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Reflexo

Economista: Tarifaço de Trump é ‘penalidade política’ e ameaça exportações do RN

Quase 700 itens estão isentos da taxação, mas, entre eles, estão apenas dois dos 10 itens mais exportados do RN para os EUA
Redação
05/08/2025 | 04:07

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decretou para esta quarta-feira 6 o início do novo pacote tarifário que eleva de 10% para 50% a alíquota sobre produtos importados do Brasil. Apesar do aumento expressivo, quase 700 itens brasileiros ficaram isentos, entre eles petróleo, suco de laranja, celulose, ferro-gusa, aeronaves da Embraer, motores e turbinas. Produtos embarcados até 5 de outubro também não sofrerão a nova taxação.

A medida, no entanto, excluiu importantes itens da pauta de exportação brasileira, como café, carnes, frutas e pescados, o que provocou forte reação do setor produtivo. Para o economista Ricardo Valério, conselheiro do Conselho Regional de Economia do RN (Corecon-RN), o tarifaço é “extremamente exagerado” e “fora de motivações econômicas”, sendo um reflexo de “sequelas políticas incabíveis”.

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Produtos exportados do Rio Grande do Norte para os Estados Unidos, como o sal, vão ser taxados em 50% por Trump. Foto: José Aldenir

“O tarifaço do governo Trump foi confirmado para iniciar a partir de 6 de agosto, e a boa surpresa foi que tivemos exceções para quase 700 itens importantes, como petróleo, alimentos, fertilizantes e nosso suco de laranja. A parte que estranhamos foi o café ter ficado de fora, juntamente com as carnes importantes e alimentares dos Estados Unidos, mas que certamente vão avançar”, afirmou.

O economista destacou que a medida representa um avanço em relação ao impasse anterior, quando sequer havia espaço para negociação. “Não podemos deixar de enaltecer que foi um caminho aberto, um bom início, em função de que nós não tínhamos nenhuma situação. Agora o decreto está assinado, com regras que vão certamente permitir uma interlocução de negociação para ver se conseguimos reduzir as tarifas”.

Valério também reforçou o impacto da medida para a economia potiguar. “Aqui para o RN, dos 10 produtos mais exportados, apenas dois foram contemplados. Mas temos preocupação em relação ao nosso sal marinho, ao nosso pescado — principalmente esses principais produtos — além de balas e caramelos, muito específicos para os Estados Unidos”.

Sobre o aumento de 40 pontos percentuais na tarifa, ele foi direto: “Na realidade, ele está dando um tarifaço de 40% somado aos 10%. Esses 50% muito altos são mais uma penalidade de natureza política do que econômica”, explicou.

Apesar do impacto negativo sobre parte das exportações, Valério acredita que o decreto abre espaço para o Brasil avançar em negociações com os Estados Unidos e reverter parte do tarifaço.

“Vamos seguir com as negociações. Certamente, quem sabe, lá na frente possamos até diminuir esse percentual, que, naturalmente, para o Brasil, seria de uns 10%, se não fosse toda essa influência e politização que estão sendo feitas em cima de um assunto meramente econômico, mexendo, inclusive, com a soberania do Brasil”.

O economista defendeu cautela e diplomacia. “É um momento de muita cautela, de muita negociação, evitando toda e qualquer bravata, toda e qualquer situação que cause e traga irritação para todas as partes. O momento exige realmente muita diplomacia e muita negociação — que, graças a Deus, foi minimizada”.

Segundo Valério, “o mais importante é que, até 5 de outubro, as transações estão liberadas, os embarques estão liberados, e os produtos que chegarem aos Estados Unidos até essa data não sofrerão a tarifa de 50%. Não deixa de ser um avanço para que a gente ganhe um pouco de tempo para conquistar novos mercados, enquanto buscamos uma melhor negociação com Trump”.

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