Nunca antes na história recente do Rio Grande do Norte tivemos um mês de janeiro tão movimentado na política. As varandas litorâneas fervilham com conversas, articulações e novidades que se renovavam a cada hora.
Pela primeira vez, iniciaremos o Carnaval com as chapas desenhadas e o cenário eleitoral antecipado em muitos meses. Tudo isso provocado pela eleição indireta para governador, prevista para abril, após a renúncia da governadora Fátima Bezerra (PT), que deixará o cargo para disputar uma vaga no Senado Federal.

O vice-governador Walter Alves (MDB) já anunciou publicamente que também renunciará, abrindo caminho para disputar uma cadeira de deputado estadual. Já o presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira, não assumirá o Executivo, pois será também candidato à reeleição.
A jornalista Laurita Arruda fez uma análise precisa ao apontar que a Assembleia Legislativa está hoje dividida em três grandes blocos: Governo, Oposição e Centrão.
O problema é que nenhum desses grupos, isoladamente, possui votos suficientes para eleger o chamado “governador tampão”. Será necessário diálogo, composição e, sobretudo, concessões. Em um ambiente já contaminado pelo clima eleitoral de 2026, cada movimento passa a ser calculado com lupa, e cada voto ganha um peso estratégico enorme.
Diante desse cenário fragmentado e carregado de interesses eleitorais, a pergunta que fica é: quem conseguirá construir a ponte necessária para governar o RN sem transformar a transição em mais um campo de batalha política?
CLIMA FRIO ENTRE FÁTIMA E WALTER ALVES
A governadora Fátima Bezerra e o vice Walter Alves dividiram o mesmo palanque nesta quinta-feira 22, no primeiro encontro público desde que ele anunciou que não assumirá o Governo quando ela renunciar para disputar o Senado. Protocolo cumprido, sorrisos contidos e nenhuma foto a dois. Cada um no seu quadrado. No discurso, Fátima falou com emoção, lembrou que não nasceu em berço de ouro, que venceu adversidades e que o RN lhe concedeu bonitas vitórias. Recados dados. Silêncios também.
BOLSONARISTAS CUSPINDO FOGO COM STYVENSON
Tem bolsonarista cuspindo fogo com o senador Styvenson Valentim (PSDB). Tudo porque, em plena sede do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, o senador tratou de avisar, sem rodeios: “Não sou bolsonarista”. A declaração foi feita na quarta-feira 21, durante a coletiva que anunciou o ex-prefeito Álvaro Dias (Republicanos) como pré-candidato da direita ao Governo do Estado. Para alguns, sinceridade; para outros, ofensa em casa alheia. Política tem dessas ironias.
ALLYSON É ÚNICO GOVERNADORÁVEL COM VICE DEFINIDO
Entre as três principais pré-candidaturas ao Governo do Estado, o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União), favorito nas pesquisas, é o único que já tem o nome do vice definido: o deputado estadual Hermano Morais, por indicação de Walter Alves (MDB). Álvaro Dias (Republicanos) e Cadu Xavier (PT) seguem, por enquanto, sem vice na chapa.
A INCÓGNITA DE EZEQUIEL
O vice-governador Walter Alves (MDB) já avisou, em alto e bom som, que não assume o Governo quando Fátima Bezerra (PT) deixar o cargo para disputar o Senado. A direita fechou questão e lançou o ex-prefeito Álvaro Dias (Republicanos) como candidato ao Executivo. Allyson Bezerra (União) saiu na frente e já escolheu o deputado Hermano Morais para vice na disputa pela Governadoria. O tabuleiro começa a ganhar forma. Falta uma peça importante se mexer: para onde vai o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Ezequiel Ferreira (PSDB)?