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Cidadania

Reflexões sobre política

Simone Silva propõe reflexão sobre o voto, a responsabilidade individual e a convivência com as diferenças às vésperas da eleição
Simone Silva
03/10/2026 | 01:43

“Você é o tipo de pessoa que quer que seu filho se torne?”

O brasileiro – e o potiguar – está às vésperas de mais uma eleição. Não, não se preocupe, não vou falar de política. Não essa de que boa parte das pessoas quer distância. Mas vou, sim, falar do que de fato é política. Recentemente, li duas frases que orbitam em torno do assunto. A primeira é uma paráfrase de uma música do Legião Urbana, que já é uma releitura de uma passagem bíblica. “É preciso amar as pessoas como se não houvesse eleições”. A outra é uma pergunta provocativa: “Não é sobre em quem você vota, mas quem você se torna com o seu voto”. Não trato e não falo das escolhas de cada um, porque cada pessoa tem direito de escolher quem quiser, mas a cada ano que passa aquilo que devia aproximar, afasta. Política no sentido real é harmonizar lados. Um governante, um gestor, que deveria ser o melhor entre todos, não pode, não deve ter um lado, porque existe todo um universo que fica fora dele.

Mão de uma eleitora junto ao botão confirma da urna eletrônica
O voto e a responsabilidade individual são temas da reflexão de Simone Silva

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Todo aquele que deseja uma nação forte, regida por valores realmente morais deve saber que a política não separa, ela busca a unidade, procura uma forma de harmonizar as diferenças, não ressaltá-las. Hoje, um grupo está certo e o outro errado e normalmente quem esbraveja tem certeza que está do lado bom. Será? Será que não há coisas boas em toda parte? Nos últimos pleitos, o que vemos são posturas irracionais e separatistas. As pessoas, nós, não queremos nos esforçar para entender o outro, para olhar uma vertente sem paixão, ou pior, sem ódio. É possível construir um país equilibrado sobre as cinzas do que somos incapazes até de tolerar, de enxergar, de aceitar.

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Queremos ter o livre arbítrio da livre escolha, de viver a democracia, mas não desejamos o mesmo para todos. Isso só parece valer para os que pensam como nós. Vestimos mantos de super-heróis, porque temos a crença inabalável de que podemos salvar a nação apenas apertando o botão verde “confirma”, ou indo as redes sociais dar nossa opinião — muitas vezes raivosa e desesperada — porque o “outro” não enxerga o mal que há em certo candidato. Mudanças são sempre necessárias porque a vida pede movimento, mas só uma mudança importa de fato: a nossa! Os nossos governantes, sem exceções, são reflexo do povo sobre o qual exercem autoridade. Uma sociedade individualista, sem cultivo de virtudes, sem prática cidadã não tem competência para eleger alguém que pratique com beleza e bondade a justiça social que é necessária.

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Sem transformação pessoal, não há evolução coletiva. Sem que cada um seja indivíduo, seja aquele que não se divide por partido (o nome já diz tudo), não temos chance de um governo honesto consigo e com todos. Este texto é uma reflexão interna que ganha vida e tem a pretensão de ganhar eco no coração do ser humano de bem, e todos o somos. Não há quem não busque o bem, nem que seja apenas o próprio. Uma comunidade plena só vai existir quando a gente encontrar o ponto de unidade na pluralidade. Deveria bastar saber que somos filhos de um só criador, mas parece que no ano eleitoral temos uma amnésia preocupante, obrigando até as cores a terem uma preferência.

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O voto é seu. Dê ele a quem você quiser, quer esteja vestido de branco ou preto. Mas entenda que o seu vizinho, seu parente, seu colega de trabalho, seu funcionário, seu chefe, o CEO ou o gari têm o mesmo direito, e é constitucional. Pense, reflita, duvide das próprias certezas antes de escolher e guarde na consciência sua parcela de responsabilidade por essa escolha. Não se deixe levar por nenhum ruído, quer ele venha de casa, das mídias ou de qualquer lugar. Entenda que há gente querendo acertar também, dentro do próprio espectro de compreensão. Todos projetamos nas urnas vivências únicas e particulares. Talvez por isso o voto seja secreto. Precisamos buscar nas profundezas do nosso ser a vontade (não o desejo) de que vença o melhor, mesmo que eu não “goste” do escolhido.

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Seja apenas um eleitor digno. Pense, aja e seja uma só pessoa. Olhe bem se o seu candidato tem a capacidade de se reconhecer errado, de mudar de ideia, de abraçar o diferente, de governar com educação, de ser generoso. O Brasil é um país belo demais para não ter um povo consciente e tão bonito quanto. Você pode escolher um lado, mas que este lado esteja ao lado de todos, sem distinção. Não é a política que te aborrece, não é um político que não te deixa dormir, que provoca o seu “pior”, que afronta seus valores. É você mesmo que escolhe o limão em vez da limonada, ou da caipirinha. Tu te tornas eternamente responsável por aquele que eleges. Eleja ser uma boa pessoa. Isso já vai fazer uma diferença grande seja o ano eleitoral, ou não.

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Happy Birthday

Sete retratos dos aniversariantes apresentados na coluna de Simone Silva
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Domingo

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Segunda

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