O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, afirmou nesta quarta-feira 29 que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou “estarrecido” com a operação da Polícia do Rio de Janeiro contra o Comando Vermelho (CV), que resultou em mais de 120 mortes.
A declaração foi dada após reunião no Palácio da Alvorada, ao lado do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

“O presidente ficou estarrecido com o número de ocorrências fatais. (Lula) se mostrou surpreso que uma operação (dessa magnitude) fosse desencadeada sem conhecimento federal”, disse Lewandowski.
Questionado sobre a possibilidade de decretação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), o ministro afirmou que a medida só pode ser tomada se houver solicitação do governador.
“Essa lei complementar regulamenta a organização das Forças Armadas. O artigo 15 estabelece que a operação GLO primeiro tem que ser requerida pelo governador. Não é ação espontânea do governo federal ou presidente da República”, afirmou.
Lewandowski ressaltou que o governo federal não pode agir isoladamente. “Isso (decretação de GLO) é uma decisão do presidente da República. Primeiramente, ele (Castro) precisa reconhecer a incapacidade das forças locais de debelarem o crime organizado e, sobretudo, a situação de intranquilidade em que se encontra o Rio de Janeiro. Isso depende dele. Essa hipótese não foi abordada porque não se colocou na mesa essa questão. Não há pedido”, declarou.
O ministro disse ainda que o governo federal atua em parceria com o estado do Rio na transferência de criminosos e colocou à disposição peritos criminais, médicos e informações do banco de dados de DNA.
Sobre a ida de uma comitiva do governo ao Rio, Lewandowski afirmou: “Vamos ouvir o governador e saber o que é que ele precisa.”
Segundo o ministro, a Força Nacional de Segurança atua no estado desde 2023. “Tivemos 11 renovações a pedido do governador. Temos um intenso trabalho da PF que desbaratou várias quadrilhas de tráfico de drogas e armas”, completou.