Licenciado do mandato pelos próximos quatro meses para se dedicar à campanha eleitoral, o senador Rogério Marinho é um dos nomes cotados para disputar o Governo do Estado nas eleições de 2026. Em entrevista ao AGORA RN, o parlamentar disse que se sentiria honrado em disputar o cargo.
“Todo agente público, todo detentor de mandato eletivo, ficaria extremamente honrado em se candidatar e vencer uma eleição para Governo do Estado, em especial o RN que precisa mudar suas práticas administrativas […] Qualquer candidatura a Governo do Estado, necessariamente, precisa ser trabalhada junto a outros partidos políticos e a população. Não é uma decisão a ser tomada nesse momento, até porque antes de 2026 tem 2024. O momento para refletir assertivamente sobre esse tema é depois dessas eleições, para fazermos uma avaliação da expressão do PL aqui no estado”, observou.

O senador assumirá o cargo de secretário-geral do Partido Liberal (PL) com a função de coordenar a estratégia nacional na campanha das eleições municipais de 2024. “Temos a responsabilidade de trabalharmos o partido para que ele possa disputar eleições em 2026 para fazermos uma bancada federal consistente, termos candidato ao Senado, disputarmos o Governo do Estado”, afirmou.
Rogério Marinho disse ainda que convidará o ex-presidente da República, Jair Bolsonaro, para participar da campanha eleitoral deste ano no estado. Marinho apontou que o ex-mandatário é o grande líder da direita no Brasil. “Ele não vai parar, inclusive vou convidá-lo para participar da campanha aqui no RN, especialmente onde temos candidatos majoritários”.
Confira a entrevista completa com Rogério Marinho:
AGORA RN – Qual é o projeto do PL para as eleições municipais?
Rogério Marinho – Temos hoje 23 prefeitos com mandato. Nós temos em torno de 80 pré-candidatos a prefeito e vice, além de aproximadamente 1.400 pré-candidatos a vereador, mas só saberemos com certeza após as convenções. Estamos organizados em 115 municípios, estávamos em 35 quando chegamos. É um processo dinâmico, não é estático, mas a preocupação que tivemos é que o partido só se organizou onde há algum projeto político eleitoral.
AGORA RN – Por que a decisão de se licenciar do mandato como senador?
Rogério Marinho – Primeiro, temos hoje uma responsabilidade não apenas como senador mas como líder da oposição no Senado. Em meados do mês de julho, haverá uma convenção nacional do partido. Deverei participar do diretório nacional num posto de organização, o que me leva a fazer um trabalho de organização nas eleições municipais visando as eleições de 2026, principalmente no Nordeste. Temos a responsabilidade de trabalharmos o partido para que ele possa disputar eleições em 2026 para fazermos uma bancada federal consistente, termos candidato ao Senado, disputarmos o Governo do Estado. Para isso, precisamos mostrar para a população o que nós representamos, e que há uma necessidade de que os partidos políticos, o PL de forma particular, possam mostrar uma nitidez do ponto de vista ideológico, para que a população possa distinguir quem de fato possa representá-la.
AGORA RN – O que o senhor espera de Flávio Azevedo no Senado?
Rogério Marinho – Conheço Flávio há quase 40 anos. Nós temos uma relação de amizade, sou testemunha da maneira como ele se comporta como empresário, pai, pessoa pública. Foi presidente da Federação das Indústrias, sempre apoiou nosso posicionamento político. Confio que ele fará um mandato digno e honrado, deixando a família e o RN orgulhosos de sua atuação. Sempre que houver necessidade, vamos conversar. Mas o mandato pertence a ele durante esse período.
AGORA RN – O senhor pretende ser candidato a governador em 2026?
Rogério Marinho – Todo agente público, todo detentor de mandato eletivo, ficaria extremamente honrado em se candidatar e vencer uma eleição para Governo do Estado, em especial o RN que precisa mudar suas práticas administrativas. Estamos ficando para trás no processo de competitividade que existe com estados vizinhos, estamos com fragilidade na infraestrutura, educação, segurança, geração de emprego e oportunidades. Há um sentimento de desesperança, estamos em busca de uma alternativa que possa mudar essa situação de desgoverno que passamos. Qualquer candidatura a Governo do Estado, necessariamente, precisa ser trabalhada junto a outros partidos políticos e a população. Não é uma decisão a ser tomada nesse momento, até porque antes de 2026 tem 2024. O momento para refletir assertivamente sobre esse tema é depois dessas eleições, para fazermos uma avaliação da expressão do PL aqui no estado. Temos uma deliberação de caráter nacional, orientando de não termos coligação com PT, Psol, bem como os detentores de mandato eletivo no partido não deverão se posicionar a favor de candidaturas que não sejam do PL, onde o PL tiver candidatura majoritária.
AGORA RN – Como está o relacionamento com o União Brasil? Já que em Natal o PL apoia a candidatura de Paulinho Freire, mas o União Brasil não retribui esse apoio em outras cidades importantes, como em Parnamirim e em Mossoró?
Rogério Marinho – Acho que os partidos têm que buscar seus objetivos e fazer o maior número possível de prefeitos, vices e vereadores. A forma como o União Brasil tem trabalhado diz respeito a sua administração. Nós apoiamos o União Brasil aqui em Natal, inclusive abrindo mão de participação na chapa majoritária apesar do PL ser o partido que tem maior representatividade na cidade, porque achamos que é importante a eleição de Paulinho Freire, até com essa perspectiva de termos um projeto futuro de convergência e afinidade nas eleições de 2026. Paulinho é uma pessoa que tem espírito público, conhece a cidade, acreditamos que será um bom prefeito. Em Mossoró, o prefeito busca a sua reeleição, não tivemos a possibilidade de convergir, e aí tem muito a ver com a maneira que acreditamos que precisamos nos comportar em 2026, não repetir os mesmos erros. O prefeito foi muito ajudado pelo governo Bolsonaro, eu como ministro participei desse processo de ajudar a cidade. Não posso deixar de registrar que foi uma ajuda que nunca aconteceu na história de Mossoró. Quando Bolsonaro esteve em Mossoró, principalmente durante a campanha eleitoral, o prefeito não se posicionou, não ajudou a candidatura de Bolsonaro. Estamos precisando nos posicionar de tal maneira que as candidaturas que estamos apoiando agora tenham compromisso conosco em 2026. Nós já tivemos uma experiência com o prefeito Allyson, que apoiou a minha candidatura ao Senado mas não apoiou Bolsonaro. Então nós precisamos que esse compromisso exista. Em Parnamirim, é um caso diferente. O prefeito foi extremamente correto durante a eleição de 2022, apoiou a nossa candidatura e a de Bolsonaro. Nós estabelecemos com ele um compromisso de que ele conduziria sua sucessão, desde que o candidato fosse do PL, já que Bolsonaro venceu as eleições no município. Salatiel é uma pessoa que conheço há mais de 20 anos, fui vereador com ele, é uma pessoa de bem, valorosa, que saiu de uma situação de dificuldade e se tornou hoje uma figura importante no nosso estado. Ele está disposto a entender os problemas de Parnamirim e apresentar problemas. De fato, quem tem voto em Parnamirim está do lado de Salatiel. Falo de Paulinho Freire, Taveira Júnior, Benes Leocádio. Quem tem voto, do União Brasil, está do lado de Salatiel.
AGORA RN – Como o senhor avalia esse período de 1 ano e meio de governo Fátima Bezerra, alinhado com o governo Lula? O senhor enxerga algo positivo para o RN nesse alinhamento?
Rogério Marinho – Se você tem um governo estadual alinhado politicamente com o federal, esperamos que haja uma mudança do ponto de vista de investimentos, que de fato eles cheguem ao cidadão. Agora estamos no sexto ano da governadora Fátima, e o que nós sentimos é um clima de desesperança, de frustração, desde a segurança pública até o fato de que a infraestrutura do estado está em frangalhos. Você não precisa olhar placa de sinalização para saber que saiu do Rio Grande do Norte e chegou ao Ceará ou Paraíba, basta fechar os olhos e sentir o balanço do carro. Não é que a qualidade das estradas dos estados vizinhos seja excepcional, é que o nosso é muito ruim. Recentemente, a governadora disse que conseguiu recursos para começar a recuperar as estradas após seis anos de governo. Espero que haja uma melhora, se bem que o volume de recursos é aquém da necessidade que temos. Mas já é um passo. Nos hospitais regionais, não há insumos, equipamentos, absolutamente desmobilizados, o que leva a demanda cada vez maior para a cidade de Natal. Vemos o espetáculo dos corredores superlotados, o que é um sintoma da falta de organização e estrutura administrativa que esse governo continua a apresentar. É um governo incompetente, que não tem a capacidade gerencial que se esperaria de uma governadora que pelo segundo mandato administra o estado. O mais grave, na minha opinião, é o fato de que ela é professora e o RN está em último lugar nos índices de proficiência educacional. O que mostra que ela é uma má professora, sequer conhece a atividade em que deveria ser especialista. Quem sofre com isso é a população do estado, que não vê perspectiva de futuro, já que o Estado não oferece um projeto que gere emprego, renda, oportunidade. Você vê os estados vizinhos crescendo, como é o caso do Ceará, que aliás tem um governo do PT, e o RN ficando para trás. Isso dá uma sensação ruim para quem mora aqui. Acho que Fátima presta um desserviço ao RN, e prestou um desserviço maior ainda em se colocar como candidata novamente. Se elegeu, claro, pegando carona na popularidade do presidente Lula. Aqui no RN, Lula é tido como um cidadão à parte. Se você perguntar a um morador do interior, por exemplo, se ele é a favor do aborto, ele vai dizer que não. Mas ele vota em Lula porque não entende que Lula é a antítese, antagônico, a tudo que ele acredita. E o PT é o precursor desse processo de desestruturação da sociedade como conhecemos, sobretudo um elemento de destruição da economia brasileira. Não foi diferente em 14 anos, e agora o PT tem repetido isso com os mesmos personagens, mesmos métodos, e vamos ter certamente os mesmos resultados. Ou seja, catástrofe econômica. Quem perde com isso são aqueles mais fragilizados que eles dizem que defendem.
AGORA RN – Qual sua opinião o PL do Aborto?
Rogério Marinho – Estamos discutindo uma hipótese que só se materializou em função da hipertrofia de um Poder sobre o outro. Existe no Brasil hoje uma verdadeira distopia funcional, onde o Judiciário às vezes se passa por Legislativo, e abre mão de se manter na sua posição de ser um árbitro e agir quando provocado. Praticamente, interfere em todos os setores da sociedade mesmo quando não é chamado. Esse PL é uma resposta a uma interferência do ministro Alexandre de Moraes à uma deliberação feita por cientistas e médicos no Conselho Federal de Medicina, que disse que o aborto após 22 semanas não poderia ser feito com uma injeção no coração do bebê. Essa foi a resposta dada a essa interferência à uma disposição científica e abalizada do Conselho Federal de Medicina. Todo Projeto de Lei que ingressa no Legislativo é modificado a partir dos processos de discussão, por isso há uma tramitação e por isso a legitimidade de uma lei aprovada por 513 deputados e 81 senadores, diferente de uma decisão de um único cidadão como é o caso da decisão monocrática de Alexandre de Morais, que não teve um voto popular para ser ministro do STF. Somos contra o aborto. Nós defendemos a lei como ela se encontra, no caso de perigo de vida para a mãe, anencefalia, e no caso de estupro comprovado judicialmente. Acho que a discussão que existe hoje é que após cinco meses, caso haja a necessidade de retirar a criança, que seja feito um parto e que essa criança seja entregue à adoção. Entendo a revolta de quem sofre uma violência como o estupro, mas na minha concepção a vida é diferente entre quem recepciona e quem está sendo gerado, principalmente depois de cinco meses. Basta ver uma ultrassonografia para verificar que a criança tem toda a sensibilidade.
AGORA RN – E sobre o Projeto de Lei das delações premiadas?
Rogério Marinho – É uma outra resposta à forma como o Judiciário vem se comportando. É importante lembrar que é um projeto antigo de Wadih Damus, que por acaso hoje é um dos principais gestores do Ministério da Justiça do governo do PT. Quando ele propôs esse projeto de lei, ele era deputado federal e ex-presidente da OAB do Rio de Janeiro. Ele propôs isso porque alegava que a Lava Jato prendia os suspeitos e só soltava quando eles confessavam. Me parece que essa era a motivação. Agora, estamos em um outro momento e alguém resgatou essa discussão. De fato, temos hoje prisões que estão demorando mais de um ano sem que a denúncia sequer seja apresentada. Então, você tem hoje no Brasil uma situação que precisa ser enfrentada por toda a sociedade. Porque muitas vezes temos visto a grande imprensa e setores importantes da sociedade aplaudindo ações extraordinárias do STF sob a justificativa de que, ao se ultrapassar a Constituição, se defende a Constituição. Veja, a lei só serve para mim se servir para o meu inimigo. Eu gostaria de viver em um país em que as pessoas sejam tratadas de forma igual, independente de sua posição política, religião, sexo, origem. O que estamos vendo é que um determinado espectro ideológico da sociedade é tratado como se não tivesse a necessidade de ter a salvaguarda dos direitos individuais previstos na Constituição. A discussão que tem que ser travada no Brasil é o retorno da liberdade democrática, que está em risco pelos excessos que o Judiciário tem cometido, notadamente o STF.
AGORA RN – O senhor continua defendendo a anistia para os participantes do 8 de janeiro?
Rogério Marinho – Com certeza. Até porque o que nós vimos no dia 8 de janeiro foi uma depredação, uma bagunça sem líderes, que é colocado como uma tentativa de golpe de Estado. Mas é evidente que não houve golpe de Estado, o que houve foi uma baderna como aconteceram várias na história do Brasil. Agora, por exemplo, tivemos a depredação da Assembleia Legislativa do Paraná e São Paulo, com quebra-quebra, e essas pessoas foram apreendidas num dia e soltas no outro. Quando eu era deputado federal, vi o MST, MTST e outros segmentos da esquerda invadirem prédios de ministérios, e os deputados do PT falando que era uma expressão da democracia. Essas pessoas não tiveram 17 anos de prisão. O golpe de Estado acontece com armas, com líderes, com bombas, e não vi nada disso. Aliás, vi um presidente da República sair em 2022 e, antes de sair, substituir os comandantes militares pelos indicados de Lula. Então, se ele queria dar um golpe dessa forma, ele precisa aprender porque não é assim que se dá golpe. É claro que não houve. Quando defendo a anistia é porque não tem sentido pessoas sem antecedentes criminais sendo julgadas pela posição política. Pela depredação, realmente tem que pagar por isso. Mas estão sendo julgados sem instância de recorrer, não deveriam ser julgados pelo STF, com penas extremamente severas de até 17 anos. Se queremos reconciliar o Brasil, é importante que viremos essa página.
AGORA RN – Quais são as contribuições que o PL dará a Paulinho Freire?
Rogério Marinho – Não podemos contribuir com fundo eleitoral porque não temos participação na chapa majoritária. Vamos ajudar em nossas candidaturas a vereador. O urbanista Soares Júnior vai ajudar, em nome do PL, na elaboração do plano de governo de Paulinho Freire. Vamos participar da campanha de maneira efetiva, sensibilizando nossos eleitores, falando sobre alguém que tem essa visão necessária de quem gosta da cidade, aliado ao prestígio e a legitimidade que a experiência deu a Paulinho Freire.
AGORA RN – O senhor representa o ex-presidente Jair Bolsonaro nessa campanha?
Rogério Marinho – Bolsonaro hoje não é mais um CPF, ele representa um conjunto de valores e ideias que ele condensou. Ele tem percorrido o Brasil, de Norte a Sul, e tem recebido com euforia, carinho e acolhimento dos brasileiros. Ele plantou, como presidente da República, e vem colhendo esses gestos de apoio e confirmação de sua liderança. É, sem dúvidas, o grande líder da direita brasileira. Ele não vai parar, inclusive vou convidá-lo para participar da campanha aqui no RN, especialmente onde temos candidatos majoritários. A questão da ideologia da direita, bom, somos o que somos. O que tenho defendido é um conjunto de valores que representa a maioria da população brasileira, de respeito à família, contra a descriminalização das drogas, a favor de uma política de segurança mais eficaz que combata a glamourização da esquerda em relação aos criminosos, respeito ao direito de propriedade, Estado eficiente, processo de desburocratização e diminuição da carga de impostos, defesa de um legado econômico virtuoso que resgatou o país da catástrofe econômica que o PT nos enfiou, nova lei de liberdade econômica, estamos falando de um legado que temos orgulho de defender para evitar que o PT destrua tudo de bom que foi feito nos últimos anos.