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Inadimplência

Inadimplência atinge menor nível no RN

Percentual de lares com contas em atraso recuou para 22,7%, mas endividamento ainda atinge mais de 83% das famílias da capital
Por O Correio de Hoje
15/06/2026 | 12:53

A inadimplência das famílias de Natal recuou para o menor patamar registrado para o mês de maio nos últimos 11 anos. Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e analisados pelo Instituto Fecomércio RN (IFC), mostram que 22,7% dos lares da capital possuíam contas em atraso em maio de 2026.

O resultado representa uma redução de 16,2 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano passado, quando o índice alcançava 38,9%. Na comparação com abril deste ano, a queda foi de 1,8 ponto percentual, reforçando a trajetória de melhora observada nos indicadores de capacidade de pagamento das famílias.

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Pesquisa da CNC mostra que percentual de famílias com contas em atraso caiu para 22,7% em maio - Foto: José Aldenir

Apesar do avanço, o levantamento revela que o endividamento continua elevado na capital potiguar. Atualmente, 83,2% das famílias possuem algum tipo de dívida, o equivalente a 235.368 lares. O dado evidencia que a maior parte dos consumidores continua recorrendo ao crédito para financiar despesas e consumo, embora tenha conseguido reduzir os atrasos nos pagamentos.

Entre as famílias endividadas, 32,5% apresentam comprometimento moderado ou elevado da renda com obrigações financeiras. A pesquisa aponta ainda que 64.368 famílias tinham contas em atraso em maio. A maior parte dessas pendências possuía prazo de inadimplência de até 90 dias.

Na avaliação do Instituto Fecomércio RN, os números indicam que os consumidores têm conseguido administrar melhor o orçamento doméstico, conciliando despesas correntes com o pagamento de compromissos financeiros assumidos anteriormente.

Segundo o presidente em exercício da Fecomércio RN, Gilberto Costa, a melhora dos indicadores tende a produzir reflexos positivos sobre a atividade econômica local.

“Quando mais pessoas recuperam sua capacidade de pagamento, ampliam-se as oportunidades de acesso ao crédito e de movimentação da economia, beneficiando empresas, trabalhadores e consumidores”, afirma.

O dirigente ressalta, entretanto, que endividamento e inadimplência não são conceitos equivalentes. De acordo com ele, grande parte das famílias mantém financiamentos, parcelamentos e outras modalidades de crédito sem apresentar atraso nos pagamentos.

“Estar endividado não significa necessariamente estar inadimplente”, observa. Segundo Costa, o problema surge quando o volume das obrigações financeiras passa a comprometer parcela significativa da renda familiar, elevando o risco de atrasos e dificuldades de pagamento.

O levantamento mostra que o cartão de crédito continua sendo o principal instrumento de endividamento das famílias natalenses, presente em 83,5% dos casos registrados pela pesquisa. Em seguida aparecem os carnês, citados por 17,2% dos entrevistados.

Para o presidente da Fecomércio RN em exercício, a predominância do cartão exige atenção, especialmente diante da facilidade de contratação e utilização desse tipo de crédito.

“O problema não está no cartão em si, mas na forma como ele é utilizado. A economia comportamental demonstra que as pessoas sentem menos ‘dor’ ao gastar quando utilizam crédito em vez de dinheiro”, destaca.

Embora considere positiva a redução da inadimplência, Costa avalia que os resultados devem ser analisados com cautela. Segundo ele, a melhora dos indicadores não significa que os desafios financeiros das famílias tenham sido superados de forma definitiva.

“A redução da inadimplência deve ser comemorada, mas o elevado percentual de famílias endividadas exige atenção permanente. O grande desafio é transformar o crédito em ferramenta de desenvolvimento e não em um fator de vulnerabilidade financeira”, afirma.

Os dados da Peic sugerem que a recuperação gradual da capacidade de pagamento dos consumidores tem contribuído para reduzir os atrasos e ampliar o acesso ao crédito. Ainda assim, o elevado nível de endividamento indica que a sustentabilidade dessa melhora dependerá da evolução da renda, das condições de emprego e do comportamento do consumo nos próximos meses.