A Liga Norte-Riograndense Contra o Câncer vai inaugurar em outubro um hospital pediátrico oncológico em Natal com 40 leitos e 10 de UTI, voltado exclusivamente para o atendimento de crianças e adolescentes.
A novidade foi confirmada por Ana Járvis, superintendente da Casa Durval Paiva, durante entrevista à 94 FM. Para ela, a nova unidade representa um avanço no tratamento do câncer infantojuvenil no estado.

“O tratamento aqui em Natal não tem diferença em relação a outros estados. Hoje, as nossas crianças raramente precisam ser deslocadas para São Paulo ou outros centros. E em outubro a Liga vai inaugurar um novo hospital pediátrico de oncologia, com 40 leitos e 10 de UTI, uma infraestrutura excelente”, afirmou.
Ana Járvis lembrou que o câncer é a doença que mais mata entre meninos e meninas de 0 a 19 anos, apesar da possibilidade de cura ser alta. “Nós podemos salvar e estamos perdendo vidas. A taxa de cura no Brasil gira em torno de 64% segundo o INCA. No Nordeste cai para 60% e, entre os atendidos pela Casa Durval Paiva ao longo de 30 anos, essa taxa despenca para 42%”, relatou.
Segundo ela, a principal causa da baixa taxa é o diagnóstico tardio. “Se a ciência diz que a probabilidade de cura é de até 100% e nós estamos em 42%, temos nós a desatar. Precisamos corrigir falhas e mobilizar as equipes de saúde e os municípios para que cada criança tenha a chance de realizar seus sonhos.”
Entre os tipos mais comuns, as leucemias representam 25% a 30% dos casos e exigem tratamento rápido e especializado. “É uma doença que muito mata porque, se não tiver o tratamento em tempo hábil, essas crianças já chegam muito debilitadas, com outras complicações”, explicou.
Ela alertou ainda para os sintomas que devem chamar atenção dos pais e profissionais da saúde: dores de cabeça persistentes acompanhadas de vômitos, dores abdominais, manchas roxas no corpo, inchaço abdominal e fadiga prolongada.
“Uma criança normalmente não para. Se ela passa cinco dias enfadada, algo precisa ser investigado. Uma escuta qualificada do médico e um encaminhamento em tempo hábil podem garantir cura sem sequelas.”
O Setembro Dourado, campanha anual de conscientização sobre o câncer infantojuvenil, vem reforçar essa necessidade de atenção e informação. “
No relógio, na vida, cada segundo vale. Cada segundo pode ser a diferença entre a vida e a morte. Nós estamos levando capacitação para UBSs, CRAS e escolas, porque o professor passa muito tempo com a criança e pode perceber mudanças de comportamento e alertar a família”, afirmou.
Atualmente, a Casa Durval Paiva acompanha pacientes de 156 municípios do estado. “Vinte por cento vêm de Natal, 30% da região metropolitana e 70% do interior. O câncer infantojuvenil não tem relação com clima, cor ou condição social. Ele pode acometer qualquer criança”, acrescentou.
Ana reforçou que, em caso de suspeita, não há barreiras para o encaminhamento. “Na fase de suspeição não há fila, não há demanda reprimida. Basta o médico da ponta ligar para nós. Se confirmado, a criança entra na rede, faz todos os exames e inicia o tratamento. Se não for, volta ao seu cotidiano.”
Para ela, informação é decisiva para salvar vidas. “Uma vez um pai detectou precocemente o câncer do filho porque leu os sinais da doença em uma sacola de supermercado. Informação salva vidas”, concluiu.
A inauguração do novo hospital pediátrico oncológico reforça esse esforço para garantir atendimento rápido, diagnóstico precoce e tratamento integral em Natal, reduzindo as perdas que ainda marcam os números do câncer infantojuvenil no Rio Grande do Norte.