Se a economia não reagir, como resultado das frequentes quedas na taxa básica de juros e de outras políticas monetárias, os consumidores de Natal enfrentarão já no ano que vem a falta de imóveis para comprar, segundo construtores ouvidos nesta terça-feira, 5, pelo Agora RN.
Com os estoques nos menores patamares da história recente – 10% a 15%, incluindo terrenos, sobre o que era há cinco anos – os tradicionais players do mercado imobiliário, no entanto, esperam boas novas para 2020.

A recente decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a taxa Selic para 5% ao ano e um novo corte de 0,5% esperado para breve foi bem recebida pelo setor, mas não acabou com os seus temores.
“A gente vê que a retomada já chegou a São Paulo e outras capitais e, dependendo do que acontecer na revisão do Plano Diretor de Natal, as perspectivas podem ou não melhorar”, acredita Hugo Frederico Farias, diretor de Política Ambiental do Sinduscon.
Com os últimos cortes, a Selic está no menor patamar desde o início da série histórica do Banco Central, em 1986.
Segundo o construtor Francisco Ramos (Constel), o impacto da Selic nos financiamentos do mercado é indiscutível. “A se registrarem novas quedas, mais pessoas terão acesso ao imóvel próprio, mesmo recebendo a mesma renda”, acredita.
O problema, alerta ele, está na resposta da economia local a partir desses estímulos e, sobretudo, na velocidade em que essas respostas positivas virão. “Em praças como São Paulo e outras capitais, os reflexos positivos já acontecem e estão a todo o vapor”, constata.
Para Marcos Aguiar, vice-presidente de mercado imobiliário do Sinduscon, a reação do mercado ainda dependerá do pacote de medidas econômicas que o Governo Federal está finalizando e da revisão do Plano Diretor de Natal, cuja votação está prevista para o primeiro semestre do ano que vem.
“Se esses dois cenários colaborarem, acho que poderemos pensar numa retomada muito vigorosa”, afirma.
Para Hugo Farias, do Sinduscon, novos lançamentos do mercado devem realinhar os preços dos imóveis a patamares anteriores da crise instalada em 2014. “Hoje, essa defasagem está entre 20% a 30% devido aos anos de inatividade do setor”, diz.
Francisco Ramos, um dos poucos construtores locais que se manteve lançando a despeito da crise, afirma que é preciso cautela. “O nosso maior problema neste momento são as respostas da economia local, que são diferentes de outras, nas quais a crise do mercado imobiliário já foi superada”, pondera.
Ramos explica que é preciso interpretar corretamente e com realismo os sinais da economia. “Há quem atribua vendas de imóveis como um sinal da queda da taxa básica de juros, o que deve ser em parte verdade, mas há também outro fator decorrente, que é a baixa do estoque de imóveis à disposição”.