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Heitor Gregório

Entre a polarização e os ataques, a imprensa resiste

Confira a coluna de Heitor Gregório desta terça-feira 17
Heitor Gregório
17/03/2026 | 05:39

O trabalho da imprensa nunca foi simples, mas tem se tornado cada vez mais difícil no Brasil. A polarização política já cria, por si só, um ambiente de tensão permanente. Quando a isso se soma o desrespeito ao trabalho da imprensa profissional, o cenário se torna ainda mais preocupante.

Censuras, ataques verbais, tentativas de desqualificação e até ameaças contra jornalistas têm se tornado episódios frequentes. Profissionais que apenas cumprem o papel de informar, com ética e responsabilidade, passam a ser tratados como adversários políticos.

Entre a polarização e os ataques, a imprensa resiste - Foto: José Aldenir / Agora RN
Entre a polarização e os ataques, a imprensa resiste - Foto: José Aldenir / Agora RN

Na última sexta-feira 13, durante entrevista à rádio 98 FM, o ministro Guilherme Boulos acusou três jornalistas de mentirem ao mencionarem uma informação publicada no próprio site do Supremo Tribunal Federal sobre o arquivamento de uma investigação envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro no caso das joias. As profissionais reagiram citando a fonte oficial.

Ao mesmo tempo, entidades do jornalismo também denunciaram ameaças contra repórteres que trabalham em frente ao hospital onde Bolsonaro está internado, em Brasília. Segundo a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), os ataques começaram após a divulgação de um vídeo nas redes sociais acusando jornalistas de desejarem a morte do ex-presidente, o que não corresponde à realidade.

O vídeo acabou sendo amplamente compartilhado nas redes sociais, inclusive por parlamentares e pela própria ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o que ampliou ainda mais a exposição e o risco para os profissionais que estavam trabalhando no local.

Questionar autoridades, apurar fatos, relatar acontecimentos e buscar informações de interesse público não é um ato de hostilidade, simplesmente é jornalismo.

FÁTIMA NUNCA PODE SER SUBESTIMADA

Tem gente que conhece como ninguém a política potiguar e aconselha não subestimar a governadora Fátima Bezerra (PT).

Sua trajetória ajuda a explicar. Eleita deputada estadual em 1994, chegou à Câmara Federal em 2002, sendo reeleita em 2006 e 2010. Em 2014, conquistou uma vaga no Senado.

Depois veio o Governo do Rio Grande do Norte, vencendo a eleição de 2018 e sendo reeleita em primeiro turno em 2022.

Tudo isso após uma caminhada que começou longe do poder, superando preconceitos e dificuldades, vindo de uma família humilde do interior da Paraíba.

INVESTIDAS CONTRA NOMINATA MIRAM ALLYSON

Existe um movimento para tentar esvaziar a nominata de deputado federal da federação União Progressista. A estratégia tem um objetivo maior: criar dificuldades à pré-candidatura ao Governo do Estado do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União).

O primeiro alvo das investidas teria sido o deputado federal Benes Leocádio (União). Agora, as conversas miram o deputado Robinson Faria (PP). Mas o cenário não parece simples. Depois do discurso feito no último sábado 14, em Monte Alegre, Robinson rasgou elogios ao “homem do chapéu de couro”.

Diante disso, fica a pergunta nos corredores da política: como explicar uma nova mudança de partido e, ainda mais, para outro palanque?

FLÁVIO ROCHA PODERIA IMPACTAR STYVENSON

Alguns analistas avaliam que a eventual entrada do empresário Flávio Rocha na disputa pelo Senado poderia mexer no tabuleiro da eleição.

A avaliação é simples: Flávio e o senador Styvenson Valentim falam, em boa parte, para um eleitorado de perfil semelhante.

Ninguém arrisca ainda dizer qual seria o efeito prático. Poderia ser um movimento de voto casado entre os dois, o que é um pouco improvável nos tempos atuais. Ou, ao contrário, uma parte do eleitorado de Styvenson migraria para Flávio.

É a conta que se faz em voz baixa.