O aumento de casos de dengue em Natal tem chamado atenção para o tratamento focal de arboviroses na cidade. Moradores dos bairros Potengi, na Zona Norte, e Nova Descoberta, na Zona Leste, relataram ao AGORA RN não receber visitas periódicas dos agentes de combate a endemias.
Atualmente, a cidade de Natal conta com 207 agentes de vigilância em saúde com ênfase no combate às endemias trabalhando no tratamento de arboviroses. Segundo o boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS), a capital potiguar teve em 2024 um aumento de 67,8% de casos de arboviroses, em relação ao mesmo período do ano passado.

A moradora de Nova Descoberta Júlia Dantas afirmou que a casa dela não recebe visitas dos agentes há um bom tempo. De acordo com o registro que fica fixado nas casas, a última visita foi feita no ano de 2019. “Desde lá não me lembro de terem passado outras vezes”, relata.
Para ela, as visitas são indispensáveis. “Acredito que a pandemia fez as visitas pararem, mas, se tivessem voltado logo a fazer, talvez esse surto que está tendo agora, não estaria acontecendo”, opina.
Quem também tem uma situação semelhante é João Luca, morador do bairro Potengi, na Zona Norte. Segundo ele, as visitas no local não são comuns. “Não consigo nem lembrar a última vez que passaram por aqui”, diz.
De acordo com João, ele se recorda apenas de uma visita nos últimos 10 anos. Ainda relata que sua irmã estava com suspeita de dengue nos últimos dias e precisou ir ao hospital.
A Zona Norte de Natal é a protagonista nos casos de dengue em 2024. Segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), 55% dos casos prováveis de dengue na capital potiguar foram nos distritos sanitários da região. Porém, outras localizações com classificação vermelha também preocupam, como: Pajuçara e Nossa Senhora da Apresentação.
Remuneração de agentes de saúde. O Ministério da Saúde determinou o valor de R$ 2.824 como incentivo financeiro federal mensal para agentes comunitários de saúde (ACS) e agentes de vigilância em saúde com ênfase no combate a endemias (ACE) durante o ano de 2024. A correção, divulgada no Diário Oficial da União desta quarta-feira 21, é retroativa ao mês de janeiro.
Esse montante, destinado aos estados, Distrito Federal e municípios, visa garantir o pagamento do piso salarial da categoria, equivalente a dois salários mínimos. Os recursos provêm do orçamento da pasta de Saúde e são ajustados anualmente conforme o salário mínimo estipulado na Lei Orçamentária Anual.
Segundo informações do próprio Ministério da Saúde, o Brasil conta com 278 mil agentes atuando nas equipes de Saúde da Família. Dessas, 34,8 mil foram credenciadas em 2023, marcando a maior expansão da categoria dos últimos dez anos. A expectativa é de que mais 25 mil profissionais sejam integrados às equipes este ano.
Os agentes comunitários de saúde realizam visitas domiciliares para orientar comunidades, registrar informações e encaminhar pessoas ao Sistema Único de Saúde (SUS), contribuindo assim para a prevenção de doenças. Por sua vez, os agentes de vigilância em saúde com foco no combate a endemias atuam na identificação e eliminação de focos de transmissão de doenças como dengue, leishmaniose e raiva, além de orientar a população e notificar e encaminhar casos suspeitos para as autoridades competentes.
Secretaria diz que agentes fazem visitas com base em estratificações
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), as visitas dos agentes de endemias no município de Natal atendem a uma metodologia do Ministério da Saúde e da Secretaria Municipal de Saúde de Natal com base nas estratificações de risco. Natal possui mais de 350 mil imóveis para serem visitados.
“Ressaltamos que o principal responsável pela organização individual dos imóveis é o próprio cidadão. O trabalho do agentes de combate a endemias é de cunho preventivo, orientativo e complementar”, afirma a pasta.
A SMS reforça a necessidade de os moradores realizarem semanalmente a limpeza adequada de seus imóveis e fiscalizarem se não possuem nenhum depósito com água que possa servir de foco para a proliferação de mosquitos.
A pasta acrescenta que “ações de educação e divulgação em saúde, controle químico, visitas domiciliares para tratamento focal e vacinação estão sendo realizadas em todo o município”.