Natal e Montevideo agora estão mais próximos. Mas o que uma nova rota internacional influencia na sua vida?
Bom, a resposta é óbvia se você gosta de viajar: o Uruguai agora estará a 5 horas e 20 minutos, sem necessidade de conexões. É a distância encurtada, é o conforto sem escalas, é a comodidade materializada em tempo — e tempo, convenhamos, é um dos ativos mais valiosos da vida contemporânea.

Mas quando um avião pousa, a sua vida muda — mesmo que você não viaje.
Já parou para pensar que, a cada cinco amigos ou familiares em Natal, três vivem do turismo?
Sim. Trabalham em bares e restaurantes, hotéis, pousadas, receptivos, padarias, barbearias, sorveterias, farmácias. São bugueiros, vendedores ambulantes, artesãos ou prestadores de serviço para eventos. São mais de 60 atividades movidas pela indústria do turismo em uma cidade como Natal. Não se trata de um setor isolado, mas de uma verdadeira teia econômica que sustenta, direta ou indiretamente, grande parte da população.
Aliás, pensando bem, a chance de você, leitor desse artigo, viver do turismo, é maior que a metade.
Dito isso, a partir de agora, passaremos a receber mais uruguaios. A previsão é de aproximadamente 600 por mês, apenas no novo voo direto, que se somarão aos quase 8 mil argentinos que aqui desembarcam mensalmente desde 30 de dezembro de 2025.
Esse é um número que te impressiona? Talvez não, se você é conhecedor do fluxo que recebemos do estado de São Paulo, por exemplo.
E se eu te disser que o uruguaio deixa, em média, em suas viagens internacionais, 11 vezes mais recursos do que o paulista em suas viagens nacionais? E que permanece, em média, mais do que o dobro de noites? A lógica muda. Já não estamos falando apenas de fluxo, mas de impacto. De permanência. De capacidade real de gerar mais renda e empregos.
Essas novas rotas internacionais — já são três em um ano e meio — têm tornado o Rio Grande do Norte um dos destinos mais buscados do Brasil, fazendo-o crescer 55% em 2025 e projetar 73% de crescimento para 2026. Números expressivos, sem dúvida. E que apontam futuro, desvendam horizonte.
Porque a matemática social vai além dos números.
O turista internacional tem maior disposição para diversificar a sua experiência, tende a respeitar aspectos culturais e ambientais, a vivência em comunidade e, sobretudo, exigirá de nós — cada vez mais — um destino acolhedor. E aqui não falo apenas do nosso característico, conhecido, abençoado e premiado “bem receber nordestino”.
Um destino acolhedor, hoje, é um destino seguro, acessível, com infraestrutura adequada e serviços de excelência.
E é exatamente nesse ponto que a equação muda de natureza: não estamos mais apenas somando empregos, estamos sendo obrigados a qualificá-los. Engenharia, urbanismo, logística, tecnologia, estatística, gestão especializada, ultra-especializada.
Exigirá de nós atualização real de produto: 300 dias de sol, águas translúcidas e em temperatura ideal para o melhor banho de mar do mundo, não serão suficientes. Mais noites, mais responsabilidades, mais oportunidades, de entregar mais, de entregar melhor.
Porque, no fim, um voo como esse encurta distâncias, mas cresce esperanças.
Raoni Fernandes é diretor-presidente da Empresa Potiguar de Promoção Turística (Emprotur)