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Indústria Cerâmica

Indústria da Cerâmica potiguar discute reforma tributária

Setor debate impactos do novo sistema tributário e apresenta diagnóstico que aponta 110 indústrias em operação e quase 3,9 mil empregos diretos no estado
Por O Correio de Hoje
21/07/2026 | 14:06

As mudanças trazidas pela reforma tributária e seus efeitos sobre a indústria cerâmica do Rio Grande do Norte estiveram no centro das discussões promovidas pelo Sindicato das Indústrias de Cerâmica para Construção do Estado do Rio Grande do Norte (Sindicer-RN), nesta segunda-feira 20, na Casa da Indústria, em Natal.

Durante o encontro, empresários, especialistas e representantes do setor debateram as adaptações exigidas pelo novo modelo tributário e conheceram um diagnóstico atualizado da atividade, que identificou 110 indústrias em operação no estado, responsáveis por 3.871 empregos diretos.

Indústria cerâmica Copia
Empresas do setor avaliam impactos do novo sistema de tributos e apresentam diagnóstico que aponta 110 indústrias - Foto: fiern / assessoria

Na abertura do evento, o presidente do Sindicer-RN, Carlos Vinicius Aragão Costa Lima, afirmou que a reforma tributária já está em fase de implementação e terá reflexos diretos sobre a gestão das empresas.

“A reforma tributária terá impacto sobre preços, margens, fluxo de caixa, compras, vendas e competitividade.”

Segundo ele, a maior parte das empresas do segmento é optante pelo Simples Nacional, o que amplia a necessidade de planejamento.

O dirigente explicou que os empresários poderão permanecer integralmente no Simples, optar pela apuração do IBS e da CBS no regime regular mantendo os demais tributos no sistema simplificado ou migrar para o Lucro Presumido ou Lucro Real.

“Será necessário avaliar o modelo comercial, a carteira de clientes, a cadeia de fornecedores, os custos e a formação de preços”, acrescentou.

Diagnóstico do setor

O encontro também contou com palestras do contador João Montenegro e do especialista em reforma tributária Rogério Vieira, que detalharam as regras já aprovadas e o cronograma de transição para o novo sistema de tributação sobre o consumo.

Paralelamente, foi apresentado um levantamento sobre o perfil da indústria cerâmica potiguar.

De acordo com o estudo, coordenado por Danyel Ferreira de Medeiros, 52% das unidades produtivas já utilizam energia solar, concentrando-se principalmente nas regiões do Seridó e do Vale do Açu/Apodi.

O diagnóstico também identificou avanços na adesão ao mercado livre de energia, na modernização dos processos produtivos e na utilização de combustíveis renováveis e resíduos como fontes energéticas.

Desafios e redução de custos

Apesar dos avanços, o setor ainda enfrenta desafios relacionados aos custos de produção, energia, combustíveis, logística, mão de obra, licenciamento ambiental e tributação.

“O diagnóstico também confirma desafios que já conhecemos, como a dificuldade de contratação e retenção de mão de obra”, afirmou Carlos Vinicius.

Segundo ele, os dados servirão de base para definir prioridades, estruturar projetos, ampliar ações de capacitação e fortalecer o diálogo com o poder público.

Durante o encontro, o sindicato também apresentou os primeiros resultados da Central de Compras da indústria cerâmica, iniciativa que, segundo a entidade, já proporcionou redução média de 30% nos custos das empresas participantes.