As mudanças trazidas pela reforma tributária e seus efeitos sobre a indústria cerâmica do Rio Grande do Norte estiveram no centro das discussões promovidas pelo Sindicato das Indústrias de Cerâmica para Construção do Estado do Rio Grande do Norte (Sindicer-RN), nesta segunda-feira 20, na Casa da Indústria, em Natal.
Durante o encontro, empresários, especialistas e representantes do setor debateram as adaptações exigidas pelo novo modelo tributário e conheceram um diagnóstico atualizado da atividade, que identificou 110 indústrias em operação no estado, responsáveis por 3.871 empregos diretos.

Na abertura do evento, o presidente do Sindicer-RN, Carlos Vinicius Aragão Costa Lima, afirmou que a reforma tributária já está em fase de implementação e terá reflexos diretos sobre a gestão das empresas.
“A reforma tributária terá impacto sobre preços, margens, fluxo de caixa, compras, vendas e competitividade.”
Segundo ele, a maior parte das empresas do segmento é optante pelo Simples Nacional, o que amplia a necessidade de planejamento.
O dirigente explicou que os empresários poderão permanecer integralmente no Simples, optar pela apuração do IBS e da CBS no regime regular mantendo os demais tributos no sistema simplificado ou migrar para o Lucro Presumido ou Lucro Real.
“Será necessário avaliar o modelo comercial, a carteira de clientes, a cadeia de fornecedores, os custos e a formação de preços”, acrescentou.
Diagnóstico do setor
O encontro também contou com palestras do contador João Montenegro e do especialista em reforma tributária Rogério Vieira, que detalharam as regras já aprovadas e o cronograma de transição para o novo sistema de tributação sobre o consumo.
Paralelamente, foi apresentado um levantamento sobre o perfil da indústria cerâmica potiguar.
De acordo com o estudo, coordenado por Danyel Ferreira de Medeiros, 52% das unidades produtivas já utilizam energia solar, concentrando-se principalmente nas regiões do Seridó e do Vale do Açu/Apodi.
O diagnóstico também identificou avanços na adesão ao mercado livre de energia, na modernização dos processos produtivos e na utilização de combustíveis renováveis e resíduos como fontes energéticas.
Desafios e redução de custos
Apesar dos avanços, o setor ainda enfrenta desafios relacionados aos custos de produção, energia, combustíveis, logística, mão de obra, licenciamento ambiental e tributação.
“O diagnóstico também confirma desafios que já conhecemos, como a dificuldade de contratação e retenção de mão de obra”, afirmou Carlos Vinicius.
Segundo ele, os dados servirão de base para definir prioridades, estruturar projetos, ampliar ações de capacitação e fortalecer o diálogo com o poder público.
Durante o encontro, o sindicato também apresentou os primeiros resultados da Central de Compras da indústria cerâmica, iniciativa que, segundo a entidade, já proporcionou redução média de 30% nos custos das empresas participantes.