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Política

Com presidente nacional foragido, Solidariedade RN diz não ter contas investigadas

Investigação revela esquema de desvio de recursos do fundo partidário e eleitoral, envolvendo candidaturas laranjas e lavagem de dinheiro através de empresas de fachada
Redação
14/06/2024 | 08:30

Principal alvo da Operação Fundo do Poço, deflagrada pela Polícia Federal nesta quarta-feira 12, o presidente nacional do Solidariedade (ex-Pros), Eurípedes Júnior, continua foragido. Apontado como o chefe de uma organização criminosa responsável por desviar e se apropriar de recursos dos fundos partidário e eleitoral, ele é suspeito de ter desviado R$ 36 milhões. Em nota, o partido Solidariedade do Rio Grande do Norte informou que “não tem contas investigadas na operação realizada nesta quarta” e que “a investigação é contra o Pros”. O Pros é uma sigla que foi absorvida pelo Solidareidade no ano passado.

Conforme a PF, o grupo criminoso atuava usando candidaturas laranjas ao redor do país, superfaturamento de serviços de consultoria jurídica e desvio de recursos partidários destinados à Fundação de Ordem Social (FOS) – fundação do antigo Pros. Já a lavagem de dinheiro era feita por meio de empresas de fachada, aquisição de imóveis por meio de interpostas pessoas, superfaturamento de serviços prestados aos candidatos laranjas e ao partido.

Presidente do Solidariedade, Eurípedes Jr. era do antigo Pros, que foi extinto em 2023 - Foto: Reprodução
Presidente do Solidariedade, Eurípedes Jr. era do antigo Pros, que foi extinto em 2023 - Foto: Reprodução

Os documentos obtidos pela investigação detalham o tráfego migratório de Eurípedes entre 2016 e 2023, com 36 viagens internacionais para praticamente todos os continentes. Em suas viagens, pagas com recursos partidários, Eurípedes sempre levava familiares e amigos.

Os envolvidos estão sendo investigados pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, furto qualificado, apropriação indébita, falsidade ideológica eleitoral e apropriação de recursos destinados ao financiamento eleitoral.

Desde quarta, foram cumpridos 45 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e nos estados de Goiás e São Paulo, bloqueio e indisponibilidade de R$ 36 milhões e o sequestro judicial de 33 imóveis, deferidos pela Justiça Eleitoral do DF. Até o fechamento desta edição, seis pessoas já haviam sido presas preventivamente e devem prestar depoimento neste sábado 15.

Já as buscas por Eurípedes continuam. Ele deveria estar em São Paulo na quarta, onde participaria de uma reunião com outros dirigentes do partido, mas um dia antes, afirmou que não iria mais, por “estar doente”. foi incluído na lista de divisão vermelha da Interpol. A lista vermelha da Interpol funciona como um alerta e permite a prisão do foragido em um país estrangeiro.

Eurípedes responde por atos do Pros, afirma Janiel Hercílio

Nesta quinta-feira 13, o presidente do Solidariedade no Rio Grande do Norte, Janiel Hercílio, afirmou que “a operação deflagrada ontem pela Polícia Federal nada tem a ver com as contas do partido relativas às eleições de 2022”, e destacou que “o Solidariedade RN não tem contas investigadas na operação que foi realizada nesta quarta-feira”. “A investigação é contra o Pros”, disse.

Segundo ele, apesar de o presidente nacional da legenda ser apontado como o chefe do grupo criminoso investigado, “os fatos ocorridos são relativos a uma época anterior à chegada dele ao Solidariedade”.

Janiel ressaltou ainda que os fatos aconteceram antes da união do Pros com o Solidariedade e que o partido ainda não tem uma posição. Ele disse ainda que a investigação trata da época em que Eurípedes era presidente nacional do extinto Pros, partido que deixou de existir em 2022 por não cumprir a cláusula de barreira.