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Artigo

O voto difícil

Raoni Fernandes
23/10/2026 | 02:00

É interessante (e, sobretudo, instrutivo) saber que, para os eleitores exigentes da área em que atuo, o turismo, não basta bater recordes de fluxo turístico nem posicionar o destino como o que mais cresceu nos mercados nacional e internacional. Encerramos setembro de 2026 com o melhor acumulado da história do Rio Grande do Norte, e contando recordes. Para os mais exigentes, é preciso investir pesado em infraestrutura rodoviária, mas não basta que 90% dos acessos turísticos tenham sido reconstruídos, inclusive os que estavam sem manutenção havia mais de 30 anos.

Para eles, é primordial investir também na infraestrutura aeroviária, mas está longe de ser suficiente um aumento de 300% na oferta aérea internacional, com a nacional superando os números pré-pandemia e colocando o principal aeroporto do estado, o de Natal, como o segundo que mais cresceu no país.

Urna eletrônica dentro de cabine de votação, em foto de arquivo
Urna eletrônica em foto de arquivo — Foto: José Aldenir/Agora RN

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Tampouco basta, para conquistar o voto dos mais exigentes, reformar o aeroporto regional de Mossoró e torná-lo um dos mais modernos do país: seria preciso também conectá-lo. E fazê-lo imediatamente, com voos para Recife e Guarulhos operados por duas companhias aéreas diferentes, ainda fica aquém do merecimento, mesmo com a duplicação da BR-304 em execução, que ligará confortavelmente nossos dois aeroportos depois de quase 60 anos de promessas.

Para alguns dos mais exigentes “players” do nosso turismo potiguar, é necessário, claro, que o destino seja seguro. E parece longe de bastar que a governadora o tenha tirado da posição de mais violento para a de 4º mais seguro do país. Talvez um lugar no pódio os fizesse refletir sobre um voto de confiança; o quarto lugar, ao que tudo indica, segue insatisfatório, mesmo que nunca antes tenha sido assim.

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A inédita captação de uma companhia aérea internacional após longos 26 anos, com voos diários para a nossa capital, tampouco parece ter surtido efeito no quesito “merecer o voto de reconhecimento”. Nem a maior exposição midiática da história do destino em um veículo de massa: mais de mil minutos em quatro meses na Globo, em âmbito nacional, além da veiculação de uma novela gravada aqui. Calma, Raoni, você queria o voto deles “só” com isso?

Sem dúvida, é a exigência do eleitor que nos torna gestores melhores, e talvez por isso esse público tão criterioso tenha parcela significativa de mérito no êxito das nossas políticas públicas mais recentes. Igualmente interessante (e curioso) é observar a seletividade dessas exigências. Afinal, o candidato ex-prefeito de Mossoró, cidade do segundo aeroporto do estado, não é questionado por não ter apresentado, em oito anos, um plano de promoção turística para a cidade que lidera uma região rica em belezas naturais: das praias da Costa Branca às dunas do Rosado, das cavernas de Baraúna às de Felipe Guerra.

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Tampouco é cobrado por ter ignorado qualquer relacionamento institucional ou comercial com companhias aéreas e operadoras turísticas para movimentar o aeroporto da própria cidade. Também não é questionado pelo fato de seus principais aliados neste pleito terem, outrora, negligenciado a importância de investir na principal indústria do estado, a que mais gera empregos e distribui renda da forma mais democrática.

Talvez a saudade das décadas passadas, em que nenhum dos avanços citados no início deste artigo era conquistado, ou sequer vislumbrado, tenha feito os exigentes dispensarem das exigências quem já teve a oportunidade de fazer, mas não fez.

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Raoni Fernandes é diretor-presidente da Empresa Potiguar de Promoção Turística (Emprotur)