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Diógenes Dantas

Prefeito toc-toc

Confira a coluna de Diógenes Dantas desta sexta-feira 13
Diógenes Dantas
13/02/2026 | 07:04

Desde a Operação Mederi, que investiga fraudes na saúde em Mossoró e em outros municípios da região Oeste, o prefeito Allyson Bezerra virou o alvo preferencial dos ataques da base governista.

Podemos listar uma série de motivos para explicar tal estratégia:

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Allyson Bezerra prefeito de Mossoró - Foto: reprodução

1 — Allyson lidera as pesquisas eleitorais desde o ano passado.
2 — Walter Alves, vice-governador, além de não assumir o governo, apoiará Allyson na eleição de outubro.
3 — Zenaide Maia, senadora e aliada histórica do PT, também preferiu se alinhar ao prefeito de Mossoró.
4 — Outras lideranças políticas seguem a mesma tendência: o deputado Hermano Morais foi indicado para vice de Allyson, e a prefeita de Pau dos Ferros, Marianna Almeida, cortejada para compor com Cadu Xavier, optou pelo colega mossoroense.

Poderia desfiar um rosário de lamentações e frustrações do grupo governista contra o político do chapéu de couro.

Mas me parece que a principal tática do PT é tentar derrubar Allyson Bezerra para chegar ao segundo turno da eleição e enfrentar Álvaro Dias, candidato do bolsonarismo.

Os petistas desejam repetir a polarização já estabelecida no plano nacional — de um lado, os lulistas; do outro, os bolsonaristas.

Para isso ocorrer, o “prefeito toc-toc”, segundo Raimundo Alves, articulador de Fátima Bezerra, precisa cair em desgraça.

O embate “trabalho versus honestidade” vem ganhando adeptos nesta fase de pré-campanha.

Passaralho

Alan Silveira não esperou o “passaralho” sobrevoar sua cabeça e pediu exoneração, ontem mesmo, da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, seguindo orientação do MDB. É a segunda baixa do grupo de Walter Alves após o rompimento com Fátima Bezerra. Na quarta-feira, Sérgio Rodrigues, presidente da Caern, deixou o posto.

Quase intocáveis

Walter Alves, em tese, seria responsável por mais duas indicações no primeiro escalão do governo: Paulo Varella (Recursos Hídricos) e Luciano Santos (Assuntos Federativos). Provavelmente serão preservados.

Varella cuida das obras de infraestrutura hídrica e tem grande interlocução com Brasília. Já Luciano ocupa uma pasta de pouca visibilidade; pesa a seu favor o fato de ter presidido a Federação dos Municípios (Femurn).

Voldemort

Em Brasília, há quem aposte na derrocada do ministro Antônio Dias Toffoli — por renúncia ao cargo ou até por impeachment. O elo do magistrado com o Banco Master expôs o Supremo Tribunal Federal, para dizer o mínimo.

Depois da pressão para que Toffoli deixasse a relatoria do caso, agora há quem queira vê-lo longe do tribunal.

Sem perdão

A queda de Toffoli seria uma mão na roda para o presidente Lula. Além de Jorge Messias, ele poderia indicar mais um nome para o STF — Rodrigo Pacheco, que é do agrado do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Lula nunca perdoou Toffoli por ter sido impedido de comparecer ao enterro do irmão, Vavá, quando cumpria prisão em Curitiba, na época da Lava Jato.

Mulungu

Lula pode sambar à vontade na Sapucaí. O TSE rejeitou multar o PT e a escola de samba Acadêmicos de Niterói por homenageá-lo neste carnaval. Até André Mendonça, ligado a Bolsonaro, não viu irregularidade no enredo. Eventuais abusos, porém, podem ser apurados a posteriori.