Economia
Em Natal, agências de turismo contam os dias para a vacina contra o coronavírus
Expectativa do setor é que boa parte dos 31% dos hotéis ainda fechados no País voltem a funcionar até setembro com metade da capacidade. No primeiro momento, devem ganhar força os destinos locais, para onde dá para chegar de carro
Por Marcelo Hollanda - Publicado em 01/08/2020 às 00:47

Sem uma vacina e com os protocolos de reabertura do comércio iniciando para valer este mês, o setor do turismo começa a fazer as contas. Afinal, foi um dos mais atingidos pela pandemia do novo coronavírus.

Para a presidente local da Associação Brasileira de Agências de Viagem, Michelle Pereira, só em outubro do ano que vem é que as empresas potiguares do setor devem recuperar algo parecido ao que faturavam em março deste ano, quando começaram os primeiros casos da pandemia.

A previsão dela acontece no fim de um mês que marcou o retorno tímido do turismo regional para destinos como Pipa, São Miguel do Gostoso, Serra de São Bento e até Porto de Galinhas, em Pernambuco, para onde muitos natalenses contrataram viagens.

Os agentes de turismo que, a exemplo dos hoteleiros, apanharam feio durante a crise sanitária do novo coronavírus, acreditam que um crescimento mais substancial da demanda só deve começar a partir de agosto, com um salto mais significativo só a partir de outubro.

“Nesse momento, as pessoas estão contratando mais viagens para destinos regionais, onde é possível chegar de carro. Só a partir de outubro é que esse movimento começará a aquecer, estendendo-se para outros estados de avião”, calcula.

No próximo dia 20 de agosto, o Vila Galé abrirá as portas seguindo à risca orientações sanitárias da matriz portuguesa, com uma média de ocupação de 50%, lembra Michelle. Será um teste importante para o setor.

“Agora, turismo para outros países não vejo sem uma vacina contra o coronavírus”, diz ela, taxativamente.

A expectativa é que boa parte dos 31% dos estabelecimentos ainda fechados no País voltem a funcionar entre agosto e setembro, uma possibilidade endossada por Michelle, mas num ritmo mais satisfatório desde que o destino se mostre seguro para os visitantes.

“Nesse caso, temos um bom aliado, que é o selo ‘Turismo Mais Protegido’, lançado este mês, com o objetivo de posicionar o estado como uma opção confiável para os visitantes”, acrescenta.

Iniciativa da Empresa Potiguar de Promoção Turística (Emprotur) e da Secretaria de Turismo do Estado, em parceria com entidades do turismo no estado, o RN foi o primeiro do Brasil a conquistar o selo, mas agora tem a companhia de vários outros estados.

O carimbo britânico Safe Travels, do WTTC, reconhece governos e empresas em todo o mundo que adotaram protocolos padronizados globais de saúde e higiene.

Indicadores divulgados esta semana pelo Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil mostram que deve começar já em agosto um crescimento de 69% da oferta da hotelaria de rede com as portas abertas.

O número, que aparece no relatório “Oferta e Disponibilidade da Hotelaria”, sustenta que boa parte dos 31% dos estabelecimentos hoteleiros que ainda estão fechados voltarão a funcionar entre agosto e setembro.

Mesmo assim, a presidente da Abav no RN, entidade que reúne 49 das 150 agências de viagem do Estado, reconhece que essa retomada não virá de uma hora para outra. “Em agosto eu prevejo uma ocupação ainda muito baixa, melhorando mais só em setembro”, prevê.

Para o empresário Abdon Gosson, há décadas no mercado de agenciamento de viagens, o grande desafio do setor será sobreviver este ano. “É uma corrida de fundo, com grandes recompensas para aqueles que conseguirem se manter no mercado”, ele não tem dúvida.

Isso, explica, porque no momento em que surgir uma vacina, a explosão na demanda será tão expressiva que não vai faltar pessoas para abarrotar o mercado de serviço.

“Eu tenho grupos fechados antes da pandemia que já pagaram roteiros internacionais sem nenhum cancelamento até agora e que só esperaram a vacina para correrem para um avião”, avisa.

Otimista, Abdon diz que as agências de viagem terão uma grande valorização no pós-pandemia por proporcionarem um nível de orientação aos clientes sobre os destinos que eles não conseguem na internet de maneira satisfatória.

Diz que, nesse momento, as empresas do setor, que já vinham operando remotamente, avançaram, atendendo os clientes com hora marcada ou virtualmente, o que acabou sendo interessantes para ambas as partes.

“As empresas devem diminuir muito seus espaços físicos, mas manter o mesmo padrão de atendimento, a partir da evolução no acolhimento nos hotéis, com protocolos menos formais, que evitem aglomerações nos saguões”, afirma.

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