O que você carrega do tempo que já passou?
TUDO COM TALLYSON MOURA
“Acredito muito na força das palavras, então tento falar sempre aquilo que é belo, positivo e engrandecedor”. @tallysonmoura
Tallyson Moura fala à coluna Social sobre comunicação, Nordeste e redes sociais — Pedro Fonseca
Um menino bom, honesto, confiável e que nunca precisou passar por cima de ninguém para chegar aonde deseja. Em resumo, esse é o jornalista TALLYSON MOURA, 38. Do interior, de São Rafael, fez do interesse por gente, histórias e palavras uma profissão. A comunicação foi a forma de “colocar para fora” toda criatividade e a desenvoltura que seu eu adolescente tinha perdido por medo da homofobia. Curioso, inquieto, bem-humorado. Gosta de observar ao seu redor e tentar encontrar um jeito diferente de contar o que vê. Junte-se a isso uma inquietude sobre o olhar do País para o Nordeste. Atuando hoje sobretudo com criação de conteúdo, publicidade e roteiro (sem nunca ter deixado de carregar o olhar do jornalista), ele virou um dos principais difusores do que há de bom na região. Seus vídeos mesclando humor, personalidades artísticas e texto preciso conquistaram o País com milhares de compartilhamentos e ele hoje trabalha para uma das maiores agências do Brasil, a NextJor. O menino que dança no banho tem liberdade para ser quem é, gente do tipo transparente que faz questão de que as pessoas saibam o que esperar dele. Alguém para quem mentira é proibido e coisas como racismo, homofobia, xenofobia e qualquer forma de crime de ódio são inegociáveis. Considera trabalho muito importante, mas não deseja que seja a única medida de uma vida bem-sucedida.
Jornalismo ou influência digital. Quando essa chave virou?
Eu não consigo escolher um. O jornalismo me deu método; a internet me deu alcance. O jornalismo me ensinou a pesquisar, contextualizar e ter responsabilidade. A criação de conteúdo, ritmo, linguagem, espontaneidade e uma relação muito mais direta com quem está do outro lado. Hoje acho interessante justamente estar nesse encontro. Foram algumas chaves, e a última ainda está sendo girada. Quando comecei a ver artistas como Xuxa repostando meus vídeos, marcas chegando e o trabalho ganhando dimensão, entendi que aquilo que começou quase como um hobby podia, de fato, virar profissão.
Por que ainda há preconceito com a região Nordeste?
Porque estereótipos repetidos durante décadas não desaparecem rapidamente. Por tempos, o Nordeste foi mostrado para o resto do País a partir da pobreza, da seca, do atraso ou da caricatura. E há também uma concentração histórica de poder econômico, político e midiático em outras regiões do País, e quem ocupa essa posição costuma ter o privilégio de definir como o restante será representado. Há também o idiota convicto, que não está disposto a repensar, aprender e enxergar o novo Nordeste. Prefere seguir na ignorância. A região ajudou profundamente a construir a identidade brasileira, mas nem sempre recebe o reconhecimento proporcional a essa contribuição. Letramento é importante para os próprios nordestinos também. Conhecimento nunca é demais.
O que esse trabalho te ensina?
Quanto mais eu pesquiso, mais descubro coisas incríveis sobre o Nordeste e os nordestinos. Também aprendi que representação não é algo abstrato: quando alguém diz que conheceu uma história por meio de um vídeo meu ou que sentiu mais orgulho da própria origem, aquilo ganha outra dimensão. E aprendi, principalmente, sobre responsabilidade. Quanto mais gente te escuta, maior precisa ser o cuidado com o que você fala.
O que te inquieta nas redes sociais?
A velocidade. Tudo precisa ser imediato. Parece que estamos perdendo um pouco o direito de pensar, mudar de ideia ou dizer “eu ainda não sei”. Também me incomoda quando a lógica dos números começa a valer mais do que a qualidade do que está sendo produzido. Mirando no algoritmo, as pessoas desistiram de inovar e ficam só repetindo fórmulas e conteúdos. Do nada, uma timeline inteira fazendo a mesma trend porque alguém viralizou. Outra coisa perigosa é perceber como o ódio e a picuinha são recompensados pelo algoritmo.
Quem te inspira no trabalho e na vida?
Me inspira gente que tem sangue nos olhos, que sonha alto, corre atrás e sabe intimamente que merece estar aonde chegou. Vejo nessas pessoas algo que sinto que às vezes falta em mim. Se puder dar nomes: Anitta, Alice Carvalho, Samysia Almeida, Amanda Pereira e Diego Negrelos. Tenho muita admiração por quem entende que o mundo é para todos e que a gente é muito mais forte quando se ajuda. Não posso deixar de fora Maria Perré, minha mainha. Também sou fã de quem trabalha bem a palavra e faz questão de ser entendido por todos.
Me conte uma das grandes experiências da vida.
Ser filho único até os 37 anos e, já adulto, aprender a ser irmão e tio. Eu sabia que tinha um irmão, mas não tinha notícias nem contato com ele. Até que um dia, no caminho da academia, ele me reconheceu passando de bicicleta e criou coragem para falar comigo. A partir dali, começou uma relação que hoje faz parte da minha vida de um jeito que eu nunca poderia imaginar.
O que diria que é o grande problema de hoje?
Há uma urgência enorme para emitir opinião e pouco tempo dedicado a entender. Recuperar a curiosidade pelo outro talvez fosse um bom começo. Há uma incapacidade de conviver com complexidade, e as pessoas estão amando odiar.
Para você, o que é sabedoria?
É saber que inteligência e certeza não são a mesma coisa. Quanto mais a gente aprende, mais percebe a quantidade de coisas que ainda não sabe. Sabedoria também é entender o que merece nossa energia e o que pode simplesmente passar. É conseguir mudar de opinião sem sentir que isso diminui você. É conseguir atravessar a vida acumulando conhecimento sem perder curiosidade, humor e humanidade.
SAIBA TUDO
A terapeuta Kenate Freitas lança o livro Como sair de um relacionamento narcisista, para ajudar vítimas (como ela já foi) a superar relações abusivas marcadas por manipulação e controle. A obra ensina a compreender os padrões invisíveis e interromper a autoculpabilização.
A querida Flávia Pontes está exultando de alegria. A filha Tuca Lisboa, que em junho comemorou o recebimento do CRM, está gravidíssima junto com Thiago Henrique Dantas. E o sexo do bebê também já se sabe. Vem aí Isabela para alegria da já vovó coruja. Parabéns para toda família.
O produtor cultural e empresário Jarbas Filho, da Viva Entretenimento, foi convidado, pelo segundo ano consecutivo, para integrar a Academia do Prêmio Multishow, grupo responsável pela escolha dos destaques de uma das maiores e mais importantes premiações da música brasileira.
O encontro fictício entre o psicanalista Sigmund Freud e o escritor C.S. Lewis ( Crônicas de Nárnia, dentre outras obras) é o pano de fundo do espetáculo Última Sessão de Freud, que será apresentado neste sábado e domingo (12 e 13) no Teatro Riachuelo. Ainda há ingressos disponíveis no Uhuu.com.
Que o tempo é artigo de luxo atualmente, ninguém duvida. É justamente ele o tema da palestra que Lúcia Helena Galvão fará em Natal no dia 4 de novembro. Considerada uma das principais filósofas do Brasil, ela apresenta ferramentas práticas para lidar com melhor com o tempo.

Happy Birthday
Adriana Caldas, Gilian Varela, Liziane Virgílio, Rosalba Cordeiro Lima, Bia Santa Rosa, Jolian Costa, Raimundo Ferreira, Bernadete Rêgo, Neide Medeiros, Athos Muniz, Sérgio Dantas
Domingo
Zita Regalado, Felipe Miranda e Wendell Guerreiro. Em Pernambuco a amiga Kitty Lopes
Segunda
Karla Motta, Priscylla Cavalcanti, Tasia Sá, Odiléia Almeida, Weuquens Queiroz e Roger Chaves
