Tic-tac, tic-tac. O pêndulo do relógio é implacável ao lembrar a qualquer pessoa que o tempo urge.
A governadora Fátima Bezerra tem menos de 50 dias para desvelar seu destino — se deixa o governo para concorrer ao Senado, como deseja, ou se permanece no cargo até o fim do mandato para o qual foi reeleita em 2022.

Ninguém tem certeza do que realmente acontecerá até 4 de abril, prazo final para desincompatibilização de cargos e funções no Executivo. Nem ela. Quem arriscar falar alguma coisa estará meramente palpitando.
Para deixar o governo e dormir sossegada, a líder petista precisa eleger um aliado na eleição indireta da Assembleia Legislativa.
Está longe disso, ela própria admite. Tem pouco mais de cinco votos para emplacar um nome de seu agrado e de sua confiança. De acordo com seus interlocutores no Legislativo, hoje, Fátima já entra nesse jogo vendida — em total desvantagem.
Acredito que a governadora nunca imaginou estar numa situação como essa, marcada pela incerteza.
Agora, há um detalhe nessa história: o que tem de urubu secando a petista para que ela se dê mal é coisa de louco.
Para muitos, a permanência de Fátima no governo desarruma todo o tabuleiro do campo da esquerda, abrindo espaços na chapa majoritária — principalmente a vaga dela ao Senado — e na nominata para a Câmara dos Deputados, interferindo nos planos de Natália Bonavides.
Tem muita gente esfregando as mãos para disputar o Senado — tanto na esquerda quanto na direita — se Fátima estiver fora da corrida eleitoral.
Afinal, não há vácuo em política, já dizia Maquiavel.
Estadia breve
Ivan Baron só passou um mês no MDB. Ontem, o influenciador digital comunicou sua desfiliação da legenda, após dialogar com amigos e aliados. Baron não revelou seu futuro endereço partidário, mas reafirmou:
— Sigo firme com minha pré-candidatura a deputado estadual — declarou o ativista.
Desacreditado
A desfiliação de Ivan Baron do MDB encerra um capítulo conturbado que gerou um verdadeiro “terremoto” em suas redes sociais. As críticas que ele recebeu foram intensas e vieram, majoritariamente, de sua própria base de seguidores e de setores progressistas. Entre outros ataques, Baron foi chamado de “fisiológico”, “traidor” e “aliado a golpistas”.
Parnamirim “First”!
A prefeita Nilda Cruz mantém o suspense sobre qual candidato ao governo apoiará. Algumas definições, porém, já foram tomadas: ela reafirma a aliança com Kleber Rodrigues para deputado estadual, apoiará Kelps Lima para deputado federal e votará em Zenaide Maia ao Senado.
Novas eleições
O TRE marcou para 17 de maio as eleições suplementares em Itaú e Ouro Branco. Eleitores voltarão às urnas após a cassação dos prefeitos e vices.
Abuso de poder
Em Itaú, foram cassados André Júnior (PP) e Paulinho de Enoch (MDB), por abuso de poder político e econômico. Já em Ouro Branco, perderam os mandatos Samuel Souto (PL) e Dr. Araújo (PP), por conduta vedada, abuso de poder e uso indevido dos meios de comunicação.
Umbigo
Sem olhar para o umbigo, Styvenson Valentim questionou a coerência de lideranças políticas no RN.
— Não tem político com personalidade nesse estado. Antes falavam mal, agora estão juntos. Para vocês verem como é a política — disparou, alfinetando a aliança de Walter Alves com Allyson Bezerra.