As Forças de Defesa de Israel (FDI) expandiram nesta terça-feira 3, as operações militares contra o Hezbollah, com avanço de tropas para além da fronteira e novos bombardeios em diferentes regiões do Líbano, incluindo a capital Beirute. Fontes militares israelenses confirmaram uma incursão terrestre com o objetivo declarado de estabelecer uma “zona-tampão” no sul do território libanês, ampliando a pressão sobre o grupo xiita apoiado pelo Irã.
Segundo a unidade de gestão de desastres do governo libanês, mais de 58 mil pessoas foram deslocadas em decorrência da nova escalada — número que dobrou em relação ao divulgado na segunda-feira, 2. A ampliação dos ataques ocorre em um momento em que o governo libanês intensifica a pressão política sobre o Hezbollah para que entregue suas armas, em meio ao temor de que o país seja arrastado para um conflito de maiores proporções.

Em comunicado, os militares israelenses afirmaram que, “paralelamente à atividade das FDI como parte da Operação Rugido do Leão, forças da 91ª Divisão estão operando na área do sul do Líbano e mantendo vários pontos na área como parte do conceito de intensificar a defesa avançada”. De acordo com a nota, o objetivo é criar “uma camada adicional de segurança para os moradores do norte” de Israel, por meio de ataques extensivos à infraestrutura do Hezbollah e da prevenção de tentativas de infiltração em território israelense.
O chefe do Estado-Maior israelense, tenente-general Eyal Zamir, declarou que as operações continuarão até que o grupo seja desarmado. “Estamos determinados a eliminar a ameaça que o Hezbollah representa e não vamos parar até que esta organização seja desarmada”, afirmou.
Em manifestação separada, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, anunciou que o Exército “tomará o controle” de novas posições no Líbano. Segundo ele, a decisão foi autorizada em conjunto com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e visa ocupar “posições estratégicas” para impedir ataques contra comunidades israelenses na fronteira. “A organização terrorista está pagando — e continuará a pagar — um preço alto por seus ataques contra Israel”, afirmou.
O porta-voz militar Effie Defrin declarou, em pronunciamento televisionado, que a operação terrestre busca consolidar uma zona de segurança permanente entre os dois países. “Na prática, o Comando Norte avançou, assumiu o controle do terreno dominante e está criando uma zona de segurança, como prometemos, entre nossos residentes e qualquer ameaça”, disse.
Fontes do Exército libanês, ouvidas sob anonimato por agências internacionais, confirmaram que tropas israelenses avançaram a partir das planícies de Kfarkila e Khiam, áreas próximas à fronteira. Um oficial afirmou que as forças libanesas se retiraram de ao menos sete posições no sul do país para evitar confronto direto com Israel, repetindo a postura adotada na guerra do ano passado, quando o Exército do Líbano permaneceu formalmente neutro, apesar de violações territoriais.
A nova ofensiva aprofunda a instabilidade regional e eleva o risco de ampliação do conflito, em um cenário já marcado por tensões no Oriente Médio. Enquanto Israel afirma agir para neutralizar ameaças à sua segurança, cresce a preocupação internacional com os efeitos humanitários e políticos de uma escalada prolongada ao longo da fronteira entre os dois países.