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Arrependimento
‘Talvez eu pudesse ter me insurgido mais’, diz Moro sobre política de armas
Em entrevista à Globonews, o ex-ministro da Justiça falou sobre discordância com o presidente sobre o decreto que facilita a posse de armas no país e do arrependimento por não ter contestado mais a medida
G1
06/07/2020 | 07:07

O ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, fez uma autoavaliação e afirmou que hoje teria uma conduta diferente durante a gestão à frente da pasta. Dois dos temas considerados sensíveis e de discordância entre ele e Bolsonaro foram a política armamentista do governo e a transferência do Coaf – órgão que controla movimentações financeiras -para o Ministério da Economia. ‘Talvez eu pudesse ter me insurgido mais’, disse sobre o decreto que facilitou a posse de armas.

A afirmação foi feita durante o Globonews Debate na noite de domingo (5). Na ocasião, ele foi questionado sobre erros que teria cometido como ministro. Ele exerceu a função até abril, quando pediu demissão após a troca do diretor da Polícia Federal, Maurício Valeixo, sem seu consentimento.

Sobre facilitar o acesso da população à armas, Moro diz que ‘concorda até determinado nível’, mas avalia que a política pode virar um problema de segurança pública.

“Acho que flexibilizar a posse de arma em casa mais é algo aceitável, mas acima de determinado ponto você começa a gerar uma política perigosa. Esses armamentos podem ser desviados para o crime e você não tem rastreamento adequado”, explicou.

Ele reafirmou que embora não tenha sido o responsável por essa política, que foi tema da campanha eleitoral do presidente, acredita que ‘talvez pudesse ter insurgido mais profundamente em relação a isso’.

“Como ministro, ainda que você tenha reservas de determinados temas, você não pode se opor publicamente a tudo, e meu foco era principalmente avançar na política anticorrupção e nesses últimos meses preservar a autonomia da PF”, justificou.

Sobre o Coaf, ele lamentou que após o órgão ter sido restruturado e fortalecido, tenha sido transferido ao Ministério da Economia e, consequentemente, ao Banco Central. “Acabou [que com essa mudança] foi trocado o presidente do Coaf, que era a pessoa que eu tinha indicado. Acabei me conformando”, lamentou.

“Vendo retrospectivamente, acho que eu não teria feito isso, teria tentando trabalhar mais internamente ali pra manutenção do meu nome na presidência do Coaf na época. Não que o atual nome não seja bom, aliás é muito competente, mas ali também não tinha razão para tirar o nome que eu indiquei. Foi um enfraquecimento ao meu ver já nessa política anticorrupção”, afirmou Moro.

Apesar das queixas, o ex-juiz considera que sua gestão foi positiva. “Toda atuação do homem público está sujeita à críticas e a gente tem que aceitar, e eventualmente reconhecer erros, mas posso dizer que tentei fazer o meu melhor”, concluiu.

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