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Empresas distribuem créditos de IA para acelerar adaptação de funcionários

Nubank, Magazine Luiza e Nvidia ampliam investimentos em inteligência artificial generativa no ambiente corporativo
Por O Correio de Hoje
18/05/2026 | 12:27

Grandes empresas passaram a distribuir créditos para que funcionários utilizem ferramentas de inteligência artificial generativa em atividades do dia a dia, em um movimento que combina experimentação tecnológica, ganho de produtividade e adaptação da força de trabalho à nova realidade corporativa. A prática, comparada internamente a uma “feira de ciências da IA”, já envolve companhias como Nubank, Magazine Luiza e Nvidia.

Na Nvidia, cada funcionário recebe até US$ 10 mil anuais para utilizar modelos de IA e se familiarizar com a tecnologia. Entre engenheiros, o valor pode chegar a metade do salário anual, segundo o diretor comercial da companhia para a América Latina, Marcio Aguiar. “Para mim, que sou do comercial, é fundamental entender os detalhes do produto que eu estou vendendo”, afirmou. O executivo contou que desenvolvia um agente de IA para resumir automaticamente seus e-mails com base em instruções prévias.

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Empresas distribuem créditos de IA para acelerar adaptação de funcionários - Foto: Reprodução

O Nubank informou investir cerca de US$ 500 mil mensais em “vales IA” destinados aos aproximadamente 9 mil colaboradores da instituição. Os créditos, equivalentes a cerca de R$ 1 mil por pessoa, permitem o uso de plataformas como OpenAI e Anthropic, dona do Claude. A instituição também divulga boletins internos sobre o uso das ferramentas e acompanha métricas relacionadas à economia gerada e à criação de receitas por meio da IA. Os indicadores são considerados em avaliações de desempenho dos funcionários.

No Magazine Luiza, os créditos são distribuídos por área operacional para evitar pressão individual sobre os funcionários. O presidente da companhia, Frederico Trajano, afirma que a varejista já investiu “algumas dezenas de milhões de reais” em tokens — fragmentos de informação processados pelos modelos de IA usados como base de cobrança. “É pouco perto do nosso capex anual, que está na casa de R$ 1 bilhão”, disse.

A estratégia do Magalu prioriza a experimentação descentralizada em vez da concentração em núcleos isolados de inovação, segundo o diretor de inteligência artificial da companhia, Caio Gomes. A empresa já testou mais de 250 projetos desde 2025 e levou 180 para produção.

O avanço do uso corporativo da inteligência artificial ocorre em meio a uma preocupação crescente com os impactos sobre a força de trabalho. Dados da consultoria Korn Ferry mostram que 40% dos líderes de recursos humanos ainda não sabem como a IA transformará suas equipes. Para reduzir dependência de profissionais especializados, que podem custar até 15% acima da média salarial, empresas tentam transformar funcionários comuns em profissionais “alfabetizados em dados”.

O crescimento da demanda também aparece nos números das plataformas de IA. O Google afirma que seus sistemas já processam 16 bilhões de tokens por minuto. Os custos variam de US$ 1,50 a US$ 60 por milhão de tokens, dependendo do modelo utilizado e do tipo de mídia gerada.