BUSCAR
BUSCAR
Crise
Valor dos condomínios pressiona aluguéis para baixo em Natal
Muitos proprietários abdicaram de reajustar anualmente seus alugueis para não ter que arcar com os custos administrativos dos imóveis
Marcelo Hollanda
14/06/2019 | 04:00

Antônio, aposentado, vive da renda de meia dúzia de imóveis em Natal, que ele foi adquirindo ao longo dos anos, aproveitando as oportunidades do mercado.

Só que de uns sete anos para cá, ele não reajusta os alugueis de seus apartamentos com medo de perder os bons inquilinos.

Não é um caso isolado. Como ele, muitos outros proprietários abdicaram de reajustar anualmente seus alugueis para não ter que arcar com os custos dos condomínios que, no caso dos imóveis de Antônio, aumentaram pelo menos 60% nos últimos três anos.

“Fora o custo do IPTU, que é livremente negociável entre as partes, o crescente aumento no valor dos condomínios sempre foi uma pedra no sapato do mercado de compra e locação”, admite o empresário Ricardo Abreu, que atua há mais três décadas tanto na compra e na venda de imóveis, quanto na locação e na administração.

O valor dos condomínios, puxado principalmente pela alta dos salários e da energia elétrica e que já era um entrave a bons negócios no passado, impôs-se ainda mais como um problema a partir da crise econômica, que derrubou em até 30% os preços dos imóveis novos.

“O resultado é que as venda dos imóveis diminuíram na mesma proporção em que o preço dos condomínios cresceram”, lembra Abreu.

Para Renato Gomes Netto, presidente do Sindicato de Corretores de Imóveis no RN (Secovi), essa situação é mais presente em unidades localizadas em prédios antigos ou nos condomínios de até 10 apartamentos, com um ou dois empregados, onde a taxa condominial é rateada por poucos moradores.

“Nesses casos, muitos proprietários realmente preferiam segurar os reajustes de aluguel para não perder o inquilino, especialmente se este for bom pagador”, lembra.

Volta e meia, as edificações mais antigas, onde as contas de água não são individualizadas e pressionam o valor do condomínio, as obras extraordinárias e frequentes não podem ser pagas pelos inquilinos, exceto quando se trata do 1/3 salário dos empregados, incluído nos dois últimos meses do ano.

“Nesses casos, nós recomendamos às administrações que tomem um choque de modernidade e busquem alternativas para baratear seus custos, examinando possibilidade de diminuir pessoal e individualizar as contas de água”, recomenda Gomes Netto.

Mas não é fácil. Para Denilson, porteiro de um prédio em Lagoa Nova e que tira maior parte de sua renda como encanador e eletricista nas horas vagas, o problema é que a estrutura de muitos prédios mais antigos está pra lá de obsoleta.

“Geralmente, o sistema de luz e água desses prédios precisaria de uma intervenção total e neles não existe mais passagem nem para uma fiação extra de tevê à cabo”, diz ele.

Enquanto isso, o Índice Geral de Preços–Mercado (IGP-M), usado no reajuste de contratos de aluguel, registrou inflação de 1,26% em março deste ano, taxa superior ao 0,88% de fevereiro.

Segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), o IGP-M é de 2,16% no ano e de 8,27% em 12 meses.

Av. Hermes da Fonseca, N° 384 - Petrópolis, Natal/RN - CEP: 59020-000
Redação: (84) 3027-1690
[email protected]
Copyright Grupo Agora RN. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização prévia.