Celebrando 27 anos de carreira, o humorista Geraldo Magela, o Ceguinho, tem uma vida marcada por momentos de superação, motivação, criatividade e resiliência. Vindo de uma família com oito irmãos, sendo cinco cegos, ele lembrou que tinha dificuldades para enxergar desde a infância e sua trajetória profissional até se tornar o Ceguinho. Nesta quarta-feira 19, ele se apresentará pela primeira vez em Natal, no Natal Comedy Club, com o show “Geraldo Magela em Ceguinho é a mãe!”, ocasião em que lançará seu livro autobiográfico “Um cego de olho no futuro”, contando bastidores da TV, do rádio e da vida.
AGORA RN – Como surgiu a ideia do projeto “Ceguinho é a mãe” e como você vê sua trajetória até hoje?
MAGELA – Eu trabalhava como locutor na Rádio Confidência, em Belo Horizonte (MG), e tive a oportunidade de apresentar um programa de rádio no palco, uma sátira chamada Radio Atividade. Quando a rádio contratou Lilico, um dos personagens da A Praça é Nossa, mesma época em que eu comecei uma campanha para ir a Cuba para uma cirurgia. Essa experiência me levou a ser convidado para o programa de Jô Soares, onde tive uma excelente repercussão nacional. O Ricardo brincou que minha entrevista só tinha dado certo por causa dos textos dele e isso me incentivou a escrever meus próprios textos, baseado nas experiências de vida dos cegos, e resultou em um espetáculo de sucesso que emocionou até mesmo meus colegas de trabalho. O sucesso do espetáculo levou-o a ser reconhecido não apenas como um bom humorista, mas também como um excelente produtor.

AGORA RN – Como percebe a inclusão em espaços de cultura e entretenimento no país? O que pode e precisa melhorar, em sua opinião?
MAGELA – Os meios de comunicação tinham que fazer chamadas em suas programações mostrando a nossa eficiência e não a nossa deficiência. Porque o pessoal tem a mania de lançar coisas para os deficientes sem nos consultar, uma prova são uns óculos “inteligente” que custam R$ 15 mil. Mas temos vários aplicativos que fazem a mesma coisa e de graça. É melhorar os espaços existentes, e nos consultarem antes de lançarem coisas para nós, é bem mais prático. Não nos procuram primeiro e fazem coisas malfeitas, como pisos táteis que terminam em escadas e perto de bueiros e outros itens que podem oferecer algum risco para nós.
AGORA RN – O que os espectadores podem esperar do seu show no Natal Comedy Club no dia 19 de junho? Há alguma novidade ou tema especial que será abordado?
MAGELA – Será uma mistura de “Ceguinho é a mãe”, “O melhor do ceguinho” e “Ceguinho chutando o balde” e coisas recentes. O “Ceguinho é a mãe” está completando 27 anos de sucesso, mas sempre temos novidades porque as pessoas sempre nos surpreendem com alguma situação engraçada. A mais nova foi uma mulher que me perguntou: “Magela, quando é que você resolveu ficar cego?”, e eu respondi: “Eu estava em casa, sem nada para fazer, numa tarde de domingo, e pensei comigo: ‘Acho que vou ficar cego’”. Risos. Então, o repertório está sempre sendo renovado. Quem já assistiu, pode vir novamente, pois sempre há novidades, somado ainda ao lançamento do meu livro “Um Cego de Olho no Futuro”.
AGORA RN – O lançamento do livro “Um Cego de Olho no Futuro” marca uma nova etapa em sua carreira. Quais as abordagens seu livro traz?
MAGELA – Sempre fui muito criativo e durante a pandemia, com muitas coisas negativas acontecendo no mundo inteiro, nós, artistas, fomos os primeiros afetados. Nesta época, fiz três lives em casa, apresentei um programa de TV mundial apresentado por um cego, chamado “Cegos, mancos e loucos”, junto com o humorista cadeirante Kaquinho Big Dog. Nosso lema é “Geraldo Magela enxerga longe e Kaquinho corre atrás”. Escolhi ele porque tenho certeza de que ele nunca me passará a perna e eu nunca vou crescer o olho nas coisas dele. E escrevi um livro, que desejei escrever 15 aos atrás e que está disponível na Amazon por um preço simbólico, para que as pessoas possam conhecer a minha vida, bem motivacional, resiliente e muito engraçado. Tenho o maior orgulho porque, depois deste livro, minhas palestras ficaram muito mais consistentes e ricas.