminação. Na entrevista coletiva, o treinador afirmou que a derrota deveria representar “o princípio de um novo ciclo” e defendeu a continuidade do trabalho, com avaliação do elenco e novas ideias para os próximos quatro anos. A campanha institucional publicada neste domingo amplia essa mensagem, buscando transformar o revés em ponto de partida para a preparação da Copa de 2030.

Apesar da tentativa de reposicionar a narrativa, a reação nas redes sociais evidenciou que o ambiente permanece de desconfiança. Com a Copa do Mundo ainda em andamento e as semifinais prestes a serem disputadas, muitos torcedores demonstraram pouca disposição para aderir ao discurso de reconstrução antes de mudanças efetivas no futebol apresentado pela Seleção e na condução do projeto esportivo da CBF.