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Eleições 2026

Lula reúne empresários em Brasília dias depois de jantar de Flávio com o mercado financeiro

Encontro no Alvorada inclui os irmãos Batista, da J&F; campanha nega resposta à agenda do adversário
Agora RN
31/08/2026 | 15:54

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reúne nesta segunda-feira 31, em Brasília, um grupo restrito de empresários. O encontro ocorre depois de o candidato Flávio Bolsonaro (PL) jantar com representantes do mercado financeiro na quinta-feira 27, em São Paulo.

Entre os convidados de Lula estão os irmãos Joesley e Wesley Batista, da holding J&F; José Seripieri Júnior, proprietário da Amil; e Rubens Ometto, da Cosan. Apesar da proximidade entre os dois eventos, integrantes da campanha petista afirmam que a reunião estava marcada havia dias e negam que tenha sido organizada como resposta à agenda do adversário.

Presidente Lula falando ao microfone durante evento público
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, em agenda de campanha — Foto: Ricardo Stuckert/PR

A campanha chegou a avaliar outro local para a conversa, diante do risco de questionamentos sobre o uso de um imóvel público para atividade de caráter eleitoral. A decisão, porém, foi manter a reunião no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência.

O encontro integra um esforço de Lula para se aproximar do setor produtivo e reduzir críticas de empresários, banqueiros e economistas à condução da política econômica. Entre as principais preocupações estão a situação fiscal do País e o crescimento da dívida pública, que ultrapassou 82% do Produto Interno Bruto (PIB) durante o atual governo — alta de aproximadamente dez pontos percentuais ao longo do mandato.

O presidente escolheu o ministro da Fazenda, Dario Durigan, como principal interlocutor econômico da campanha à reeleição. Durigan tem se reunido com representantes do mercado financeiro, economistas e formadores de opinião para sinalizar que um eventual novo mandato deverá adotar postura de maior contenção fiscal.

Segundo informou o jornal O Globo, o ministro tem contestado nesses encontros as avaliações de que o Brasil estaria próximo de um colapso fiscal, ao mesmo tempo em que reconhece a necessidade de medidas voltadas ao controle do crescimento das despesas obrigatórias.

Por orientação de Lula, contudo, Durigan evita assumir compromissos com propostas específicas. A estratégia busca reduzir o desgaste político do anúncio antecipado de medidas impopulares e sinalizar que diferentes alternativas seguem em análise. O presidente ainda não decidiu qual caminho adotará para promover o ajuste fiscal caso seja reeleito.

A informação foi publicada na edição desta segunda-feira 31 do jornal O Correio de Hoje.