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Dia Mundial do Teatro ganha significado com reabertura do Sandoval Wanderley

Sala principal do teatro passa a levar o nome da atriz Titina Medeiros em programação especial do Dia Mundial do Teatro
Por Isabelly Noemi e Nathallya Macedo
30/03/2026 | 11:10

Celebrado em 27 de março, o Dia Mundial do Teatro funciona como um marco de reflexão sobre o papel das artes cênicas na sociedade — não apenas como expressão artística, mas como espaço de encontro, memória e construção coletiva. Em Natal, essa dimensão ganha contornos concretos com a reabertura do Teatro Sesc Sandoval Wanderley, no Alecrim, que voltou a operar como um dos principais pontos de acesso à cultura na cidade.

Inserido em uma região de intenso fluxo comercial e circulação de pessoas, o teatro retoma sua vocação histórica de proximidade com o público. Inaugurado em 1962 como o segundo espaço cênico da capital, após o Teatro Alberto Maranhão, o Sandoval Wanderley se consolidou ao longo das décadas como um ambiente de formação de plateias e incentivo à produção local, ficando conhecido como “Teatrinho do Povo”.

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Teatro Sesc Sandoval Wanderley, no Alecrim, volta a receber público após mais de uma década fechado - Foto: José Aldenir / Agora RN

A data dedicada ao teatro, nesse contexto, amplia o sentido da reabertura do espaço. Mais do que um equipamento cultural em funcionamento, o Sandoval representa a retomada de uma prática coletiva: assistir, produzir e compartilhar arte. Em uma cidade marcada por desigualdades no acesso à cultura, a presença de um teatro ativo em um bairro popular como o Alecrim reforça a dimensão pública das artes cênicas.

Após permanecer fechado desde 2009, o espaço foi reaberto em novembro de 2025, resultado de uma parceria entre o Serviço Social do Comércio do Rio Grande do Norte (Sesc RN) e a Prefeitura de Natal. Foram investidos mais de R$ 6 milhões na estrutura física e cerca de R$ 2 milhões em equipamentos, com modernização e adequação para diferentes linguagens artísticas.

Integrado à rede nacional do Sesc, que administra 118 espaços culturais e realiza cerca de 39 mil apresentações por ano, o teatro passa a contar com programação contínua e ações formativas. No Rio Grande do Norte, o investimento em cultura chegou a R$ 11,3 milhões no ano passado.

A reflexão proposta pelo Dia Mundial do Teatro também se materializa nas homenagens a artistas que ajudaram a construir essa história. Durante a programação especial da data, o teatro passou a ter sua sala principal rebatizada como Sala de Espetáculos Titina Medeiros, em reconhecimento à trajetória da atriz potiguar.

A cerimônia contou com a presença de familiares, artistas e autoridades, e incluiu a estreia do documentário “Titina: Alma Livre”, dirigido por Carito Cavalcanti e Fernando Suassuna. À noite, o público acompanhou a apresentação do espetáculo “Candeia”, do Grupo Estação de Teatro, dirigido por Titina Medeiros em vida.

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Sandoval Wanderley reabre com nova estrutura e homenagem à atriz Titina Medeiros – Foto: reprodução

A escolha de inscrever o nome da atriz no espaço onde tantas trajetórias se cruzam reforça o caráter simbólico do teatro como lugar de permanência. Mais do que palco, o Sandoval Wanderley passa a incorporar, em sua estrutura, a memória de quem contribuiu para a construção da cena cultural do estado.

Em entrevista ao AGORA RN, em 2021, Titina Medeiros comentou: “Eu fico muito orgulhosa em saber que eu tenho um dedinho nisso, é muita alegria para mim”. Ao destacar o crescimento do audiovisual potiguar, afirmou: “Porque só no coletivo é que a gente consegue produzir e resistir e mostrar nossa força”.

A trajetória da atriz, que ganhou projeção nacional a partir do teatro, dialoga diretamente com a função do espaço que agora leva seu nome. Ao mesmo tempo em que projeta carreiras, o teatro também preserva histórias e fortalece identidades culturais.

Nesse sentido, o Dia Mundial do Teatro deixa de ser apenas uma data simbólica e se afirma como um convite à continuidade. Em Natal, a revitalização do Sandoval Wanderley evidencia que o teatro permanece como prática viva — sustentada por artistas, instituições e público — e como ferramenta de acesso, pertencimento e transformação social.